sexta-feira, 7 de junho de 2024

UM COMEÇO DE VIDA BEM DIFÍCIL!

 

Antonio Nunes de Souza*         

No meado dos anos noventa, eu com dezenove anos, trabalhava numa loja de ferragens como balconista, e morava em uma pensão de quinta categoria, já que a grana era curta. Uma vida mais que modesta, porém, sentia-me um vencedor, já que tinha vindo para Salvador com quinze anos, encima de um pau de arara, como um esfomeado cearense, que fugia das terríveis e constantes secas!

Sempre esforçado, querendo melhorar de vida, com todos os sacrifícios, estudei a noite e, orgulhosamente, consegui terminar o segundo grau completo, que é um dos maiores orgulhos que um pobre tem ao conseguir chegar a essa condição, que quando perguntam se ele estuda, ele bate no peito e diz: Já completei! Isso como se para ele fosse, uma graduação de doutorado!

Pois, foi fazendo meu pobre “doutorado” que conheci Selma, uma jovem de dezessete anos, filha de uma baiana de acarajé, situada no Porto da Barra. Selma ajudava a mãe durante o dia, e a noite estudava nesse colégio público, onde éramos colegas de sala. Nos olhávamos e conversávamos as vezes, até que começamos um namoro simples, porém, cheio de afetividades, carinhos e atenções. Ela era de uma meiguice incrível, sabendo dos meus apertos, sempre trazia para mim abarás e acarajés saborosos que sua mãe fazia, para me alimentar como um ótimo jantar. Éramos ambos bem bonitos, sendo ela uma morena bem clara, mais para branca que negra em suas características, além de um corpo bem delineado. Eu, um sertanejo robusto, altura mediana e cabelos lisos. Formávamos um casal encantador e cheio de sonhos, que geralmente temos nessa idade, praticamente o início da fase adulta!

Como sempre foi normal (antigamente às escondidas e hoje em qualquer lugar), começamos a transar numa boa e, inesperadamente, pelas nossas facilidades, Selma engravidou, fato que nós jovens ficamos na maior felicidade, porém, os familiares ficam surpresos e putos, pois, sabem eles que essa atitude dos jovens, sempre termina em merda para os velhos. Dona Maria das Dores e o aposentado seu Joaquim, como nada mais poderia ser feito, consentiu que fôssemos morar juntos e, depois da maternidade, nos casaríamos, para selar uma união que tinha tudo para ser feliz, pois, com a conclusão do curso e ela completar em seguida seus dezoito anos, poderia também arranjar um emprego e, juntando nossas merrecas, daria para termos uma vida decente em uma modesta moradia. Mas, por enquanto, levei Selma para meu quarto na pensão, apenas comprando uma cama de casal, para melhor nos acomodar. Porém, ficou combinado que ela continuaria trabalhando com a mãe, até ter a criança, já que ninguém quer mais empregar mulheres grávidas. Com toda essa vida bastante cheia de “nadas”, éramos felizes, alegres e muitas expectativas para o nascimento do nosso querido filho, já com seu nome escolhido de Fernando, em homenagem ao meu pai, que nunca mais tive notícias, desde minha vinda para a Bahia. Considerava-me um solitário no mundo, já que meus parentes todos evaporaram com a dolorosa seca, inimiga íntima do norte/nordeste!

Passaram-se os meses de gestação, tudo as maravilhas, até que chegou o dia do parto, fiquei nervoso com a nova experiência. Seguimos para a maternidade, ficando eu e dona Maria das Dores na sala de espera. Uma hora depois, veio a enfermeira nos dizer qie tudo correu bem, Fernando era um garoto sadio e que estava no colo da mãe. Ficamos felizes e fomos, através do vidro do quarto, ver minha grande obra, fruto de um amor quase juvenil!

