terça-feira, 9 de julho de 2013

Os pobres viraram Faraós

Antonio Nunes de Souza*

Se já não bastassem os sofrimentos normais do brasileiro para enfrentar o dia a dia, tendo que matar um pittibull por hora, de vez enquanto aparece algo que enche seus olhos de esperanças, ao mesmo tempo em que esvaziam os seus bolsos e povoam suas cabeças com ilusões mirabolantes!
Como dizia meu sábio e velho avó, com seu ceticismo peculiar, que, “quem não rouba ou não herda, morre na merda”. A não ser os políticos corruptos que já têm fé de ofício para arrecadar o dinheiro público, sem que haja penalidades ou condenações, não vestem as carapuças de ladrões e continuam tratados com as maiores mesuras pelo próprio povo que ele maltrata e, paradoxalmente, esse mesmo povo os reelege num masoquismo incompreensivo para uma mente humana, medianamente, inteligente!
Agora, para encher o povo de mais ilusões de uma vida melhor, apareceram dezenas de “ajudas mútuas”, prometendo mundos e fundos numa rapidez que nem Fernando Alonso da Ferrari é capaz de andar em seu potente carro. Transações essas que no passado foram denominadas de “pirâmides”, talvez porque seus inventores e diretores terminariam encima e o pobre povo que investiu maciçamente, ficaria embaixo para ser esmagado quando as ditas desmoronam depois de algum tempo, sumindo seus responsáveis sem deixar rastros!
Na verdade não posso de modo algum ser taxativo que se trata de algo completamente errado, mas, segundo estudos e análises de uma juíza do Acre, pessoa credenciada para sentenciar um freio nas operações, tudo não passa de uma burla que repete os mesmos erros e contravenções de um passado ainda recente. Provavelmente, agora que o Ministro autorizou a polícia federal e os órgãos competentes a fazerem uma varredura, possivelmente, as múmias irão aparecer em suas câmaras secretas cheias de dólares e euros dos iludidos investidores.
O fato é que, mais uma vez, o povo cai nas garras de aproveitadores, que sabem como as pessoas estão ávidas de melhoras e, sem raciocinar com cautela, aplicam seu pobre dinheirinho na esperança de vê-lo crescer. Aí eu volto a fazer uma citação do meu sagaz avó que, debochadamente, dizia: Meu neto nunca se esqueça que, a única coisa nossa que cresce na mão dos outros é a rola!

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com


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