sexta-feira, 26 de junho de 2026

A ETNIA NEGRA É FODA! (Clique e leia)

Antonio Nunes de Souza*

Por mais que tenhamos imbecis que repudiam, discriminam e tem ódio das pessoas negras, jamais poderão apagar o grande valor dessa valorosa e guerreira etnia que, bravamente, mesmo submetida a brutal e desumana escravidão, ajudou a construir dezenas de países pelo mundo a fora, deixando suas fortes marcas raciais, como também na culinária, literatura, ciência, esportes, hábitos, costumes, religiosidade e demais outras atividades, enriquecendo a cultura geral no mundo!

Essa minha explanação deve-se a observação que fiz agora, durante a realização da Copa do mundo de futebol que, maravilhosamente, pode-se ver e constatar, que em todas equipes dos diversos países participantes, constam alguns negros, sendo muitos deles grandes estrelas mundiais, inclusive o considerado melhor do mundo, ganhador da Bola de Ouro, é o francês de nome Uosmane Dembélé, que é negro, assim como o anterior, que foi o nosso querido Vini Jr., e de lambujem o nosso magnífico Edson Arantes do Nascimento, Pelé, que é considerado o Rei dos reis na arte futebolística e o inglês Hamilton, que é o recordista de campeonatos da fórmula Um. Todos negros como as penas das graúnas!

Com o desenrolar dos tempos, essa etnia de guerreiros valentes, corajosos,  lutadores pelos seus direitos, conseguiram e estão conseguindo mais ainda, reconhecimentos  e tendo oportunidades governamentais, fazendo despontar grandes cientistas, astronautas, arquitetos, médicos, advogados e todas outras profissões técnicas e liberais, sem contar nas áreas de jornalismo, atores, atrizes e modelos publicitários, que as vezes as televisões nos dão a impressão, que voltaram a ser preto e branco de tantas pessoas negras maravilhosas, participando de novelas e eventos em geral. Essas imagens deixam-me alegre, feliz e contente, em estar vendo uma injustiça sendo reparada gradativamente, além do reconhecimento quase global, que a etnia negra é tão inteligente e importante que qualquer outra, bastando apenas ser bem oportunizada para que aconteça!

Gostaria de um dia, ver estirarem tapete vermelho para essa etnia passar honrosa e deslumbrante, mostrando que as cores podem ser diferentes, mas, as inteligências são literalmente iguais!

*Escritor, Historiador, Cronista, poeta e um dos membros fundadores de Academia Grapiúna de Letras!

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

NOSSO DESTINO É UMA INCOGNITA! (Clique e leia)

Antonio Nunes de Souza*

Sentada em frente a penteadeira do seu quarto, onde em cima estavam alguns perfumes, batom e esmaltes de segunda classe, uma escova de pentear e mais algumas bobagens referentes as arrumações das mulheres. Era quatro horas da manhã, hora em que a casa de Janaína fechava, servidora de moças para relações sexuais, conhecidos como prostíbulos!

Enfraquecida, as lágrimas desciam pela sua face, dores no peito, tosse constante e ainda com o corpo febril. Mas, pelas normas da casa, tinham que trabalhar diariamente, e se virar para dar o relativo a diária da casa. Levantou-se, tomou um banho bem quente, tremendo pela frieza ao sair do chuveiro, já que seu corpo febril sentia os respingos de água já frios, pelo seu corpo. Enxugou-se e sem nem pestanejar, deitou-se, se cobriu com um velho cobertor e, imediatamente, caiu no sono como acontece com pessoas cansadas, fracas e doentes!

Manhã seguinte, nem conseguia levantar-se, e suas colegas de infortúnio, prontamente chamaram o SAMU, que a levou pra um hospital afim de ser medicada. Lá chegando, depois de uma hora foi atendida, feitos alguns exames básicos de rotina pelo plantonista, foram solicitados os exames clínicos de praxe e, pelo seu estado, deixaram-na hospitalizada em observação, sendo receitada com alguns medicamentos de sustentação, e contra a febre que tomava o seu corpo!

Dois dias depois aparece em seu quarto o Dr. Tarso, pneumologista, com seus exames em mãos e, sério e atencioso, perguntou sobre seus familiares. Ela que não era de Salvador, procedente do Amazonas, que tolamente achou que a vida de mulher fácil” era realmente fácil, terminou indo ser uma das servidoras de Janaína. Não sabia nem o paradeiro da família, pois, havia mais de 10 anos que não dava nem recebia notícias. Falou que não tinha parentes, que ele poderia dar os diagnósticos para ela mesma, já que tinha 28 anos, era maior de idade e responsável pelos seus atos!