Aí foi que aqs coisas começaram a apertar, já que com acriança as despesas aumentaram, e por azar, a loja que eu trabalhava fechou e eu fiquei desempregado, ficando eui e Selma, juntamente com a criança, indo trabalhar ajudando sua mãe nas vendas das iguarias no Porto da Barra. E como essa praia é muito bem frequentada, dei a ideia de colocar mesas e cadeiras no fim da tarde, para que o pessoal venha ver o por do sol, fato que normalmente acontece, com centenas de admiradores boêmios, que adoram uma cervejinha gelada, que passei a levar num grande isopor. No início o movimento era fraco e tomamos alguns prejuízos, mas, com o decorrer do tempo fomos conseguindo uma boa freguesia, chegando ao ponto de já termos vinte mesas, que eu armava e desarmava depois do movimento.Com isso as coisas foram melhorando, compramos um carrinho velho para transportar diariamente as mercadorias de casa para o ponto, lutei com a ajuda de um frequentador que trabalhava na prefeitura, conseguindo uma licença para usar o espaço num lugar privilegiado, exatamente onde se reuniam todos, por ser o melhor para admirar o poente!

Foi depois disso que as coisas tomaram outros rumos, Selma já uma baiana de primeira, Fernandinho na escola Seu Joaquim no caixa e eu e mais dois garçons atendendo. A essa altura Dona Das Dores, já ficava em casa, preparando as massas do dia seguinte. O fato é que, com esse desenvolvimento nosso, hoje, vinte cinco anos depois, Temos nosso lindo apartamento na Barra, bem próximo ao nosso ponto do porto, quatro filiais em praias diferentes, Carros para entregas e compras, atendimentos por delivery, e um renda invejável. Fernando está nesse momento fazendo um curso em Lisboa, temos mais dois filhos, que são Juliana que é enfermeira e Adriana que é assistente social, ambas bem empregadas e felizes!

O que é importante eu salientar, é que, graças im começo difícil, que fui perceber que ser empreendedor faz com que vençamos muitos obstáculos. Eu jamais na minha vida imaginei progredir tanto, constituir uma família, formar meus filhos vendendo acarajés e abarás. Por pouco eu não continuei sendo empregado comercial, que apenas me dava um modesto pão de cada dia. Aprendi que jamais devemos deixar de aproveitar. qualquer oportunidade que chega em nossa frente. Nada custa tentar, pois, somente tentando é que sabemos se nos adaptamos, se é rendosa ou se vale a pena. Se não for nenhuma dessas coisas, serviu de ensinamento, experiência, e aí partimos para outra, que apareça, pois, muitas vezes uma dessas que lhe parece absurda, é a que lhe dará um bom futuro!

Procure ser uma pessoa empreendedora, lute pelos seus objetivos, não se acomode com empregos, a não ser os concursados, mesmo assim os federais que lhe proporcionam salários mais dignos e segurança. Procure com um empreendimento qualquer, ser no futuro um comerciante ou um industrial. Se você olhar em sua volta, todos aqueles que são considerados vencedores, foram porque tiveram coragem de lutar sem medo e conseguir realizar seus planos, projetos e sonhos!

“Nunca tenha medo do futuro, pois, você é que o construirá, e se souber ele será maravilhoso!”

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

A PUREZA HUMANA AINDA EXISTE!

Antonio Nunes de Souza*        

Pode parecer que estou dizendo uma grande tolice, mas, por incrível que pareça, ainda existem pessoas que, na maior inocência e pureza, acreditam que em breve, com seus trabalhos e dedicações, o mundo vai se tornar uma maravilha, com todos felizes nas escolas, faculdades, hospitais, moradias, seguranças, alimentações e, socialmente, a inexistência de preconceitos, quer sejam sexuais, raciais como religiosos. Um mundo descrito pelos sonhadores poetas, que nos seus íntimos, sabem que estão dizendo em seus lindos versos, umas balelas irreais, que jamais acontecerão!

