Antonio Nunes de Souza*
Aos poucos desaparecendo
Muitos anos envelhecendo
Pesos sumindo na balança.
Sinto-me fraco e debilitado
Medicado com muito cuidado
Pouca fé e muita esperança!
Essa viagem é sem destino
Leva adulto e até menino
Jamais discerne idades.
A despedida é triste
Quem vai nunca resiste
E vai deixando saudades!
Minha passagem foi cortesia
Juro por tudo que não queria
E estou seguindo contrariado.
Quero mais um tempo ficar
Aqui na terra poder desfrutar
E não viajar desesperado!
Parece não ter alternativa
Já apitou a locomotiva
Avisando a partida ingrata.
Não tenho medo de morrer
Minha grande dor é não saber
A doença cruel que me mata!
Quando chegar ao destino
Perguntarei sem desatino
O que vim fazer aqui.
Por favor me respondam
Confessem não me escondam
De que foi que eu morri?
*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos
membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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