Depois de ouvir seu relato, ele virou-se para ela e disse: Infelizmente você está com tuberculose, tem que fazer um tratamento imediatamente devido ao avanço da doença, e tenho que transferi-la para um hospital adequado para tal fim.

As lágrimas brotaram em sua maltratada e sofrida face, porém bonita, chegando a soluçar dada as péssimas circunstância de sua situação. O médico, muito dócil e educado, procurou consola-la dizendo que tudo daria certo, e que a ajudaria e acompanharia o caso no hospital que ela fosse!

Depois da saída do dr. Tarso, a enfermeira já veio com uma injeção e lhe aplicou, dando-lhe em seguida uns comprimidos, falando que ainda nesse mesmo dia, ela deveria ser transferida para a Clínica Central de Pneumologia do Estado!

Pegou seu celular e ligou para Janaína falando da sua situação complicada, e esta se prontificou a ajudá-la dentro do possível. Pediu para que arrumasse algumas coisas básicas e permitidas na clínica e que, no dia seguinte, ligaria dando o novo endereço para que fossem levadas!

Como previsto, na manhã seguinte veio o Dr. Tarso e falou que ela estava indo para a uma Clínica Especializada, o diretor era seu primo, e havia solicitado um tratamento especial para ela. Sorriu de agradecimento, despediu-se dele, e alguns minutos depois, enfermeiros vieram com uma maca e a levaram para uma ambulância, que a transportou para sua nova hospedaria.

Lá chegando o Dr. Lúcio foi vê-la, se apresentou e falou que seu primo Tarso havia pedido uma atenção especial. Então, atendendo seu parente e colega, conseguiu um apartamento individual para ela, com todas as necessidades de um paciente em recuperação, tendo uma maior liberdade, que nas enfermarias e quartos de duas ou três pessoas.

Isso lhe deu uma felicidade tão grande que logo se preocupou em agradecer ao dr. Tarso quando o encontrasse. Mas, na verdade, imaginava que talvez nem mais tivesse oportunidade de encontra-lo novamente.

E foi um ledo engano esse pensamento, pois, no dia seguinte, sem que fosse por compromisso médico, Tarso pareceu para visita-la e saber se lhe faltava algo. Ela sorriu de felicidade, agradeceu e, já sem cerimônia, pediu que ele sempre aparecesse, pois sentia falta da sua gentil e bondosa presença como um anjo salvador. Ele riu bastante, se despediu e fez a promessa que assim que possível, voltaria a aparecer.

Duas horas depois, vieram avisar que tinha uma visita para ela. Ficou perplexa, pois não conhecia ninguém, mas logo soube que era uma das meninas sua colega, que estava trazendo as coisa que ela havia solicitado. Conversaram, ela contou sobre a sua doença, as gentilezas do dr. Tarso e o seu primo, pois, graças a isso estava sendo tratada como se fosse uma Clínica Particular, internada em apartamento com todas as necessidades básicas, inclusive ar condicionado, televisão e uma banheira maravilhosa para que se banhasse dignamente!

A amiga foi embora deixando um romance que as colegas se cotizaram e compraram, para que, com a leitura, as horas passassem mais rápido.

Quatro dias depois, estava ela no jardim com a enfermeira tomando um pouco de sol, quando aparece Tarso para visitá-la inesperadamente!

Ela ficou numa alegria profunda, começaram a conversar como se fossem amigos de muito tempo, ele já tinha olhado a sua ficha e visto as melhoras ocorridas, a medicação estava dentro do padrão, etc., isso deu a ela uma tranquilidade e alegria, pois ele disse que dentro de mais um mês, ela poderia voltar para casa e continuar tomando a medicação. Mas, como dizer para ele que era uma prostituta sem moradia certa, e que jamais teria condições de morando na casa de Janaína, continuar fazendo tratamento. Nada quis dizer, deixando para outra oportunidade!

Se alimentando bem, remédios adequados, tratamento de primeira classe pelas recomendações recebidas, foi engordando um pouco, suas feições ficando mais viçosas, sua beleza se estampando cada vez mais, seu corpo tornando a mostrar as curvas bem talhadas do passado, voltando a ser com a aparência bem mais jovem e, inegavelmente, apresentando-se como uma mulher charmosa e bonita!

Novamente sem mais ter esperanças, pois já se passaram 30 dias, aparece Tarso com umas flores para novamente visitá-la. Mas, desta feita, quem ficou sobressaltado foi ele, ao vê-la linda, feliz, com um sorriso largo, cabelos escovados e os lábios provocantes com o efeito de um batom trazida pelas meninas, quando iam visita-la!