E o curioso detalhe dessa minha confirmação, é que embora sabendo dessa impossível possibilidade, imaginava que os que pensavam dessa infantil forma, fossem pessoas de poucas escolaridades, fanáticos religiosos que acreditam em milagres, e um modesto grupo de ministros religiosos (a maioria são desonestos e enganadores), que esperam a volta de Jesus, o conserto geral no mundo e a ida gloriosa para o paraíso. Mas, no decorrer desse meu engano, fui perceber que, infelizmente, temos uma gama de pessoas qualificadas, providos de cultura e educação privilegiadas, que também acreditam nessa mutação para melhor, como no longicuo passado. Lógico que seria uma verdadeira maravilha para todos, e creio que é assim que quase todos pensam, porém, pelo andar da carruagem, tudo tende a piorar mais ainda o comportamental humano, vendo-se, vertiginosamente, os descalabros aumentarem cotidianamente e, tristemente, os humanos trabalhando, seguindo ordens e orientações de robôs, numa demonstração clara e cheias de evidências, que somos menos competentes que as máquinas que nós mesmo fabricamos!

Não podemos nos considerar donos da verdade, imaginando que nossas premonições sejam as corretas, porém, tudo sinaliza que sim. E digo sinceramente, que ficaria feliz, se essas pessoas cheias de esperanças estivessem certas, e acontecesse essa radical mudança de lama podre para uma água límpida, ou até um delicioso vinho para as comemorações!

Vamos dar tempo ao tempo que, com certeza, sabiamente, ele nos mostrará quem está com a razão!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!


quarta-feira, 5 de junho de 2024

EU NÃO TENHO NENHUM PROBLEMA!

Antonio Nunes de Souza*

A pessoa que disser semelhante frase, seguramente, é um grande mentiroso, pois, com certeza absoluta, essa é a única regra geral que não tem nenhuma exceção. No máximo, apenas você pode ainda não ter conhecimento, mas, os problemas nos acompanham por toda vida, parecendo que foram criados para nos sacanear eternamente!

Imagino que somente depois de morto, poderemos dizer que não temos mais problemas, mas, sinceramente, nunca vi morto reclamar de problemas, ou outra coisa qualquer. Imagino, que nem a preocupação de o levarem até a sepultura ele não tem, pois, se não levarem, ele apodrecerá e distribuirá um tremendo mal cheiro e mal estar super desagradável!

Hoje mesmo, acordei bastante alegre, sorrindo, feliz, contente, celebrando a vida que vivencio, sem um puto no banco, mas, com as contas todas pagas, dando-me um descanso que poucos brasileiros tem. Aí, quando entrei no meu closet e abri meu guarda roupa para me vestir para dar uma volta pela cidade, as prateleiras se despencam, as roupas todas mofadas, molhadas e bolorentas, caíram por cima de mim. Tomei um grande susto e, ao mesmo tempo, com a maior raiva, vi que a merda era antiga, a prateleira de madeira aglomerada estava podre, como eu pouco saio, essa parte do grande guarda roupa eu pouco abro. Esse fato de merda, apareceu para me irritar, tirando meu sorriso dos lábios, a vontade de sair, e, logicamente, ter que chamar alguém para a limpeza e consertar os defeitos causadores, que devem vir do apartamento acima do meu. No decorrer do dia, vou ficar menos eufórico, pois, certamente, não só me sacanearei com o conserto e gastos, como também, ficar ciente que viver sem problemas é uma doce ilusão, que só conseguimos, quando deixamos de respirar.

Por essas e outras bem piores, procure viver bem a sua vida, mesmo cheia de problemas, pois, com certeza, é bem melhor que morrer, cheio de ilusões, e não acontecer nada que você esperou durante toda sua vida!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!


OS CHULOS QUE SE TRANSFORMARAM EM CLÁSSICOS!

Antonio Nunes de Souza*        

Desde minha infância, que vejo e ouço os mais velhos se manifestarem com rigorosidades, quando alguém empregava um nome considerado “feio”. Lembro-me, muito puto da vida, que com sete anos, estava na mesa almoçando, e ouvimos uma gritalhada na rua. Eu curioso, levantei e fui na janela ver o que era, aí um homem falou para outro, que estava tendo “porrada” no bar. Eu voltei, aí me perguntaram: O que é que está havendo?

