terça-feira, 23 de junho de 2026

UM TRAUMA DE INFÂNCIA! (CLIQUE E LEIA)

 

Antonio Nunes de Souza*

Todos nós, sem exceção, temos umas recordações marcantes de nossa infância, que incrivelmente nunca esquecemos e estamos sempre lembrando com uma certa angústia.

E esse que vou relatar passou-se com meu querido e estimado amigo Mendonça, numa circunstância bastante interessante, que passarei a contar:

Tendo Mendonça de viajar a negócios para São Paulo, resolveu ele, jovem ainda nos seus sadios quarenta anos, fazer essa viagem de trem, já que é divertida, aprecia-se lindas paisagens dos campos e fazendas, além de ser uma experiência nova e fascinante para ele. Pegou sua pequena mala e seguiu para a Estação da Leste Brasileira, porém, infelizmente, o trem estava lotado e só tinha um lugar naquelas cadeiras no final do vagão, que os passageiros ficam cara a cara um em frente ao outro, parecendo que você está viajando pra trás. Como não havia alternativa, ele aceitou, subiu na classe, dirigiu-se ao lugar, onde encontrou uma linda moça com uma criança no colo, que seria a sua companhia durante a viagem de oito horas, saindo as dezoito com previsão de chegada as seis da manhã. Deu boa noite, colocou a mala na rede encima sentando-se em seguida. Nisso a locomotiva apitou e, em um minuto, já se ouvia a zoada característica da viagem ferroviária!

Passados mais ou menos alguns minutos, a jovem senhora passou a amamentar a criancinha, obviamente com uma frauda cobrindo bem discretamente o ato. Porém, Mendonça ficava com o olhar bastante fixo para ela e a criança, deixando-a desconcertada e pouco a vontade. Mais tarde, já pelas dez da noite, voltou ela a amamentar a criancinha, que sempre choramingava dando sinal de fome. Novamente Mendonça voltou a fixar mais veementemente, fazendo com que a senhora, não se aguentasse e falasse: O senhor deveria ser mais discreto e parar de ficar bisbilhotando a minha alimentação maternal!

Nisso Mendonça que é um cavalheiro. Pediu mil desculpas, passando a justificar sua atitude: Senhora, acontece que eu, infelizmente, perdi a minha mãe durante o meu parto, e por causa disso, jamais tive a oportunidade de ser alimentado através da mama, fui criado com mamadeiras, e isso me causou um brutal trauma, que todas as vezes que vejo alguma criança sendo amamentada, sinto uma grande angústia e uma dor profunda. Quando terminou seu relato, lágrimas desciam em sua face, demonstrando de verdade, quanto essa dor era forte em seu peito e coração!

A senhora ouviu a “estória”, achou estranha, porém, não deixou de se sensibilizar, mesmo tendo retrucado que ele, pelo menos deixasse de ser tão curioso, pois, estava deixando-a desconfortável.

Depois disso ele passou a ficar cabisbaixo. Entretanto, a senhora depois de algum tempo, meditou a respeito do fato e, penalizada, resolveu fazer um ato de piedade cristã, dando a Mendonça a oportunidade de ter a experiência de uma amamentação. E aí, já pela madrugada, as luzes da classe apagadas, todos dormiam, na penumbra ela acordou ele e, ao seu ouvido, falou: Se o senhor quiser experimentar a sensação de mamar de uma criança, eu estou disposta a atende-lo, já que lhe fará bem e melhorará o seu tormento. Prontamente ele balbuciou um agradecimento e, mais que depressa, já que a mulher tinha colocado o baby no moisés, curvou-se na sua poltrona, colocando a cabeça no colo dela que, sem cerimônia, colocou seu seio em sua boca. Mendonça, completamente feliz, começou a mamar deliciosamente. Aí, com o balanço do trem, aquele homem sugando seu peito, a mulher começou a se excitar sexualmente, e quando não resistiu mais, colocou os lábios bem próximos ao ouvido dele e, sussurrando, disse: “O senhor não quer mais alguma coisa não?”

Aí, Mendonça rapidamente tirou a boca do peito e falou: “A senhora não tem aí uns biscoitos de maisena?

A mulher puta da vida, empurrou a cabeça dele do seu colo e, gritando veementemente, disse: Vá manar na casa da porra seu sacana. E deixando Mendonça apalermado, pegou a criança e foi para outro vagão que havia lugares vazios, de passageiros que desceram em algumas cidades passadas!

Com esse fato Mendonça ficou ainda mais traumatizado, pois, na verdade o que ele desejava naquele momento era fazer um lanche!

Essas são coisas que acontecem nessa Vida Louca!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

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