Antonio Nunes de Souza*
Não deixa de ser estranha essa
afirmação do título, mas, para justificar a razão de colocá-lo, bem claramente,
tentarei explicar o “porquê” que cheguei a essa conclusão realmente contraditória,
com relação a conceituação geral da grande maioria dos seres humanos!
A maneira considerada normal e
certa é que ao nascermos ganhamos a vida, muitos achando que se trata de algo
celestial, obra de um ser divino, etc., quando na verdade tudo aconteceu porque
um casal praticou uma relação sexual sem preservativo e, consequentemente, nove
meses depois, nasceu uma criança. Aí esse nascimento é festejado, achando todos
que é o começo da vida, que a partir daí tudo será uma maravilha!
E aí é que está o ledo engano,
pois, a partir dessa hora, literalmente, com certeza absoluta, você passa
exatamente a começar a morrer paulatinamente (as vezes até em pouquíssimo
tempo), variando o tempo em função de seus cuidados físicos, alimentícios e
mentais. E esse longo ou curto tempo, obviamente é para você chegar ao
resultado final, que é a considerada trágica morte. Com essa conceituação
lógica, simples e correta, comprova-se que você realmente viveu, apenas os nove
meses de gestação, que tranquilamente era bem alimentado, vivendo num ambiente
quentinho e aconchegante, sem nenhuma preocupação, livre chateações, contas a
pagar, apertos financeiros, desemprego e uma série de outras coisas, que o
andamento da morte é sempre a causadora!
Comemorar aniversário é a maior
das incoerências, pois, seguramente, cada ano que passa, apenas você vai se
aproximando da sua partida para o além, e isso não é fato para você nem ninguém
fazer festas. Esse festejo deve ser feito pelos sua mãe no dia que descobre que
está grávida, já que acabou de despontar um novo ser que passará a viver seus
queridos e preciosos nove meses num útero protetor.
Mesmo sendo um assunto
complicadíssimo, com essa explicação bastante simples, poderá lhe dar uma ideia
que realmente eu tenho razão, e que meu raciocínio não tem nada de louco ou
descabido, já que estou indo de encontro com a conceituação geral. Pois, se for
bem refletido e analisado, você verá que tenho razões suficientes para pensar
dessa justa e lógica forma!
Então...já que a morte é bem mais
longa que a vida, temos todos o dever e obrigação de nos esforçarmos ao máximo,
para que o decorrer dela seja o melhor possível, procurarmos driblar as armadilhas
que ela nos proporciona, principalmente as inesperadas doenças e acidentes. E
para isso, só depende de cada um evitando bebidas, cigarros, drogas, alimentando-se
bem, além de outras coisas essenciais. Fazendo isso, com certeza, terás uma
morte bastante longa e feliz!
Eu, no auge dos meus oitenta e
cinco anos, vou tapeando ela cotidianamente, para ver se consigo morrer mais
alguns anos!
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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