terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A justiça tarda, mas não falha!

                                               Antonio Nunes de Souza*
Finalmente, depois de centenas de denúncias pela mídia investigativa, políticos da oposição, insatisfação e revolta popular sobre os desmandos que estavam ocorrendo na câmara de vereadores, a justiça começou a agir de uma maneira correta e séria, no sentido de desvendar com provas todos os fatos e, certamente, punir severamente os culpados, fazendo com que paguem pelos seus crimes, restituam todas as quantias desviadas, cumpram prisões e sirvam de exemplos para outros que estão se beneficiando utilizando esse comportamento condenável de corrupção e desvios de verbas públicas.
Mesmo desfrutando da alegria de ver as ações judiciais, não podemos deixar de lamentar algumas benesses que a lei proporciona para os políticos (principalmente os processados por denúncias de corrupções), com relação ao recebimento dos seus salários e proventos, mesmo durante os seus afastamentos durante os andamentos dos processos, quando o mais justo deveria ser a suspensão de pagamentos e, quando fossem encerrados os processos, caso fossem provadas suas inocências, eles receberiam seus proventos referentes aos períodos. Mas, enquanto não tivermos uma reforma e atualização dos nossos códigos penais (cheio de evasivas e benevolências), estaremos passivos de ver com tristeza, que os políticos e algumas classes são privilegiadíssimos com relação ao cumprimento de penas. Bem diferente do pobre cidadão comum!
Esperamos que essas recentes ações sejam apenas o início na área legislativa e, dentro de uma brevidade, possamos acompanhar esse mesmo procedimento junto a vertente administrativa que, segundo consta, têm muitas coisas bem mais complicadas para esclarecer ao povo.
Vale dizer que estamos mais tristes que alegres em nossos íntimos, por estarmos acompanhando esses fatos, pois, na verdade, nada disso deveria estar acontecendo se houvesse um maior compromisso, respeito e honestidade dos políticos eleitos cumprindo suas promessas e provando suas cidadanias!
*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)



sábado, 28 de janeiro de 2012

Carnaval se aproxima!

                                                Antonio Nunes de Souza*

Aproxima-se o carnaval e ele está totalmente louco de alegria. Seus pais irão para a Ilha passar quinze dias, ficando o AP livre para curtir a maior parada, sem limitações de ações e prazeres mundanos.
-Roberto, prepare a rola brother! Os velhos vão pra ilha e só vai dar a gente aqui em casa. Com esse calor da porra, quero tomar bando de xoxota de manhã, de tarde e de noite. Há! Há! Há! Há!
-Verdade, Marcelo?
-Duvida não, bicho! Tá tudo mais cor de rosa do que cu de albino!
-Pô cara, vou juntar meus paninhos de bunda e me mudar praí assim que os velhos partirem.
-Então arruma logo, pois eles vão hoje à tarde.  Inclusive eu vou levá-los lá e volto com o carro que vai ficar comigo, tanque cheio e as porras mais.
-Valeu brother! Ao cair da noite eu bato aí de mala e cuia.
Roberto desligou o telefone, foi para mesa almoçar com os pais e em seguida, dirigiu-se ao ferry levando os coroas para a casa de veraneio. No caminho seu pai ia fazendo as recomendações, principalmente com relação ao carro e a casa.
-Fique frio velho! Vai ser tudo beleza! Podem curtir os ares marinhos que nada acontecerá. Depois que entrei na faculdade, meus pensamentos só apontam o futuro. Aquele papo de jacaré que “o futuro a Deus pertence”, não me confunde mais. Com a ajuda Dele eu é que construo minha vida.
-Como fico feliz em ver que você está ajuizado. Falou a mãe, dando-lhe um beijinho no pescoço.
Dezenove horas Roberto já estava em casa à espera de Marcelo que, minutos depois, tocava a sirene do AP.
-Entra meu rei! Você está chegando ao paraíso, só faltam as meninas Evas pra gente encher o cu de maçãs! Assim Marcelo foi recebido pelo amigo.
-Velho, vai ser o maior carnaval da minha vida. Casa, carro, liberdade, grana e muita xoxota! Eu não mereço tanto, Há! Há! Há! Há! Há!
Isso aconteceu na quinta-feira, dia que oficialmente inicia o carnaval baiano (digo oficialmente porque carnaval na Bahia na verdade começa em primeiro de janeiro e só acaba em 31 de dezembro). Rei Momo recebe a chave da cidade no Campo Grande e o desfile dos trios segue até Sé e rompe a madrugada adentro.
As paradas momescas foram as mais deliciosas possíveis, tudo dentro do esperado. Turistas e baianas todas loucas e liberadas para as maiores porralouquices em nome da liberdade e em defesa do movimento das “vadias”. Para os homens isso é a sopa no mel, pois, elas se orgulham de dar a vontade e eles de comer a gosto. Uma permuta de prazeres que, se algo der errado por algum vacilo, uns ganharão umas DSTs e outras umas produções independentes. E, em breve, perceberão as merdas que fizeram e quanto atrapalharão as suas vidas!
Como o carnaval está chegando novamente, juízo terá quem se cuidar, tomar precauções, não olhar o carnaval como uma festa para se sair comendo e dando adoidado, beijando cachorros e gatos como se sua boca fosse um esgoto, ser inteligente qualificando seus relacionamentos, não escolher ou acatar entre os que mexem mais as bundas ou são saradinhos de verão!
Não precisa que vocês sejam santos, mas, também não precisa que se transformem em verdadeiros demônios!
*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Itabuna, ou navio Costa da Concórdia?

