Antonio Nunes de Souza*
Todos nós, sem exceção, temos
umas recordações marcantes de nossa infância, que incrivelmente nunca
esquecemos e estamos sempre lembrando com uma certa angústia.
E esse que vou relatar passou-se
com meu querido e estimado amigo Mendonça, numa circunstância bastante
interessante, que passarei a contar:
Tendo Mendonça de viajar a
negócios para São Paulo, resolveu ele, jovem ainda nos seus sadios quarenta
anos, fazer essa viagem de trem, já que é divertida, aprecia-se lindas
paisagens dos campos e fazendas, além de ser uma experiência nova e fascinante
para ele. Pegou sua pequena mala e seguiu para a Estação da Leste Brasileira,
porém, infelizmente, o trem estava lotado e só tinha um lugar naquelas cadeiras
no final do vagão, que os passageiros ficam cara a cara um em frente ao outro, parecendo
que você está viajando pra trás. Como não havia alternativa, ele aceitou, subiu
na classe, dirigiu-se ao lugar, onde encontrou uma linda moça com uma criança
no colo, que seria a sua companhia durante a viagem de oito horas, saindo as dezoito
com previsão de chegada as seis da manhã. Deu boa noite, colocou a mala na rede
encima sentando-se em seguida. Nisso a locomotiva apitou e, em um minuto, já se
ouvia a zoada característica da viagem ferroviária!
Passados mais ou menos alguns
minutos, a jovem senhora passou a amamentar a criancinha, obviamente com uma
frauda cobrindo bem discretamente o ato. Porém, Mendonça ficava com o olhar
bastante fixo para ela e a criança, deixando-a desconcertada e pouco a vontade.
Mais tarde, já pelas dez da noite, voltou ela a amamentar a criancinha, que
sempre choramingava dando sinal de fome. Novamente Mendonça voltou a fixar mais
veementemente, fazendo com que a senhora, não se aguentasse e falasse: O senhor
deveria ser mais discreto e parar de ficar bisbilhotando a minha alimentação maternal!
Nisso Mendonça que é um
cavalheiro. Pediu mil desculpas, passando a justificar sua atitude: Senhora,
acontece que eu, infelizmente, perdi a minha mãe durante o meu parto, e por
causa disso, jamais tive a oportunidade de ser alimentado através da mama, fui
criado com mamadeiras, e isso me causou um brutal trauma, que todas as vezes
que vejo alguma criança sendo amamentada, sinto uma grande angústia e uma dor
profunda. Quando terminou seu relato, lágrimas desciam em sua face,
demonstrando de verdade, quanto essa dor era forte em seu peito e coração!
A senhora ouviu a “estória”,
achou estranha, porém, não deixou de se sensibilizar, mesmo tendo retrucado que
ele, pelo menos deixasse de ser tão curioso, pois, estava deixando-a desconfortável.
Depois disso ele passou a ficar
cabisbaixo. Entretanto, a senhora depois de algum tempo, meditou a respeito do
fato e, penalizada, resolveu fazer um ato de piedade cristã, dando a Mendonça a
oportunidade de ter a experiência de uma amamentação. E aí, já pela madrugada,
as luzes da classe apagadas, todos dormiam, na penumbra ela acordou ele e, ao
seu ouvido, falou: Se o senhor quiser experimentar a sensação de mamar de uma
criança, eu estou disposta a atende-lo, já que lhe fará bem e melhorará o seu
tormento. Prontamente ele balbuciou um agradecimento e, mais que depressa, já
que a mulher tinha colocado o baby no moisés, curvou-se na sua poltrona,
colocando a cabeça no colo dela que, sem cerimônia, colocou seu seio em sua
boca. Mendonça, completamente feliz, começou a mamar deliciosamente. Aí, com o
balanço do trem, aquele homem sugando seu peito, a mulher começou a se excitar
sexualmente, e quando não resistiu mais, colocou os lábios bem próximos ao
ouvido dele e, sussurrando, disse: “O senhor não quer mais alguma coisa não?”
Aí, Mendonça rapidamente tirou a
boca do peito e falou: “A senhora não tem aí uns biscoitos de maisena?
A mulher puta da vida, empurrou a
cabeça dele do seu colo e, gritando veementemente, disse: Vá manar na casa da
porra seu sacana. E deixando Mendonça apalermado, pegou a criança e foi para
outro vagão que havia lugares vazios, de passageiros que desceram em algumas
cidades passadas!
Com esse fato Mendonça ficou
ainda mais traumatizado, pois, na verdade o que ele desejava naquele momento
era fazer um lanche!
Essas são coisas que acontecem nessa
Vida Louca!
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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