sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Aventura na Black Friday!

Antonio Nunes de Souza*

Sabedor dessa monstruosa liquidação com uma antecedência respeitável, comecei a mealhar minhas finanças, economizar bastante, pois, esse ano, iria comprar muitas coisas para renovar e recompor minha casa, que há muito pedia algumas coisas novas e outras que nunca existiram, no sentido de me proporcionar um conforto mínimo, mas, bastante decente para um homem de pequenas posses!
Imaginando o tumulto que seria na manhã quando abrissem as lojas, precavidamente, peguei uma esteira na noite de quinta-feira, e fui me instalar como o primeiro da fila. O pacotão de dinheiro em um bolso, fechado com um zíper e no outro bolso uma grande relação com as mercadorias que desejava, preços normais antes da promoção em várias casas comerciais, para que pudesse fazer os comparativos dos descontos, pois, claro que não me deixaria cair em armadilhas comuns nessas ocasiões.
Uma garoa sacana, juntamente com o sereno e a friagem da noite, nada fazia com que me sentisse confortável, assim como, àquela altura da madrugada a fila já estava grande, cheia de ávidos compradores que aproveitariam a oportunidade. E foi nessa hora que aconteceu o que jamais esperávamos: Apareceu um arrastão com mais de cinquenta menores e maiores, armados de facas e revólveres e, sem a mínima compaixão, saíram arrecadando os dinheiros de todos, celulares, relógios, joias e fantasias, nos deixando deitados com as mãos nas costas, enquanto faziam a limpeza geral nos pobres coitados que, com alegria estavam imaginando uma sexta-feira cheia de felicidades!
Depois que saíram em disparada, usando carros de apoio e motos, levantaram todos numa algazarra ensurdecedora, procurando de alguma maneira ligar para a polícia. Ainda estarrecido e sem ação, levantei-me, senti que desciam algumas lágrimas pelo meu rosto e, querendo esquecer aquela tragédia, apanhei a minha esteira e segui para casa no maior silêncio, sentindo dores no coração e tristeza na alma. Nem me deu vontade de ir dar queixa na polícia, pois, a crueldade do fato, apenas me mostrou, mais uma vez, como os homens estão a cada dia se animalizando.
Me deitei para descansar e, olhando meus móveis, geladeira, fogão e outras peças que seriam repostas pelas suas velhices, e agradeci fervorosamente a Deus por não ter sido morto pelo bando de selvagens que nos assaltou!
De qualquer forma, esse fato para mim e todos aqueles que foram vítimas, não deixou de ser uma “Sexta-feira Negra”, que jamais esqueceremos!


*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letra de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com

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