                                                   Antonio Nunes de Souza*
Os desastres e tragédias que ocorrem por esse mundo nos deixam intranqüilos e preocupados com os resultados, pois atingem sem dó ou piedade, o pobre povo que, inocentemente, confia ou confiou em pessoas que não merecem e jamais mereceram ocupar cargos de altas responsabilidades (profissionais, políticos administrativos e legislativos) perante uma sociedade.
Vendo e ouvindo a massificação da mídia mundial com relação ao desastre do enorme e luxuoso navio “Costa Concórdia”, condenando com veemência a atitude descabida e irresponsável do capitão que, procedendo de uma maneira totalmente fora das normas internacionais, enquanto o navio aproximava-se perigosamente da costa, ele tomava um bom vinho e dançava com uma loura em sua cabine/camarote, provavelmente, numa prévia das suas costumeiras aventuras amorosas, deixando o barco correr solto a deriva, ao prazer da tripulação, talvez já habituada com esse vil e torpe procedimento em viagens anteriores desse desastrado capitão, que, pela sorte, era no passado apenas o imediato e substituía o titular eventualmente.
Então, fazendo uma analogia com relação ao nosso município de Itabuna, podemos comparar o nosso navio como a “Nau dos condenados”, onde o pobre povo está entregue ao capitão Azevedo que, sem a habilidade marítima, escolheu uma tripulação de marinheiros de primeiras viagens, outros gananciosos fazendo grandes pescarias em benefícios próprios, nos presenteando como conseqüências uma saúde precária, uma assistência médica insólita e ineficaz, ruas com mais buracos que o casco do navio sinistrado, restaurante popular fechado, a vergonha da grotesca reforma da cinqüentenário, as distribuições de cargos criados para agradar os parceiros políticos (preenchidos por pessoas de duvidosas morais). E, pior que tudo isso, é que com mais de dois anos de administração (?) ou navegação, ninguém sabe ao certo quem é que, verdadeiramente, é o comandante do nosso barco que, singrado sem rumo já teve apontado nesse período mais de meia dúzia manda chuvas.
Infelizmente, a comparação é bem fundamentada, sendo pior ainda que, na nossa “canoa furada”, ainda temos a dengue, violência, trânsito insuportável, manipulação da câmara, licitações duvidosas, numa demonstração de deboche e falta de respeito para com o povo. E, segundo os noticiários, nosso capitão também é chegado a um bom vinho e amores clandestinos tanto na terra como no mar (quanta semelhança, meu Deus).
Só nos resta agora esperar que o ministério público aperte essa tripulação perigosa, antes que ocorram tragédias maiores do que as que estão ocorrendo e, importante será, mostrar ao povo com clareza e, obviamente, provas, como foram e estão sendo enganados, tirando de vez a possibilidade de uma reeleição de pessoas que não têm compromissos com a comunidade!
*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As tecnologias e seus modismos!