Ele chamou o seu primo e falou algo em seu ouvido, que ela   veio a saber logo em seguida. Ele solicitou e perguntou se era possível convidá-la para uma pequeno passeio de carro pela orla. Pedido consentido (facilidades de primos), então, falou pra ela por um vestido, mesmo simples, pois não saltariam, apenas admirar a paisagem e respirar um ar salitroso!

Ela ficou eletrizada e feliz, saiu com a enfermeira, se arrumou as pressas e foram até o carro, ela entrando e sentindo-se abençoada por Deus em encontrar uma pessoa que, na sua hora de maior desespero, apareceu em seu socorro.

Ela, tímida e muito feliz ao mesmo tempo, aproveitou a oportunidade e meio chorosa e com vergonha, começou a contar a parte trágica da sua vida, dizer que morava em uma casa de prostituição, e que daqui a alguns dias estaria numa situação bastante complicada para dar continuidade ao seu tratamento.

Sem que ela esperasse, Tarso a abraçou e sorrindo disse que já havia procurado saber da sua vida, descobriu todas essas coisas, mas, como tinha gostado dela bastante, estava querendo que ela fosse complementar seu tratamento em seu apartamento, e não só ele, como seu primo estariam lhe dando toda assistência. E caso ela aceitasse, ficaria morando lá e, quem sabe, talvez até constituíssem uma família!

Ela sorria e, ao mesmo tempo, chorava de felicidade por Deus ter colocado um homem bom, independente, jovem com apenas 38 anos, para se preocupar pela sua felicidade, sem os preconceitos normais e atuais da sociedade!

Encurtando esse lindo e novelesco romance, Isabel Cristina e Tarso foram viver juntos, ela voltou a ser a mulher linda e saudável de antes, já tiveram um filho que foi batizado com o nome do primo protetor Lúcio, e nesse momento, estão no aeroporto dois de Julho, ou Luiz Eduardo Magalhães, indo para Manaus, em busca de notícias de seus pais, um vez que era filha única!

Minha preocupação em escrever sobre a vida de Isabel Cristina e Tarso foi para, mais uma vez demonstrar, que o destino, assim como nos prega momentos desagradáveis, muitas vezes nos beneficia inesperadamente.

Muitas vezes caímos em armadilhas na vida, e pensamos que tudo está perdido. Mas, tenha fé, perseverança, lute com garra e  pacientemente, e espere que as soluções vão aparecer a contento, lhe mostrando que: O DESTINO ESTÁ EM SUAS MÃOS E DEPENDE DE SEUS ESFORÇOS E UM POUCO DE SORTE!

Temos que reconhecer que a beleza física ajuda muitíssimo!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

quarta-feira, 24 de junho de 2026

MOSTRE QUE VOCÊ É CAPAZ! (Clique e leia)

Antonio Nunes de Souza*

Quando estamos atravessando uma situação atípica, onde as dificuldades atingem violentamente a todos, existe uma tendência normal de desespero, desgostos, depressões e, com mais constâncias, sofrimentos para prover as subsistências alimentícias e financeiras!

Aí, o que devemos fazer para contemporizar os brutais acidentes de percursos?

Claro que não existem respostas definitivas, ou mágicas soluções. O que é muito importante e que, com calma e tranquilidade, colocar a cabeça para funcionar, reconhecer que o momento é bastante difícil e cruel e, que somente com serenidade e bom senso pode-se tentar descobrir uma pequena, média, ou grande solução!

Mas, para isso, é fundamental que tenhamos calma, ouvir e discutir opiniões de pessoas mais experientes, e que já passaram por situações similares, tirar proveitos de novas ideias surgidas, na procura urgente de poder dar uma volta por cima e sair do bruto aperto, ou pelo menos minimizá-lo!

Parece fácil estar dando esses conselhos, porém, é de bom alvitre, despertar nas pessoas que também estão sendo atingidas, com certeza, somente aqueles que tem melhores ideias, conseguem mais rapidamente diminuir os sufocos existentes!

E todos nós somos capazes, temos nossas habilidades, capacidades e profissões, assim como, condições de criar alternativas, mesmo que sejam totalmente fora das suas atividades anteriores, ou precisem que tenhamos ajudas de outros!

Se “Onde há vida, há esperança”, então devemos ter esperança, que é um antídoto fortíssimo para resolver os nossos problemas, mesmo que seja embaixo de grandes sacrifícios, engolindo sapos e cobras, esquecer as vaidades, ser humilde e reconhecer que a situação é diferenciada e atípica, que tem muitos melhores que você, mas, seguramente, existem milhares bem piores que você!

Tem uma citação oriental que diz: “Não existe o impossível. Existe a sua desistência de lutar para resolver!”. Obviamente, depende muito mais de sua disposição, calma e tranquilidade, para tentar ao máximo superar as adversidades, conseguindo sair das agonias e desesperos!