E eu, inocentemente, disse: É porrada!

Aí, mais que depressa, meu avô me tacou a mão na boca, dizendo: Seu moleque, se respeite!

E eu, sem saber nem o que significava, tornei a repetir: É verdade, sim, o homem falou alto que é porrada. Aí, injustamente, tomei outro tapa na cabeça, mandado sair da mesa, e meu avô dizendo: Não sei onde esse menino aprendeu a xingar tantos nomes feios. Depois de anos é que cheguei a saber, porque tinha apanhado. Apenas por uma palavra derivada de “porra”, que significa pancada, que era dada por uma antiga arma de ferro, usada nas guerras, com esse curioso e estranho nome. Atualmente essa palavra é ridícula, usada até nas salas de aula pelas professoras!

O fato real é que, com a liberdade de expressão, que até “fake News” tem um enorme espaço nas redes, muitos desses nomes, passaram a ser considerados, advérbios quantitativos e qualitativos, no sentido de dar maiores ênfases nas colocações verbais, quando nos referimos a intensidade de um fato que estamos narrando!

Para não me alongar muito, pois, esse assunto é de uma vastidão imensa, vou me ater apenas, as referências ao ato desagradável cruel, denominado de azar!

Quando o indivíduo dá um simples azar, é uma besteirinha qualquer que ocorreu, porém, se acorreu algum problema, passa a ser um azar retado, aí, se houve prejuízos e ferimentos, claro que passou a ser um azar da porra, no entanto, por ironia do destino, aconteça óbito de algum dos participantes, torna-se, imediatamente, em um azar do caralho. E quando o azar é enquadrado em todas essas partes, lógico que passa a ser denominado de um azar filho da puta, que fodeu com meio mundo, mandando todos para a casa do caralho. Vejam vocês, que apenas estamos querendo, minuciosamente e com detalhes, dizer e informar a gravidade do fato!

Porém, curiosamente, e para provar que essas adjetivações transformadas em advérbios, são quantitativos e qualitativos, que, com relação a sorte, você, literalmente, para ser também detalhista, usará, exatamente, os mesmos: Sorte, sorte retada, sorte da porra, etc., etc, etc., sendo que essas colocações atualmente, são mais aceitas, sem aquelas entortadas de nariz do passado, nem as idiotas e tolas condenações do presente!

Uma palavra que no meu tempo significava “putaria”, hoje, “sacanagem”, passou a ser, simplesmente, brincadeira, gozação, etc., usada até pelas freiras, padres e pastores nas suas liturgias!

Tudo isso me deixa feliz, pois, assim sendo, as máscaras de hipocrisias sociais vão caindo progressivamente, tendo que encarar uma realidade claríssima no mundo atual, e que não existem palavras feias, feias são as faltas de solidariedades humanas e os brutais preconceitos étnicos e sociais!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!    


segunda-feira, 3 de junho de 2024

ESTAMOS VIVENDO NUM MOMENTO DE INCERTEZAS!

Antonio Nunes de Souza*        

Chegamos ao triste ponto, que acordamos todos os dias cheios de incertezas, passivos dos maiores absurdos, através de acidentes climáticos, crimes bárbaros, sequestros, infartos fulminantes, atropelos, pragas e epidemias de doenças contagiosas, além de guerras que, diariamente, os maiores países com poderios bélicos, se ameaçam, nos deixando cagando de medo, já que se houver uma guerra nuclear, não sobrará ninguém para contar a história, e talvez por essa razão, ainda não começou, mas, com uns loucos fanatizados nos governos, as possibilidades não são remotas, já que a qualquer hora, um deles, na calada da noite, solte suas poderosas bombas contra seus pseudos inimigos, começando o início de um final triste e grotesco da nossa querida terra!

Como podemos dizer que estamos vivendo, se estamos tensos em todos nossos mais simples momentos?

Como podemos ter o pensamento idiota que estamos progredindo, se estamos nos destruindo com nossos próprios comportamentos?