                                                Antonio Nunes de Souza*
Sinceramente, nunca fui um simpatizante das cirurgias plásticas mamárias, quando se tratava apenas de aumentar as dimensões, principalmente para acompanhar o exagerado modismo norte americano.
Aprendi a admirar os lindos peitinhos com formatos de peras, apontando para os nossos olhos com suas tetas negras, cor de rosa ou marrons que, com as menores excitações, tornavam-se enrijecidas e sedutoras, sinalizando que seus desejos estavam fluindo para uma continuidade de carícias e satisfações recíprocas. Pequenos ou medianos cabiam em nossas bocas, nos fazendo voltar a uma infância muito tempo passada, que naquele momento somente espelhava uma malícia adulta de saciar a fome do sexo.
Eram momentos maravilhosos e inesquecíveis, mesmo quando nos deparávamos com seios mais avantajados, denominados nos meios masculinos como “queijo cuia”, que, mesmo com tamanho acima da média, jamais chegavam perto das jacas e melancias cultuadas pelos americanos. E, suas texturas, mantinham uma originalidade cheia de sensualidade, que não deixavam de seduzir acomodando nossos rostos entre eles, massageando e fazendo carícias que aumentava os prazeres.
Nessa deliciosa época, o modismo dos “grandes peitos” era execrado não só pelos homens como pelas mulheres latinos americanos. Mas, como crescemos e nos desenvolvemos seguido à risca as culturas impostas pelos Estados Unidos, foram sendo infiltradas, gradativamente, as tais cirurgias de aplicação de silicone, graças enxurradas de filmes, onde as atrizes exibiam verdadeiras fábricas de laticínios ambulantes!
Aí, estamos vendo agora uma séria ameaça de graves problemas, graças às matérias primas que nos foram enviadas, como sempre os países do primeiro mundo fazem com os emergentes, nos entupindo com seus refugos e materiais de uma classe desclassificada. No caso, silicone industrial em lugar de orgânico, deixando o mundo feminino em polvorosa agonia e preocupação com os eminentes perigos.
Antes, como ainda hoje acontece, podemos aprovar a minimização das glândulas mamárias, quando muito pesadas e desproporcionais, provocam desvios nas colunas, causando sofrimentos incalculáveis. Mas, colocar próteses para enganar os incautos usando decotes que deixam transparecer que os peitos vão voar em nossa cara e dar dois socos que nos levará a nocaute, sinceramente, jamais estaremos de acordo!
Portanto, tenham cuidados com as novas tecnologias e modernagens, pois, além dos materiais serem desclassificados, vocês ainda estão passivas de médicos que não tenham a qualificação exigida para tais fins, dando-lhes segurança e tranqüilidade!
Nada de cirurgias “no peito e na raça”! O importante é cultivar e cuidar do que Deus lhe deu, pois existe gosto para todas as medidas e tamanhos, sem precisar de artificialidades!
*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Nossa mente!

Antonio N. de  Souza*                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

Mente confusa, mente obtusa

Com pensamentos estranhos,
Sem dimensões nem tamanhos,
Cria palavras, motivos e sonhos,
As vezes alegres, as vezes  tristonhos,
Fugindo do real.

Palavras e fatos flutuam na mente,
Confundindo a verdade de todos planos,
Naufragados nos mares da desilusão.
Provoca desenganos, procura culpados,
Na mente que mente e não tem razão.

Se essa mente fosse mais decente,
Veria contente o caminho das soluções,
Pois, ninguém é culpado, nem pode ser condenado,
Por suas eventuais frustrações.
Devemos usar nossa mente,
Para agir simplesmente,
Procurando dentro dela, uma passarela
Para trilhar o melhor caminho.
Pois, uma mente com mágoas constantes,
Palavras e pensamentos distantes,
Nunca encontrará o seu doce ninho.

*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)









Minha alegria!

                               Antonio Nunes de Souza*

Você é meu dengo, minha alegria,

Doce imagem de todo meu dia,
Meu desejo de toda hora.
Você com seu corpo modelado,
E seu jeitinho tão delicado,
Fez-me esquecer os amores de outrora.

Você é parte da minha vida,
Que jamais será esquecida,
Pelo carinho que sinto no peito.
Você é a mulher que um dia desejo,
Com seu corpo fazer festejo,
Abraçado em um leito.

Você mesmo sem querer,
Termina fazendo-me sofrer,
Por não ter o seu carinho.
Mas, um dia tenho certeza,
Vamos jogar com clareza,
E nos amarmos em um ninho.

Sem preconceitos, nem diferenças,
Não ligará as maledicências,
Seguirá o impulso da sua vontade.
E depois de amarmos bastante,
Brindaremos por um instante,
Nosso momento de liberdade!

*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Meu revellion do ano passado!

