segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O futuro me assusta!

Antonio Nunes de Souza*

Todas as vezes que não sigo os conselhos do meu avô, sempre entro pelo cano! Ele vive dizendo: ”Quem come a noite feijoada, tem sonhos ruins na madrugada!”
E eu, com a teimosia de menino (ele diz que ainda sou), vacilei e bati uma feijoada de mocotó no anal da madruga, e fui puxar um merecido ronco depois de ver um documentário em um canal especial da TV, dedicado, literalmente, as mulheres e seus avanços no mundo moderno e globalizado. E aí, depois de já estar tranqüilo nos braços de Morfeu, me aparece uma cientista russa chamada Pavilowa Sakanowisk (só podia ter esse nome mesmo) e começou a fazer uma explanação minuciosa sobre uma experiência que estava elaborando num laboratório americano e, para a felicidade e alegria das mulheres, já estava na fase final com grandes êxitos em ratos e macacos.
Lógico que aguçou minha curiosidade imediatamente! Tudo que se relaciona as mulheres me empolga bastante e sou um grande incentivador desses seres maravilhosos. Por impulso, levantei o dedo pedindo que ela detalhasse com palavras que os leigos pudessem entender sem maiores dificuldades. Ela, gentilmente, assentiu e começou a falar, assistida por um computador, que projetava na tela fotos comprobatórias e gráficos:
-Esse nosso projeto foi batizado de “Papai/Mamãe”, numa homenagem a uma posição sexual usada no passado, extinta por desuso há mais de vinte anos e, como se trata de uma igualdade de condições (masculino-feminina), sendo também estudos e pesquisas com resultados reprodutivos, optamos em homenagear as partes envolvidas. -Nós abandonamos as “células troco”, pois já estão sendo aproveitadas em centenas de curas e, depois de uma cuidadosa pesquisa com “células membro” extraídas da região peniana, encontramos o DNA da sua formação que, aplicada na parte clitorial feminina, ampliam os seus poderes de portadores de fecundação, expelindo óvulos (ovutozóides) perfeitos e apropriados para a germinação quando encontram condições adequadas para seus desenvolvimentos. Essa é a parte científica que, já comprovada, coloca a mulher como capaz de provocar uma transferência para a gravidez, sem a necessidade do seu corpo, colocando o homem como o receptor e gerador da futura criança.
Nessa altura todos do auditório estavam pasmos com o que acabávamos de ouvir e eu, mais agoniado voltei a perguntar: Como o homem poderá ser gerador do embrião, se não tem útero?
-Esse foi o nosso maior trabalho anos seguidos, porém encontramos os caminhos desejados, aproveitando alguns espaços no corpo masculino, já que não justificaria fazer transplantes coletivos de úteros para tal fim, que tiraria a praticidade da operação. Tivemos que utilizar moléculas da região uterina, fazer algumas modificações laboratoriais e aplicamos no saco escrotal por ser flexível, elástico e já está habituado a guardar ovos, provocando uma reação química e física, transformando-o em um perfeito ambiente para uma gestação tranqüila e sem problemas.
As mulheres da platéia aplaudiam de pé, enquanto os homens, de bocas abertas, se borravam de medo!
Já P da vida, perguntei com veemência: Doutora Sakanowisk nós homens vamos passar a engravidar e ter que passar nove meses com o saco crescendo? E como vamos trabalhar?
-Realmente vocês terão que ficar deitados durante a gravidez e, cada mulher que engravidar um homem (marido ou não) terá a responsabilidade da sua manutenção durante todo período e mais dois meses de pós-parto.
-Aí caiu a ficha e imaginei logo como será o parto. Se for pela bunda estaremos fritos. Além de doer muito, ainda será uma posição deplorável e ridícula! E para a criança também, pois ficará traumatizada por toda vida, imaginando que não nasceu, foi, simplesmente, cagada!
Como se estivesse lendo meus pensamentos, ela disse: O parto será sempre escrotário (relativo ao cesariano), pois será mais tranqüilo para o novo papai/mamãe!
-Me imaginei grávido e terminei acordando molhado de suor e uma dor no saco terrível pela grande vontade de fazer xixi!
Que pesadelo meu Deus. Que não aconteça isso nunca!


*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com

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