quinta-feira, 2 de julho de 2026

UM FERIADO CÍVICO QUE FODE O FÍSICO! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

E esse ano foi um feriadão retado e dos bons, dois de julho pra ninguém botar defeito, porque na verdade não tem e nem teve. O couro comeu desde cedo, distribuindo prazeres, que haja resistência física para aguentar!

Todo ano é parecido, mas, o bom é que as semelhanças são sempre prazerosas e cheias de alegrias e encantos, pois, nunca falta uma mulheraça para nos animar a voltar todos os anos. Como sempre, coloco uma “beca” bem transada, camiseta regata da moda, tênis Adidas, óculos Ray-Ban, pego o carro e, todo barbeado e perfumado com Kouros, e sigo meu destino na esperança de me dar bem, como todo baiano que se preza, e adora uma sacanagem em qualquer festa cívica, religiosa, profana ou até evento fúnebre!

Fui pelo Barbalho imaginando encontrar caminhos mais livres, já que havia ouvido e visto na TV que algumas ruas seriam interditadas. Mas, mesmo por essa trajetória, o trânsito estava como sempre uma merda total. Parece que todos pensaram o mesmo que eu, e as ruas estavam congestionadas, tendo que parar bem distante do largo, e fazer o percurso a pé. Porém, isso não me deixou chateado, pois, andando, daria oportunidade de admirar melhor as pessoas que passavam, principalmente aquelas que na minha maliciosa mente eu desejava ver, ou seja, a gandaia de porraloucas, que vão com as mesmas intenções que eu: “dançar, sambar, beber, comer, fumar e foder”. Isso mermão, com certeza não tem no paraíso nem para a turma do comando geral!

Na proporção que ia me aproximando a aglomeração aumentava o número de pessoas, já todos se acotovelando procurando lugares privilegiados. Crianças, velhos, adultos, estudantes, funcionários públicos, além de grupos de professores grevistas, aproveitando a festividade para fazer protesto contra os políticos ausentes e presentes, mostrando seus descontentamentos pelas não aceitações de suas reivindicações, algumas pertinentes e outras nem tanto. Mas, tudo isso faz parte da democracia e da badernagem, que é peculiar nesses eventos públicos, no país que não tem ditaduras nem de direita nem de esquerda (duas merdas, que idiotas apoiam)!

Notei de longe que o cortejo estava começando, então parei em um ponto estratégico e fiquei na espera da sua passagem, pensando em acompanhá-lo até o Campo Grande, onde, certamente, haveria vendedores de cerveja, churrasquinhos e outras iguarias, logicamente acompanhados de música e, com certeza absoluta, seria o momento que eu suavemente encostaria em algumas gatinhas, no intuito de encontrar uma ao meu gosto, para “ficar” de boa, como faço anualmente. Nesse particular, sou patriota pra caralho, pois, todo ano “mando ver” comemorando o início da nossa honrada e sangrenta independência de Portugal. Um ano desse qualquer, ainda vou pegar uma mulher que esteja menstruada, para que na cama, possamos fazer um “vale a pena ver de novo”, com uma guerra respingando sangue pra todo lado, retratando nossa antiga batalha, colocarei até o meu trompete na boca da parceira para ela, como o corneteiro Lopes, dê o toque de avançar!

E não deu outra! Assim que acabaram os discursos e todos começaram a se dispersar, havia uma barraca que o samba de roda estava correndo solto e, no seu interior, estava reunida a fina flor do mulherio, que como eu, estava ali com as mesmas intenções minhas!

Comprei uma cerveja geladinha e ainda meio tímido, comecei a sacudir o corpo no ritmo bem cautelosamente, mas, entrando na roda como quem não quer nada e querendo tudo que tenho direito!

Mas, com dez minutos, já estava sambando que nem uma carrapeta, mexia tanto a bunda acompanhando a moda, que fiquei até com medo de “desparafusar o cu” e ele voar longe. Fui pegando as meninas pelas cinturas, procurando escolher quem seria minha encantadora “Maria Quitéria”, que eu iria enfiar a espada!

“Quem samba fica, quem não samba vai embora. Se é homem é meu senhor, se é mulher, minha senhora”. Esse refrão do mais famoso samba de roda da minha querida terra Santo Amaro da Purificação, ecoava ao som dos tambores, cavacos e pandeiros, provocando um remelexo sensual e lascivo nas negras, mulatas e morenas que compunham a roda, além de uns turistas desengonçados, estimulando desejos impiedosos nos mais pudicos cristãos. Eu por minha vez, sentia-me excitado não só de olhar, como também com as “roçagens” eventuais que o apertado ambiente proporcionava. Regada de bunda estava chovendo mais do que no Rio Grande do Sul, era só ir encaixando, a gata mexendo safadamente e o couro comendo solto!

Colei numa morena tesuda e deliciosa chamada Tabira, e passamos a dançar bem agarradinhos, sem nem reparar que estávamos no meio de uma festa de largo. Aliás, como todos os baianos, ninguém está mais ligando porra nenhuma, e nem quem está em sua volta.  O importante é quem está ao seu lado, sua frente ou em seus braços. Assim sendo, segui essa regra benevolente e continuei minha esfregação, sempre tomando mais uma cerveja para dar mais animação, diminuir a inibição e, consequentemente, aumentar o tesão!