Pelo visto e pela lógica, quem devem estar um pouco mais tranquilo são os religiosos, já que se morrerem, em função de qualquer uma dessas “normais” possibilidades, irão tranquilamente para a terra prometida, e ficarão numa boa, de lá de cima, somente olhando o estrago. Mas, e os pobres dos ateus, que fim terão? Será o inferno? Purgatório? Ou somente devorado pelos micróbios dentro de suas sepulturas?

Até essas simples perguntas, temos as máximas incertezas, já que atualmente, com as fake news e as respostas da Inteligência Artificial, tudo passou a ser um mar de incertezas, nos deixando sem saber em quem acreditar!

Em princípio culpa-se a ignorância do povo, falta de escolaridade, etc., porém, todas essas merdas são provocadas pelos poderosos que comandam os países, e esses poderosos são frutos das votações maciças do povo, repetindo sempre com os mesmos canalhas, que saem como péssimos e corruptos, voltando como heróis e salvadores. Leis, como a do país mais poderoso da terra, que, uma pessoa condenada, presa, comprovados seus crimes, etc., continua podendo se candidatar a presidente da república e governar de dentro da prisão. Isso jamais poderia existir em qualquer país do mundo, por mais corrupto que seja. Esse comportamento é uma afronta e falta de respeito ao seu povo. Mas, “manda quem pode, e obedece quem tem juízo!”

Aqui nós acatamos (metade da população), um canalha fascista, que tentou várias vezes dar golpe militar, implantar ditadura e, absurdamente, solto, contando bravatas, fazendo políticas e sendo líder absoluto de uma direita cega e nada brasileira. Parece que não sabem que ditadura não presta nem da direita, nem da esquerda, que todas são uma merda só para o país e para seu povo. Por outro lado, um partido que saqueou barbaramente a nação, tem seu maior ídolo como presidente, mesmo depois de ser chamado de ladrão por sete anos seguidos. Vale dizer que, todos que eram e foram considerados como ladrões (pertencentes a 23 partidos diversos), estão soltos e tranquilos, prontos para voltar aos seus antigos cargos de deputados, senadores e ministros!

Vou fechar, repetindo mais um grosseiro absurdo, de termos rigorosamente presos em presídios altamente bem construídos, os maiores chefões de facções de traficantes e bandidagens em geral, comandando todos tipos de crimes que são praticados no país. E isso acontece há dezenas de anos!

Com todas essas coisas, como podemos viver sem estar cheios de incertezas?

Como diz o povo: “É foda, mermão!”   

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

 


domingo, 2 de junho de 2024

MEU INESQUECÍVEL DIA DOS NAMORADOS!

 

Antonio Nunes de Souza*        

Logo cedo, como sempre faço, sentei-me em frente do meu companheiro computador, imaginando o que iria escrever. Mas, anormalmente, nada me veio à cabeça em termos de inventividade. Porém, quando olhei o calendário, lembrei-me que estamos pertinho do dia dos namorados e, como jamais esqueci, veio à mente, esse acontecido dia em 2022, que marcou, profundamente, em minha vida, valendo a pena reconta-lo!

Acordei já eufórico, uma vez que comecei essa semana a namorar com Virginia, uma mulher gatíssima, que eu vinha vislumbrando há bastante tempo e, somente agora, ela me deu um “mole’ em aceitar minhas eventuais investidas!

Já saímos algumas vezes, muitos beijos e esfregações, carícias e dengos, mas, espertamente, vinha me segurando para o bote final, numa ocasião mais propícia e, com certeza, ontem, com a comemoração dessa data, era um dia mais que especial, para depois de uma saída divertida, com um bom perfume como presente, poderíamos terminar a noite numa maravilhosa e confortável cama!

Liguei para ela dando um bom dia cheio de meiguice, bem meloso e característico de quem está apaixonado, recebendo em resposta uns gostosos beijos nos lugares que eu desejasse.  Não nego que fiquei logo excitado imaginando meus lugares preferidos, presumindo uma noite daquelas que Cleópatra tinha com Marco Antonio, logicamente: enlouquecedora e inesquecível!