Em todas as circunstâncias trágicas e desesperadores, todos que se salvam não são por sorte, ou proteção divina. Com certeza absoluta, esses foram aqueles que não se esmoreceram, lutaram bravamente, ouviu opiniões, conselhos e novas ideias, Pois, somente assim alcançamos nossos objetivos, mesmo em condições normais, quanto mais quando estamos cercados de dificuldades que nos parecem insolúveis!

Tenha convicção que no meio dessa vasta fatia de desumanos, existem outra quantidade de pessoas solidárias, bondosas e caridosas, sempre dispostas a ajudar de alguma forma, mesmo que seja de uma forma mínima!

Assim sendo, espero que ao ler esse texto você pare, pense e faça uma reflexão, desperte esse leão que existe dentro de você e, mais que depressa, seja criativo, pois, a única coisa que não tem solução na vida é a trágica morte!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

terça-feira, 23 de junho de 2026

UM TRAUMA DE INFÂNCIA! (CLIQUE E LEIA)

 

Antonio Nunes de Souza*

Todos nós, sem exceção, temos umas recordações marcantes de nossa infância, que incrivelmente nunca esquecemos e estamos sempre lembrando com uma certa angústia.

E esse que vou relatar passou-se com meu querido e estimado amigo Mendonça, numa circunstância bastante interessante, que passarei a contar:

Tendo Mendonça de viajar a negócios para São Paulo, resolveu ele, jovem ainda nos seus sadios quarenta anos, fazer essa viagem de trem, já que é divertida, aprecia-se lindas paisagens dos campos e fazendas, além de ser uma experiência nova e fascinante para ele. Pegou sua pequena mala e seguiu para a Estação da Leste Brasileira, porém, infelizmente, o trem estava lotado e só tinha um lugar naquelas cadeiras no final do vagão, que os passageiros ficam cara a cara um em frente ao outro, parecendo que você está viajando pra trás. Como não havia alternativa, ele aceitou, subiu na classe, dirigiu-se ao lugar, onde encontrou uma linda moça com uma criança no colo, que seria a sua companhia durante a viagem de oito horas, saindo as dezoito com previsão de chegada as seis da manhã. Deu boa noite, colocou a mala na rede encima sentando-se em seguida. Nisso a locomotiva apitou e, em um minuto, já se ouvia a zoada característica da viagem ferroviária!

Passados mais ou menos alguns minutos, a jovem senhora passou a amamentar a criancinha, obviamente com uma frauda cobrindo bem discretamente o ato. Porém, Mendonça ficava com o olhar bastante fixo para ela e a criança, deixando-a desconcertada e pouco a vontade. Mais tarde, já pelas dez da noite, voltou ela a amamentar a criancinha, que sempre choramingava dando sinal de fome. Novamente Mendonça voltou a fixar mais veementemente, fazendo com que a senhora, não se aguentasse e falasse: O senhor deveria ser mais discreto e parar de ficar bisbilhotando a minha alimentação maternal!

Nisso Mendonça que é um cavalheiro. Pediu mil desculpas, passando a justificar sua atitude: Senhora, acontece que eu, infelizmente, perdi a minha mãe durante o meu parto, e por causa disso, jamais tive a oportunidade de ser alimentado através da mama, fui criado com mamadeiras, e isso me causou um brutal trauma, que todas as vezes que vejo alguma criança sendo amamentada, sinto uma grande angústia e uma dor profunda. Quando terminou seu relato, lágrimas desciam em sua face, demonstrando de verdade, quanto essa dor era forte em seu peito e coração!

A senhora ouviu a “estória”, achou estranha, porém, não deixou de se sensibilizar, mesmo tendo retrucado que ele, pelo menos deixasse de ser tão curioso, pois, estava deixando-a desconfortável.

Depois disso ele passou a ficar cabisbaixo. Entretanto, a senhora depois de algum tempo, meditou a respeito do fato e, penalizada, resolveu fazer um ato de piedade cristã, dando a Mendonça a oportunidade de ter a experiência de uma amamentação. E aí, já pela madrugada, as luzes da classe apagadas, todos dormiam, na penumbra ela acordou ele e, ao seu ouvido, falou: Se o senhor quiser experimentar a sensação de mamar de uma criança, eu estou disposta a atende-lo, já que lhe fará bem e melhorará o seu tormento. Prontamente ele balbuciou um agradecimento e, mais que depressa, já que a mulher tinha colocado o baby no moisés, curvou-se na sua poltrona, colocando a cabeça no colo dela que, sem cerimônia, colocou seu seio em sua boca. Mendonça, completamente feliz, começou a mamar deliciosamente. Aí, com o balanço do trem, aquele homem sugando seu peito, a mulher começou a se excitar sexualmente, e quando não resistiu mais, colocou os lábios bem próximos ao ouvido dele e, sussurrando, disse: “O senhor não quer mais alguma coisa não?”