Ao anoitecer, já era dezenove horas, bastante cansado e cheio de expectativas, convidei Tabira (nome esquisito da porra, mas, gostosíssima) para irmos embora buscar o carro que deixei pelas bandas do ICEIA, e de lá seguiríamos para meu apartamento, selar com chave de ouro nossa louvação aos Caboclos, expulsão dos “portugas”, e ao nosso digníssimo dois de julho. Ela sem pestanejar, avisou as amigas que estávamos indo, trocamos beijinhos de despedidas, pois já estávamos todos muito íntimos. Pegamos um táxi e seguimos nosso destino sorrindo, nos alisando, ambos pensando na boa foda, que seria em homenagem ao corneteiro Lopes, que em vez de tocar para nossa tropa recolher´, por erro ou sacanagem, tocou o toque de avançar, aí a putada foi em frente se fodendo de qualquer jeito, e botou a raça pra correr. Essa é a parte cômica da história, que pouca gente sabe. Temos até uma rua em Salvador com o nome dele!

O restante sempre é uma reprise com algumas nuances novas, pois foi uma noite maravilhosa, cheia de transas pecaminosas em diversas posições “caboclais”, cívicas e patrióticas, eu sempre hasteando Tabira no meu mastro, ela tremendo como se fosse uma bandeira ao vento, homenageando a nossa data magna baiana com suspiros e gemidos de prazer!

Tabira deu uma lição de cidadania, como uma heroína pegava minha espada com prazer e classe, enfiava em todos buracos do corpo, deixando-me como se fosse um grande guerreiro voltando feliz de uma enorme batalha!

Foi mais uma emoção cívica que, orgulhosamente, participei e acho que essa festa deliciosa deveria ser comemorada todo dia dois do ano, menos o de novembro, que é dos finados, e a sacanagem é um pouco mais discreta!

Acho que vou ter um “cacho” temporário com Tabira, pois, a mulher é um tesão, e até sua xoxota tem um gostinho de acarajé!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O DESTINO INESPERADO DE MUNDINHO! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

José Raimundo, conhecido por todos como “Mundinho”, diminuitivo do seu nome que é coisa peculiar na Bahia. Sempre tratamos todos, afetuosamente, pelos diminuitivos (Carlinhos, Luizinho, Pedrinho, etc.), bem diferente dos cariocas e paulistas que, bravamente, tratam seus amigos e conhecidos como: Carlão, Luizão e Pedrão. Era ele, dono de uma Van, contratada para levar, exclusivamente, moças universitárias para as aulas (noturnas e diurnas) e, obviamente, apanhá-las e fazer as entregas em suas casas. Um trabalho cansativo em função do trânsito terrível, vias sempre interditadas e, pior que tudo, com péssimas sinalizações. Mas, a grana era boa, dava para pagar muito bem a prestação do carro, sobrando uma boa nota para que pudesse ter uma vida tranquila, para um rapaz de 26 anos, oriundo do interior!

Nessas ida e vindas diárias, terminou criando uma intimidade tamanha com as moças, que conversavam todas suas intimidades, trocavam de roupas dentro da Van, quando saiam da Faculdade e iam curtir algum evento ou namorar, e assim ele passou a ser muito mais amigo que um motorista. Era abraçado, beijado e, muitas vezes, bolinado e elas ficavam rindo e gostando da sua excitação. Ele claro, estranhou no começo, mas, com o tempo, foi se acostumando e entrando na brincadeira, que depois de algum tempo, já curtia umas esfregações com algumas quando voltava levando a última, ou quando pegava a primeira. Parece incrível, mas, “sacanagem” é algo bastante peculiar na atualidade. Tudo é permitido, os hábitos são com aberturas escancaradas, sem mais ter aquela tola vergonha: “Bastou gostar, para rolar de boa!”

E foi o que aconteceu com nosso querido Mundinho, que transportava dez moças e, depois de dois anos, já tinha comido todas, inclusive até umas duas que eram noivas!

E vocês pensam que era segredo entre todas o que ocorria? Nada disso. Pois, depois da primeira, segunda, terceira, e elas conversarem que ele era viril e gostoso, todas quiseram conhecer para dar suas opiniões. O legal era a solidariedade, pois, para favorecer a alguma que estava com vontade, de comum acordo deixavam ela por último, para aproveitar a famosa transa com Mundinho. Curioso é que tudo isso acontecia na Van, encostada em algum canto mais deserto e meio escuro!

Infelizmente, o Diabo sempre entra no meio quando as coisas estão maravilhosas. Um dia ele estava transando com uma que era noiva de um tenente, e ele seguiu a Van e flagrou os dois nos estertores do prazer. Homem machão e bastante ciumento, deu um tiro nos testículos de Mundinho, e sem dó, nem piedade, matou a noiva e suicidou-se em seguida!

Foi um puto escândalo, intervenção da polícia, SAMU para atender Mundinho, além do vexame para a família da moça!

Em função do tiro no saco escrotal, tiveram que extrair os testículos, deixando Mundinho sem mais aquela virilidade do passado e sem condições de voltar a ser um homem!

Mundinho vendeu a Van, pegou o dinheiro que sobrou depois de liquidar o financiamento, fez pequenas plásticas no rosto, um enxerto de silicone nos quadris, implantou seios e hoje, seu nome de “guerra” é Raimunda Boa Bunda, e faz ponto com os travestis todas as noites, no trecho entre a Pituba e Amaralina!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!