Antonio
Nunes de Souza*
Nunca
me considerei um azarão, mas, como sempre tem um dia filho da puta em nossa
vida que, caracteriza plenamente, uma carga tão negativa que parece que você,
como dizem nas rodas da vida, andou “pisando em rastro de corno”. E, os amigos
sacanas, quando dizemos isso eles logo retrucam: Você andou de costas! rs rs rs
Pois,
se essa merda dessa exclamação ou ditado vulgar tem alguma veracidade, sem a
menor dúvida, ontem à noite andei, dancei e sapateei em “rastro de corno”!
Acordei
hoje para ir trabalhar, fui tomar banho não tinha água. Nem a merda da água salobra
saía do chuveiro. Tomei um banho de gato, lavando, malmente as partes, escovei
os dentes e fui tomar meu café vendo o bom dia Brasil para sair bem informado.
Aí, falta energia, não pude fazer meu Nescafé no micro ondas, não vi TV e já
saí puto da vida em função desses impasses. Mas, podem crer, a merda estava
apenas começando, pois, ao chegar no estacionamento, meu carro estava com um
pneu furado. Imagine você, eu já emputecido, sem café da manhã, noticiário,
banho decente, de paletó e gravata, num calor da porra, fazer troca de pneu?
Olhei para ver se encontrava alguém que me socorresse, mas, nem o merda do
flanelinha chato que fica na porta do nosso edifício estava lá!
A
contra gosto, tive que fazer eu mesmo, e depois, suado pra caralho, voltei ao
apartamento para mudar a camisa, lavar as mãos com água mineral, a única que eu
tinha em casa, descer, já mais refeito, pensando em ainda chegar cedo, passar
numa lanchonete, tomar um bom café para compensar as ocorrências inesperadas!
Entrei
no carro, liguei o ar, coloquei um CD de James Taylor e saí no meu caminho.
Porém, quando cheguei na Paralela, havia uma barreira com pneus queimando,
milhares de professores com cartazes e faixas nas mãos, dando testa com os
policiais e, consequentemente, não deixando ninguém passar. Aquilo para mim,
que tinha uma reunião com um cliente especial, que me daria um rendimento
maravilhoso, era pior que um chute nos culhões com aqueles sapatos de
sapateadores, com bicos de aço! Tentei ligar e, quando olhei, na hora que fui
trocar a camisa na saída, me esqueci do celular em casa!
Vendo
que não deveria me enervar mais, apenas parar, meditar o que fazer e ver como
poderia abrir uma brecha no bloqueio. Chamei um policial, falei da minha
urgência e ele me disse que, tranquilamente, dentro de hora estaria tudo
resolvido e livre a estrada. Para ele uma hora era ótimo, mas, para mim, era
“me foder de pica mole”! (Mais uma citação popular que cabia na situação).
Passada uma hora e quinze minutos, com um engarrafamento de quilômetros,
começamos a andar. Mas, como o diabo estava solto, uma sacana de uma mulher,
talvez nervosa com a situação, deu uma porrada atrás do meu carro, eu bati no
fundo do da frente e o cara bateu no seguinte. Deu vontade de dar uma porrada
na mulher, pois, a cretina, ainda queria ter razão. E eu, com meu carro
espremido entre os dois, sem poder me locomover, pois o cara da frente queria a
presença do perito, fiquei numas condições que, não fosse educado e controlado,
teria brigado com todos os envolvidos e quem aparecesse. A perícia apareceu
vinte minutos depois, fez a ocorrência, a mulher sacana foi considerada culpada
e, fomos embora para acertar posteriormente os consertos!
Quando
cheguei no meu edifício, consegui uma vaga, parei, saltei e me dirigi ao meu
escritório, isso já as dez e quarenta e cinco. Perguntei a minha secretária
pelo meu cliente e ela disse que ele havia esperado, porém, depois disse que ia
desistir, categoricamente, do negócio, pois, aqueles momentos de espera, deu
para ele ter outra ideia e deixar as coisas como estavam em sua empresa! Essa
notícia me deixou putíssimo, pois eu ganharia uma nota preta nesse negócio e já
estava com a troca do meu apartamento engatilhada!
Àquela
altura, já completamente desesperado e enlouquecido, resolvi ir logo a um
restaurante, comer algo substancial já como um almoço em vez da café da manhã.
Como era sexta feira resolvi comer comida baiana, ou seja uma moqueca de peixe
com camarões, um pirão e farofa com dendê. Cervejinha gelada, uns marisco como
petiscos até que a moqueca ficasse pronta. Pelo menos me alimentaria bem, pois,
iria para casa passar o resto do dia, descansando das merdas que aconteceram.
Quando cheguei no carro encontrei uma multa no para-brisa, pois, na agonia,
estacionei num local destinado a carga e descarga. O sangue me voltou a subir à
cabeça, cheguei em casa, fui ver um filme. E a barriga, depois de algum tempo,
começou a fazer um ruído estranho, terminei cochilando e, quando menos espero,
acordei com uma puta dor de barriga, saí correndo para o sanitário quase me
cagando todo e, assim que abaixei a bermuda, a merda espirrou como se fosse um
“lava jato”, aquilo fedendo e de cor amarelada, com a predominância do azeite
de dendê.
Já
passa de duas da manhã e já fui ao banheiro uma porrada de vezes, sendo que a
grande maioria, apenas sai alguma bobagem junto com uns peitos fedorentos! Pedi
ao porteiro do prédio para comprar umas águas de coco, um remédio, pensando
que, sinramente, hoje não era meu dia!
Será
que foi um dia de azar ou, verdadeiramente, “eu pisei num rastro de corno?”
*Escritor
– Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL – antoniodaagral26@hotmail.com
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