Aí, Mendonça rapidamente tirou a boca do peito e falou: “A senhora não tem aí uns biscoitos de maisena?

A mulher puta da vida, empurrou a cabeça dele do seu colo e, gritando veementemente, disse: Vá manar na casa da porra seu sacana. E deixando Mendonça apalermado, pegou a criança e foi para outro vagão que havia lugares vazios, de passageiros que desceram em algumas cidades passadas!

Com esse fato Mendonça ficou ainda mais traumatizado, pois, na verdade o que ele desejava naquele momento era fazer um lanche!

Essas são coisas que acontecem nessa Vida Louca!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

É INTERAÇÃO AFETIVA OU AMOR? (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Quando raramente não vem em minha mente, uma “estória” que mereça uma crônica, ou quando não acordo irritado com a política local e nacional, sempre recorro a vertentes de áreas completamente cheias de divergências, nuances delicadas e difíceis de serem esclarecidas sem deixar dúvidas, ou margens para longas continuidades sobre o polêmico assunto!

Desta feita, mais uma vez vou falar concretamente, sobre o terrível, maravilhoso e muito discutido abstrato “amor!”

O nome está tão desgastado, que a relação sexual, já é denominada uma afirmação de “fazer amor”, quando na relação sexual o primordial é ecitação, desejo, impacto da beleza, além da questão vulgar e popular de “pele, tesão e sintonia”. É mais que lógico você praticar o ato, somente em função das causas citadas, sem que exista o tal amor. Apenas atendendo uma necessidade fisiológica que brotou numa ou várias oportunidades, como as outras de nossos corpos de: comer, beber, dormir, xixi, defecar, etc., que temos que obedecer as nossas mentes, para não passarmos mal em função da escassez!

O que aconteceu no velho passado, foi que criaram um tabu absurdo sobre o sexo, colocando-o como uma coisa pecaminosa, terrível e proibitiva, com alegações tolas, sem validades, somente amedrontantes, criando uma tradição, que quem faz sem ser maritalmente casado, vai para o inverno. E, por mais incrível que possa parecer, dentro das hipócritas religiões, principalmente as evangélicas, esse discurso proibitivo é bastante acentuado e rigoroso até os nossos dias!

Na minha conceituação, pode-se praticar o sexo eventualmente, com os cuidados devidos, para não contrair doenças transmissíveis, principalmente a HIV, usar camisinhas preventivas, como também não fazer disso uma profissão, sendo apenas para atender as necessidades eventuais, que absolutamente, não estará ferindo ninguém, desde quando não crie problemas para terceiros!

O sexo é uma interação de desejos, proveniente de uma excitação, que jamais pode ser chamado de “amor”, pois, na realidade só existe um amor verdadeiro no mundo, que é o amor materno. Este sim é o verdadeiro, que engloba carinhos, cuidados, respeito, afetos, dedicações, preocupações e meiguices até a morte. Raríssimas são as exceções!

Continuo dizendo que os poetas fazem do “tal amor”, uma linda fantasia que, comprovadamente, consegue alegrar os puros e inocentes. Tenho certeza que serei combatido pelos pudicos, e condenado pelos já fanatizados pelo tal sentimento, tão propalado e idolatrado no mundo!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dia membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

 

 

 

UMA NOITE DE AMOR MARAVILHOSA! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Minha querida Beatriz,

Como foi maravilhosa a nossa saída ontem a noite. Jantamos num luxuoso restaurante, comemos um Bacalhau à Gomes Sá, tomamos cinco garrafas de vinho verde do Porto, sobremesa de Fio d’ovos, um delicioso Cointreau, um cafezinho expresso e, em seguida, uns beijinhos gostosos, você pediu para dirigir, e seguimos para uma noite inesquecível, na suíte presidencial do melhor motel de Salvador!

Curioso de tudo isso minha querida, é que eu me lembro vagamente de tudo que disse acima, mas, depois da nossa entrada no motel, deve ter sido tão fantástica e maravilhosa as nossas deliciosas seções de amor, que minha memória não se recorda completamente de nada. Gostaria que você, ao me responder esse e-mail, me dissesse, detalhadamente, todos os nossos momentos de luxúrias e amor!

Beijos e carícias, aguardando sua resposta!