Preferimos ficar o dia todo a vontade, para fazermos nossos afazeres normais, e nos encontrar a noite para jantar num restaurante de luxo, que eu já havia reservado uma mesa, depois, uma ida a uma danceteria, alguns drinks, danças com rostinhos colados e, quando o clima estivesse no ponto, iríamos para um motel de classe, e selaríamos o nosso “dia nos namorados” gostosamente acasalados!

Tudo aconteceu exatamente como pensei, porém, até certo ponto, pois: Saímos, jantamos, fomos para uma danceteria que estava “bombando” no momento, rodopiamos na pista e até rebolamos no Funk, tomamos vinhos e drinks diversos, Virginia eufórica e excitada, nem se incomodou, quando sem falar nada, eu me dirigi e entrei com o carro em um tremendo motel!

Pedi a chave da suíte presidencial, Virgínia sorriu e perguntou em meu ouvido: Você é presidente Lula ou Bolsonaro? Rs rs rs

Dei uma risada e disse: Sou Lula minha querida!

Entrei no box, parei o carro, saltamos e entramos na tal suíte presidencial, que era lindíssima, teto todo espelhado, piscina térmica, músicas de clássica a sertaneja, cama redonda com sistema giratório, sanitário todo em mármore com uma banheira de hidromassagem, frigobar com todos tipos de bebidas, em cima da mesa vários tipos de chocolates e guloseimas e, na mesa central, um balde cheio de gelo com uma champanhe francesa e duas taças de cristal. As paredes todas forradas com cortinas de seda e pingentes gregos pendurados. Ficamos os dois de boca aberta e abismados. Ela pela suntuosidade que talvez nunca tenha visto, e eu pensando na conta que teria que me lascar para pagar o cartão de crédito depois!

Mas, para uma boa transa com Virgínia, qualquer sacrifício valeria a pena. E, para não perder tempo, mudei o som clássico da sinfonia de Chopim, colocando uma sofrência bem amorosa, e peguei Virgínia nos braços e começamos a dançar. E, ao tempo que íamos dando os passos, um ia tirando a roupa do outro, como se fosse uma Strip-tease dublê, numa cadência bem romântica e sexy. Com alguns minutos, já estávamos os dois completamente nus, Virgínia com um corpo exuberante, seios lindos, duros e empinados, uma barriga inexistente, pernas torneadíssimas e uma bunda linda, firme e sedutoramente arredondada!

E foi aí que aconteceu o desastre: Fiquei tão embevecido e deslumbrado que, absurdamente, minha tesão sumiu completamente. Notei que enquanto estávamos dançando meu membro estava super rígido, e Virgínia se esfregava com a maior volúpia, me deixando enlouquecido. Mas, quando nos separamos que pude vê-la completamente nua, uma estátua grega deslumbrante, toda minha masculinidade foi para o brejo. Disfarcei um pouco, fui ao sanitário, lá tentei me masturbar para ver se haveria uma reação, mas, nada acontecia. A merda estava mais mole que pudim!

Voltei e me deitei na cama, na esperança que me esfregando novamente com ela a tesão pudesse voltar, pois, tinha apenas trinta e oito anos, e isso nunca me aconteceu. Deitamos, Virgínia subiu em mim e começou a me beijar na testa, foi descendo para minha boca, queixo, peito, umbigo e, carinhosamente, pegou aquela merda mole e colocou na boca enchendo de carícias linguais, e eu suando pra zorra, mesmo com o frio e o ar condicionado, com uma tremenda e puta vergonha do que estava acontecendo!

Virgínia, logicamente, percebeu a merda que seria a sua também esperada noite e, levantando-se puta da vida, disse sorrindo para minha cara: “Você disse que era presidente Lula e quando chega na cama, na hora de trabalhar, procede como Bolsonaro, que esbraveja e não faz porra nenhuma. Vista sua roupa e vamos embora!”