                                                      Antonio Nunes de Souza*
Desse fim de ano não passa!
Fiquei feito uma tola escolhendo a vida toda um príncipe encantado, guardando minha castidade somente para ele e, resultado, todas as minhas amigas e colegas de colégios, casaram, tiveram filhos produções independentes, outras se separaram e recasaram, uma grande maioria faz biscates semanais, e eu, como uma idiota, nunca senti o prazer de uma boa transada, sendo inclusive ridicularizada pela minha imbecil atitude. Mas, nesse fim de ano, vou fazer tudo que tenho direito e descontar o castigo que dei a minha coitada e solitária “perseguida”.
Imagine vocês, estou com trinta e dois anos, já era para ter em meu currículo pelo menos uns vinte caras, centenas de orgasmos e, se não fosse minhas bolinações pessoais, meus eventuais sonhos eróticos, não teria nem a idéia do que seria essa sensação descrita por todos como o apogeu do prazer. E não é que essa merda até em sonho ou manipulado é gostoso?
Pelas confidências das minhas amigas o bom mesmo era com um cara nos beijando, agarrando, sugando, mordendo, por cima, por baixo, de lado, de costas, etc., que para mim, mais parecia uma luta de judô no tatame  que uma relação sexual. Eu imaginava logo que, além de entrar com a xoxota, ainda teria que ter uma resistência física para enfrentar essa tal transa, que mais parecia uma briga de rua. Na minha idiota pureza, imaginava que a posição papai/mamãe era satisfatória para se chegar ao ápice.
-Que nada, Mirelle! Papai/mamãe hoje nem as meninas de quinze anos querem mais. A coisa vai de boquete a anal com abundantes variações que terminavam em 69, mas, agora com o funk e o arrocha vai até 100 fácil, fácil. O que precisa é ter ao seu lado a pessoa certa, pois tem essa meninada sarada que bebe, bebe e chega à cama se transforma em um DVD=Deita, Vira e Dorme. Ou então ficam exibindo os braços parecendo duas toras de jequitibá, o peitoral duro como se fosse esculpido em mármore e a rola mole como se fosse uma esponja de lavar prato.
-Pensei que fosse mais fácil e esses caras de academias eram os maiores rufiões do mundo.
-Nada minha filha! Homem fortão cheio de músculos é bom quando a gente vai fazer mudança. Carregam uma geladeira e um armário com uma facilidade danada. Na cama são uns babacas narcisistas.
-Pode ter certeza Lucienne, que eu vou escolher um cara legal e vou mandar ver seguindo suas instruções e todas aquelas loucuras que vejo nos filmes de sacanagens, que pensava tratar-se de loucas fantasias. Quando eu era menina li uma frase que marcou em minha vida: “Não há maior prazer do que dançar”. Por isso é que gosto tanto de dançar.
-Pois, quem essa asneira escreveu, vê-se logo que nunca fodeu!
-Há! Há! Há! Você é doida mesmo! Mas, amanhã no nosso revellion na praia, quando estiverem soltando os fogos eu estarei soltando a xoxota para iniciar o ano sendo uma mulher de verdade.
Noite do dia 31, todos se preparando para seguir para a praia onde seriam os festejos e as oferendas para Yemanjá, eu ainda pensei brincando e sorrindo: Não vou comprar nem perfumes, nem espelhos para ela. Vou dar de presente é o meu velho e enferrujado cabaço.
Entramos no carro de Mirelle, eu e mais duas amigas e seguimos para a Cabana Sonhos de Verão, local que seria a base de toda nossa festança.
Ainda eram 22 horas quando chegamos, pois preferimos ir mais cedo, uma vez que o trânsito sempre congestiona na avenida da praia, como também, estávamos sozinhas e seria importante chegarmos cedo para nos “arrumarmos” para uma noitada inesquecível. Sentamos em uma mesa bem localizada e começamos a beber alguma coisa ao som do DJ que mandava ver, por enquanto, músicas românticas e pop para ir dando clima ao ambiente.
Por incrível que pareça, com meia hora a cabana já estava lotada e, ao lado de nossa mesa, sentou-se um casal e mais dois caras com boas aparências, idade entre 30 a 40 anos e, melhor ainda, sem alianças nos dedos, sendo um bom sinal de que eram livres e desimpedidos. Eu, como não queria perder tempo, comecei a soltar sorrisinhos para o mais alto e mais bonito, demonstrando que estava interessada em alguma coisa. Meus sorrisos eram correspondidos e, minutos depois, ele virou-se para mim e chamou-me para dançar.