Seu querido, Fernando Caldas

Fernando,

Nossa noite só foi maravilhosa, até a hora que terminamos o jantar, eu paguei a conta porque você estava bêbado, peguei a chave do carro, coloquei você no banco do carona, começou a babar e dormir, mas, eu imaginando que depois de um banho frio você se reabilitaria, fui para o Motel dos Deuses, entrei, coloquei o carro no box e lhe acordei, pegando-o pela cintura e colocando-lhe na cama. Fui ao sanitário fazer xixi e, na volta, você estava roncando como um porco, boca aberta e a baba saindo sujando o travesseiro. Eu, já puta da vida, porém, com esperança que depois de uma boa ducha, você voltaria a ser o homem que eu esperava que fosse, já que era a primeira vez que saímos para uma noitada sem limites!

Com uma paciência filha da puta, tirei a sua roupa toda, lhe dei umas sacudidas, deixando-o meio acordado, lhe abracei e me encaminhei ao chuveiro. Abri a forte torneira de água fria e lhe botei sentado embaixo. A água batia forte e gelada, mas, você nem parecia sentir. Fiquei nua também e entrei no box, me molhando toda numa água fria pra caralho, consegui com esforço fazer você levantar, passei a alisar seu pau para ver se excitado você voltaria a si, porém, sua rola meu filho estava mais encolhida que cabeça de cágado, escondida que só dava pra ver o saco murcho e despencado. Saímos do box eu lhe sustentando, lhe joguei novamente na cama, com a toalha comecei a nos enxugar. Mesmo com essa merda toda eu estava excitada, pois, tinha me preparado para ter, realmente, uma noite maravilhosa, transando em todas as variações que o tema permite!

Fui ao frigobar, peguei uma água mineral para beber um pouco, e resolvi tentar fazer um boquete com carinho, para ver se você se animava e saía da nostalgia. Comecei a beijar, coloquei em minha boca aquela merda mole e comecei a mamar e, inesperadamente, você balbuciou umas palavras e, simplesmente, deu um peido bem alto em minha cara, super fedido pela mistura de bacalhau e vinho. Porra meu querido, isso me deixou desesperada e a tesão foi para o brejo, uma vez que você não se recuperava de jeito nenhum!

Lhe vesti com um puto trabalho, me vesti também e saímos para o carro você apoiado em mim, paguei no meu cartão as despesas do Motel, segui para seu apartamento, entrei na garagem e com o maior trabalho, pedi ao porteiro para me ajudar, lhe coloquei na cama, deixei as chaves do carro em sua cabeceira, saí, chamei um táxi aplicativo e vim para casa putíssima da vida, e cansada pra caralho. E, pra seu governo, passei o resto da noite com o fedor do seu pum em minha cara, logo na hora que eu estava lhe acariciando meigamente com a língua!

Esta foi sua noite “maravilhosa”, e o porquê de você não se lembrar de nada, foi, praticamente, por ter bebido sozinho as garrafas de vinho, pois, bebi apenas umas duas taças, e terminou dando um vexame FDP, me deixando na mão e, não nego não, ao me deitar, para não terminar a noite no 0 X 0, me masturbei deliciosamente, pensando em Brad Pitt. Não tenha ciúme não, pois, o culpado foi você!

Tem um detalhe: somei a conta do restaurante, o flanelinha e o Motel, deu um total de R$ 614,80, e eu vou querer de volta!

Fernando meu filho, apesar dessa tragédia inesquecível, lhe darei uma outra chance, mas, sem bebidas. Tome esse conselho dos motoristas para você: “Se for foder, não beba!”

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

domingo, 21 de junho de 2026

QUERIDO PRIMO ZEZINHO! (Clique e leia)

(Esse divertido conto é do livro “Vida Louca”, estou repostando para meus novos leitores. Foi lançado em 2004)

Antonio Nunes de Souza*

Como tinha combinado, fui passar o carnaval em Salvador para conhecer a tão falada “maior festa da face da terra”!

E não é que é verdade?  Acabou de acabar, e não me contive em pegar na caneta para escrever-lhe detalhadamente, tudo que me aconteceu. Foi uma das coisas mais estranhas e encantadoras que já vi em toda minha vida de homem nascido e criado no interior!

Pra começar realmente do começo, tenho que lhe dizer que vendi duas cabeças de gado, e apurei 630 contos para destinar à minha folia. Fui à loja de Osvaldinho de Judite, comprei duas bermudas daquelas de várias cores, bolsos e taxinhas (que aqui quem usa é chamado de viado), dizendo que era para dar de presente aos parentes da capital, cortei as mangas de quatro camisas que já estavam meio enxovalhadas, peguei um par de congas azuis e disse pra mim mesmo: Estou pronto para enfrentar as gatas, turistas e os soteropolitanos!