-Me desculpe querida! Nunca me aconteceu uma coisa dessa comigo. Deve ter sido as emoções!

-E você é Roberto Carlos para ter tantas emoções?

-Gostaria que você me desse uma nova chance!

-Que nada meu filho. Você já teve sua chance, e não soube ser o homem que eu esperava. Vamos para o carro e me leve para casa. Disse ela já se vestindo!

Saímos calados e assim nos conservamos por todo caminho, eu, logicamente, puto e envergonhado. Deixei-a em casa, nem um beijinho no rosto me deu de despedida, fui para meu apartamento puto da vida, não consegui dormir durante todo resto da noite, esperando dar oito horas, para ir ao consultório de um amigo que é psicanalista, para saber a razão dessa tragédia. Fui fazer as contas das despesas, que com perfume, jantar, danceteria e motel deu a bagatela de quase dois mil reais. Pensei que ia transar e terminei transado e no prejuízo financeiro!

Tenho visto Virgínia de longe em alguns lugares, já que moramos perto, porém, apenas nos cumprimentamos. Mas, estou querendo convida-la esse ano para sairmos no próximo dia dos namorados, para me redimir do vexame que passei, porém, juro que estou com medo não só dela dizer que não, como também dela aceitar e a merda se repetir. Uma dúvida terrível na cabeça!

Como tenho dez dias pela frente, vou pensar direito esse assunto, antes de me arriscar!

Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

sábado, 1 de junho de 2024

ENTRAMOS HOJE NO MÊS DO FORRÓ!

 

Antonio Nunes de Souza*

Primeiro de junho, mês da alegria, festas, músicas e rezas diárias, namoros, esfregações e sacanagens, comilanças, licores e bebidas outras. Todos os ingredientes necessários para que tenhamos noites agradáveis, inesquecíveis e prazerosas. Do altar de Santo Antonio depois de rezar a novena durante os nove dias, passando por essas artimanhas citadas, as idas para uma cama dar uma ótima transada é “daqui pra ali”, de um pulinho só!

Por mais que você procure, não tem dança mais excitante que o forró, uma vez que, quem inteligentemente inventou, ensinou logo as mulheres que eles deveriam, além de mexer bem, esfregar a xoxota em nossas coxas e no dito cujo, de modo que, ambas as partes sexuais fiquem bem acolhidas, endurecidas e molhadas, sem que estivéssemos fazendo nada em excesso, apenas, acompanhando os movimentos e os sonos das sanfonas, pandeiros, triângulos e zabumbas!

Seguindo essas regras cheias de inocentes malícias, podemos dizer que, seguramente, a putaria está completa e de uma maneira, totalmente respeitosa, já que todos estão seguindo as regras ditadas pela dança típica, que poderia ser também chamada de “te pica”, pois, esse modesto instrumento é bastante utilizado e indispensável para as realizações juninas!

Sem nenhum medo de errar, tenho certeza que, mesmo com aquelas gadanhadas todas, rolagens pelo chão, agarramentos, bebidas, nudez e drogas, no Funk fode-se muito menos que nas nossas noitadas juninas, que, conscientemente, começamos com nossos gostosos licores, beijos e abraços de amores, terminando com orgasmos e sabores!

Não posso deixar de dizer que, no meio das pulações de fogueiras, brincando de comadre e compadre, comendo milhos cozidos e pamonhas, fiz altas sacanagens pelos cantos, nos carros e motéis durante esse mês santificado e pecaminoso, que satisfaz quem não é idiota e sabe aproveitar a vida!

Recebo meu querido junho de braços abertos, não mais com as ferocidades do passado, já que minha idade não mais permite, porém, ao ver alguns casais dançando, lembro-me dos meus velhos e bons tempos, ficando ainda assanhado “meia boca”, morrendo de saudades da minha juventude querida, que os anos não trazem mais. Porém, ao mesmo tempo fico cheio de alegria, quando relembro que já fui muito bom em tudo isso!

Viva Santo Antonio, São João e São Pedro!                     

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!