terça-feira, 12 de agosto de 2014

Campanha mais que justa!

Antonio Nunes de Souza*

Vinha calmamente pensando com meus botões a maravilha que é a campanha “Criança Esperança”. Todos os anos arrecadam milhões, sempre apresentando resultados surpreendentes com relação ao atendimento em todas as áreas, para as crianças pobres do nosso país. De repente, desponta em minha frente, aquele velho amigo Roberto que escrevi na crônica “Encontro fatídico” (vide meu blog). Passos arrastados, curvatura do corpo para frente, boné para esconder à careca, bermuda de calça velha cortada, mostrando tantas veias nas canelas como se fosse uma rede ferroviária!
Cheguei por trás e disse no maior entusiasmo: Diga aí meu amigo Robertão!
- Oi Antonio Manteiga, o mais que posso dizer é “ai” em vez de aí. A zorra do corpo dói em qualquer posição que eu esteja!
-Mas estou vendo, que depois de nosso encontro muitos meses atrás, você continua numa boa e vivendo.
Exatamente! Numa boa merda e vivendo mal prá cacête! Mesmo a sua maneira gentil de me elogiar para elevar meu astral, me deixando grato, mas, tenho que ser sincero com você dizendo exatamente como me sinto. Todas aquelas coisas que lhe disse naquele encontro estão cada vez piores, sou apenas um policial de cuidados, agenda para lembrar os horários de remédios, um esforço de memória filho da puta, pois às vezes pego a caixa do remédio, abro e, imediatamente, me esqueço e não sei se já tomei ou se devo tomar. E essa dúvida é uma merda, inclusive perigosa!
Para mudar um pouco a conversa, perguntei: Que tal você acha a campanha Criança Esperança?
-Muito boa, porém já deviam fazer também a campanha “Velhice Desesperada”, pois, nós velhinhos depois que nos aposentamos com uma merreca desgraçada, que não dá nem para os remédios que não são distribuídos pelo governo, alimentação, moradia e outros gastos básicos essenciais, estamos vivendo de teimosos que somos. E, uma ajuda substancial, seria muito bem vinda. Uma vez que não temos, como alguns, condições de arranjarmos um trabalho para complementar a renda. Loucamente eu cheguei a pensar em ser um “velhinho de programa”, para agradar as coroas, mas como, se meu órgão genital está mesmo que um tatu bola, todo encolhido que eu tenho até que desenrolar para poder mijar sem me molhar! Tomei um Viagra para testar e única coisa que endureceu foram as pernas e eu fiquei três horas sem poder me levantar e andar esperando passar o efeito!
Não pude conter o riso, com vontade de dar uma gargalhada, mas, tinha que respeitar as debilitações do querido amigo. Despedi-me dele desejando melhoras, ao mesmo tempo prometendo que faria um artigo alertando as emissoras de televisões para, bem depressa, olhar para os velhinhos, fazendo uma campanha mais que justa!


*Escritor - Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com

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