Peguei o ônibus que vem de Brumado e passa aqui pelo vilarejo, isso já com minha sacola da Company que comprei na mão de Zé Camelô, cheia até o gogó pelos meus apetrechos carnavalescos.

A viagem parecia que não acabava mais. Foram cinco horas e meia de solavancos e asfalto, até que chegamos na rodoviária! Não nego não! Fiquei assombrado com o tamanho da cidade e o bolo de gente fazendo uma confusão dos pecados nos embarques e desembarques. Fiquei olhando pra todos os lados a procura de compadre Ziza, que ficou de esperar-me e nada de ver o cara! Encostei em um canto bem exposto para que ele me visse, mas demorou mais de uma hora e nada de aparecer alguém. Comecei a ficar nervoso e sem saber o que fazer, pois ele não tem telefone e, na agonia, tinha me esquecido do papel com seu endereço em casa. Só sabia que o bairro que ele morava chamava-se Cajazeiras!

Puta merda! O que é que vou fazer agora?

Bem, já que eu estava lá e não sou nenhum tabaréu, resolvi ir logo para a Barra, pois havia ouvido falar que lá é que era o circuito da folia (pra mim, circuito era coisa de energia elétrica. Mas... seja o que Deus quiser)!

Rapaz, isso foi no sábado à tarde. E, quando eu consegui chegar, depois de pegar quatro ônibus errados, já passava das vinte três horas. Fui logo me deparando com um trio elétrico, que vinha parecendo um furacão daqueles que a gente vê no cinema em filme de tempestade. O povo vai pulando como loucos e quem estiver na frente eles vão pisando e dando cotoveladas, até arrancar as tripas da gente. Tomei cada pisada nos pés que chegava ver estrelas de tanta dor. Com uma mão eu me defendia dos empurrões e com a outra segurava a sacola com toda força para não a perder. Mas, foi em vão!

Quando um desgraçado de lá de cima do trio gritou: Levanta o pé do chão, galera!  Deram-me um empurrão tão filho da puta, que minha sacola voou longe e eu fiquei apenas segurando a alça como lembrança. Aí eu enlouqueci, pois toda minha roupa e dinheiro estavam dentro dela. E o que eu ia fazer sem roupas, sem dinheiro e sem teto para me hospedar?  Quanto mais eu gritava: Minha sacola!  Minha Sacola!  O povo pulava e me pisava cada vez mais!

Uma mulher, com pena de mim abraçou-me e, beijando-me carinhosamente, afastou-me daquela confusão. Quando paramos em um canto, me refiz e olhei para a mulher para agradecer a filha de Deus, tomei um susto retado, pois a mulher era um travesti!

Empurrei o desviado para trás e disse:  Qualé seu cara! Ta pensando que eu gosto dessas coisas?

-Calma bofe. Estou aqui para ajuda-lo numa boa!

-Vá ajudar a puta que lhe pariu!  Eu vim para Salvador para brincar o carnaval e transar com as mulheres mais lindas do Brasil. Se eu gostasse de viado eu ia passa o carnaval na selva amazônica.

A bicha ficou parada me olhando e, naquele momento, lembrei-me que estava perdido, sem dinheiro, sem roupas e não conhecia ninguém na cidade. Achei que não podia tirar uma de valentão e nem de machão, senão estaria totalmente na merda. Então logo falei: Desculpe cara. É que eu estou desesperado e aflito. E essa situação pra mim é muito estranha. Acabei de chegar do interior, ninguém estava me esperando e agora estou perdido na cidade e sem nem um puto pra poder me hospedar em uma pensão. E logo de cara me bato com você e eu não sou chegado a essas coisas!

-Se você quiser pode ficar em meu apartamento até acertar as coisas. Creia que nada acontecerá entre nós dois. Eu prometo!

-E nem pense nisso. Meu ramo é xoxota desde menino!

-Todos me chamam de Gisele, mas meu nome é Ari e moro na Rua do Sodré, 74, bem perto do Largo Dois de Julho. Vamos até lá para você tomar um banho, eu empresto-lhe umas roupas limpas e vamos procurar os seus parentes. E, ao mesmo tempo em que estaremos procurando, vamos brincando nosso carnaval, e vou mostrando-lhe as belezas de Salvador!

-Tá legal. Mas, somente como amigos. Meu nome é Marcelo. Nada de falar, ou fazer sacanagens. Quando eu voltar mando dinheiro para pagar tudo que você gastar comigo.

Fomos para o apartamento, tomei um puto bando e, quando saí do banheiro, já estava uma macarronada cheirosa e deliciosa esperando-me na mesa, acompanhada de uma cerveja toda anuviada de gelada que estava. Aí eu pensei: Foi Deus que botou esse viado em meu caminho. Está quebrando-me um galho da porra com essa acolhida!