Nem titubeei. De um salto, o abracei e começamos a dançar “Emoções” de Roberto Carlos, canção digna para se iniciar uma esfregação no salão, dando a entender que no fim iria dar samba.
-Meu nome é Raul e o seu?
-Mirelle. Você é daqui de Ilhéus?
-Não sou de Porto Alegre e estou a negócios. Algumas coisas que deveria fazer atrasaram e tive que ficar aqui para passar as festas.
-E você é de onde?
-Sou de Itabuna e todos os anos venho curtir a “passagem” aqui na praia de Ilhéus que é uma maravilha.
Continuamos a conversar abobrinhas, rostinhos colados e, algumas músicas depois, voltamos a nos sentar. E ele, juntamente com os outros, fizeram a proposta para juntarmos nossas mesas. As meninas apoiaram e nem deram maior importância ao fato, pois, como eram cobras criadas, já estavam entrosadas com uns caras e dançavam numa esfregação tão grande que, comparada com o “arrocha”, esta pareceria Ciranda Cirandinha. O casal da mesa estava sempre dançando, o outro homem de nome André circulava direto pelo salão e em volta da cabana, enquanto eu e Raul bebíamos, dançávamos e conversávamos ininterruptamente, demonstrando uma intimidade de meses.
Quinze para meia noite, como eu queria cumprir minha promessa de começar o novo ano sem a rotulação de virgem, chamei Raul para darmos uma volta pela praia e fazer uma caminhada por lugares mais sossegados e desertos para admirarmos a lua e os fogos na hora da comemoração. Senti que ele achou estranha a minha proposta, pois todo mundo sempre comemora em conjunto, mas, mesmo assim, pegou uma garrafa de champanhe, dois copos e saímos caminhando para um lugar longe da barraca, escuro, deserto e a areia sequinha e limpa. Cenário ideal para desenrolar o que se passava em minha cabeça. Embora não sendo mais uma menina, minhas mãos estavam molhadas de suor pelo nervosismo daquela nova situação para mim.
Sentamos, ele colocou champanhe nos copos e deixamos do lado para brindarmos exatamente a meia noite. Aí, não me contendo mais, comecei a beijar Raul e fui empurrando-o lentamente para trás, já pensando em deitar-me sobre ele e começarmos o que planejei realizar. Disfarçadamente, olhei para o relógio e faltavam cinco minutos para meia noite. Nisso, ele calmamente se esquivou para o lado e disse:
-Eu tenho que lhe confessar uma coisa.
-Você quer me dizer que é casado? Para mim não tem problema, pois será apenas uma noite de festa, alegria e prazer e depois é provável que nunca mais nos encontremos.
-Infelizmente a história não é essa. A verdade é que sou homossexual e André, aquele rapaz que está na mesa é o meu caso há mais de 10 anos e eu não vou traí-lo, como também, embora você seja uma moça bonita, não é exatamente o que realmente gosto. Me desculpe, mas, não deveria ter alimentado o papo, porém, o casal que está conosco são os empresários que viemos tratar de negócios e não queríamos dar bandeira para eles.
Nesse instante, além da puta explosão que deu em minha cabeça, começaram a estourar os fogos, todos a gritarem Feliz Ano Novo, Boas Festas, etc, e Raul saiu em disparada dizendo que ia cumprimentar André.
Fiquei chorando sentada na areia, esperei por mais de meia hora para acalmar os ânimos e parar de ouvir os fogos e gritarias, e saí andando de volta para a barraca, imaginando com que cara iria encarar o povo da mesa e minhas amigas.
Felizmente, quando entrei no salão, olhei e vi que a mesa deles estava vazia, somente na nossa estava uma das meninas, a Lucienne, sentada no colo de um cara e dando o maior chupão do mundo na boca do rapaz.
Quando encostei, que ela me viu sozinha, com a cara bastante assustada me perguntou:
-Mirelle cadê o Raul?
-Deve estar por aí tomando no cu!
Foi a resposta que saiu automaticamente da minha boca, demonstrando como eu estava totalmente fora de mim. Depois dessa merda toda e uma decepção desgraçada, fui para o carro dormir e esperar até de manhã as meninas, como sempre, se darem bem.
Juro que passei o ano todo na fossa curando essa trágica desilusão, sem sair para lugar nenhum. Mas, desse fim de ano não passa!
Podem esperar que depois eu conto.
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)