sábado, 19 de agosto de 2017

DEPOIS DA TEMPESTADE...

Antonio Nunes de Souza*

Era quase impossível ter uma visão da rua, pois, o torrencial aguaceiro caía com turbulência que, com a ventania existente, mais parecia uma tempestade que um dia de chuva!
Essa era a imagem e situação que todos, ou os poucos corajosos, estavam enfrentando naquele momento, onde a inesperada chuva sentia-se rainha, comandando e mandando milhões de litros de água, que em função dos bueiros sempre entupidos de poeiras e lixos, faziam com que o acúmulo de poças fossem se avolumando, fazendo o desgastado asfalto se transformar em uma bela corrente de água enlameada!
Infelizmente, vindo do trabalho, caminhando para o ponto de ónibus, tive que enfrentar e sofrer, sem muita alternativa, se voltava, ou continuava. Mas, com a água na altura da canela, acima do meio fio, que poderia eu fazer?
A rua começou a ficar deserta, pessoas correndo para todos os lados e, quando dei por mim, estava encostada em uma porta de uma loja já fechada, completamente molhada e, logicamente, com medo e assombrada por sentir-me completamente solitária! Juro que comecei a rezar, pedindo a Deus uma salvação e, como se ele estivesse ouvindo minha solicitação, pára um carro em minha frente, e o motorista abre a porta me chama com certa insistência: Venha minha filha! Depressa saía daí!
Claro que não precisou falar duas vezes. E eu também nem me preocupei se a pessoa era ou não digna de se confiar. Apenas, em segundos pensei: Perigo por perigo, que seja pelo menos com proteção de não me afogar, sendo arrastada para um grande bueiro!
Totalmente encharcada, somente senti ele me tirar a blusa, colocar seu paletó por cima de mim que de tão quentinha, nem me incomodei de ter me desnudado bruscamente. Vi em seus olhos a maneira gentil que estava procedendo, pensando apenas em me proteger!
-Vou encostar o carro num lugar mais alto e seguro e vamos aguardar que melhore para seguirmos!
-Tudo bem, e muito obrigado por ter me tirado daquela situação vexatória e perigosa!
Começamos a conversar sobre nós, ele era advogado e eu secretária executiva na diretoria de uma grande empresa. O fato é que, conversa vai, conversa vem, terminamos transando dentro do carro, pois senti que ele era uma pessoa confiável e bonita ((vi no seu dedo uma aliança de casamento) e eu tinha a minha de noivado. Mas, a circunstância não dava para eu deixar de pagar aquele bendito socorro com afagos e carícias. Não posso negar que suas penetrações, na frente e atrás não foram boas. Me fez gozar várias vezes. Mas em compensação, fiz-lhe um boquete com tanta volúpia, deixando ele completamente louco nos estertores orgásmicos. Senti-me competente e uma grande agradecida.
Terminamos tudo sem falar ou fazer comentários, a chuva amenizou, os ónibus voltaram a aparecer e eu, apenas abri a porta, agradeci mais uma vez, dei boa noite, fechei a porta do carro e fui seguir o meu destino.

O fato é que, depois da tempestade... veio a bonança. Foi um momento inesquecível, porém nem fiquei sabendo o seu nome e nunca mais nos encontramos. Mas, todas as vezes que chove bastante, nunca deixo de me lembrar daquele momento inesperado e maravilhoso!

*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL-antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

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