Quando acabei de comer e beber, Gisele apareceu com um short cor de rosa e verde, uma camisa branca cheia de paetês e disse: Vista essa roupa e vamos para a folia. Quando olhei para a indumentária, imaginei logo se a turma da minha cidade visse eu vestido daquela maneira, todo de verde/rosa e paetês, me chamariam logo de bichona da mangueira. Mas, aqui ninguém me conhece, vou tomar todas e curtir o reinado do Momo!

Acredito que vou me dar bem, pois, na minha cidade, todo viado anda arrodeado de mulheres e, com certeza, aqui na capital deve ser bem melhor e vão sobrar muitas pra mim. Isso eu ia pensando enquanto caminhávamos pela Avenida Sete em direção ao Campo Grande. A cidade parecia um formigueiro de tanta gente. E, quando nós íamos passando pela porta do Hotel da Bahia, um grupo de rapazes vestidos de índios, passaram as mãos em nossas bundas e gritaram: Venham cá meninas! Sentem aqui em nossos colos!  Gisele ficou elétrica de alegria, mas eu fiquei puto da vida e xinguei a mãe de todo mundo.

Eles caíram na risada e gritaram:  Meu Deus!  Essa bicha é valentona. Calma minha filha que você vai arranjar um negão do Olodum, que vai deixar você bem calminha e sem poder sentar por uma semana. Há!  Há!!  Há!  Há!

A única coisa que pude fazer foi dar uma risada também, e levar aquela merda na esportiva e curtir meu carnaval. Se a merda do programa tinha dado errado, o que eu tinha agora era de aproveitar a situação para não perder a viagem, tão programada com antecedência!

Ao chegar no Campo Grande foi uma loucura. Era um trio atrás do outro, gente pra caralho e uma esfregação da porra. Gisele segurou na minha mão para que eu não me perdesse de novo, e eu a agarrei firme também, com medo de ser arrastado pela multidão. Ela colocou-se em minha frente, botou as minhas mãos em volta da sua cintura e ia pulando na frente para abrir caminho. Não nego não! Ela mexendo e se esfregando, não deu outra. Mesmo sem querer eu já estava excitado com aquela bunda grudada em minha virilha!

Eu só fiz baixar a cabeça pra não dar um azar de me deparar com alguém conhecido, e me ver naquela situação nada abonadora para um homem sério do interior. Gisele quanto mais sentia o volume, mais requebrava e procurava os lugares mais cheios para a esfregação ser melhor. Tudo isso era novo para mim, mas, no fundo, no fundo, estava até gostoso!

Aquela altura eu já estava suado pra caralho e paramos para comprar umas latinhas de cerveja. Continuamos a caminhada e já estávamos na ladeira da Barra, quase chegando ao porto. Gisele sempre olhava para mim com uma cara safada e perguntava:  Está gostando, Celo?  E eu, para não a desagradar, sempre dizia que sim. Mas, a verdade é que eu estava achando uma loucura total, porém bem divertida!

Ao chegarmos no porto encontramos turistas de todos os tipos (nacionais e internacionais). Uma loura que passava, pegou em meu queixo e disse: Raí du iu du, beibe?  Eu não entendi nada, mas Gisele gritou logo: Qual é a sua, Mona?  O bofe tem dono! A loura seguiu em frente e eu fiquei sem saber qual era o caso!

Paramos em uma barraquinha, e Gisele comprou duas bebidas duplas chamada Capeta, mandou que castigasse na vodka e guaraná em pó, dando-me uma para beber. Como a coisa estava interessante, eu não estava ligando pra mais nada, só queria saber de me divertir e tomar tudo que tinha direito, mandei bala e bebi de uma só talagada. Parecia refresco, mas, quando começou a surtir efeito, minha cabeça ficou a mil. Aquela altura o meu lema era: O futuro a Deus pertence!

Para atravessar do porto até o farol, tivemos que passar por uns becos, que eu nunca vi tantas bichas reunidas em minha vida. Nem parecia que eu estava nesse mundo de meu Deus! Tantos homens se beijando e se agarrando que mais parecia uma suruba de Lúcifer nas profundezas do inferno. Logo que Gisele apontou, um grupo de desvairadas gritou:  Queriiiiiiiiiiiiiiiiiiidaaaaaa, quem é o bofe?  Eu larguei a mão dela rapidamente e fiquei logo escabreado, procurando não querer dar na pinta que tinha algo com ela!

-É meu amigo Celo, que veio do interior passar o carnaval comigo.

Eu já ia abrindo a boca para dizer que não era nada disso. Mas preferi ficar calado, pois explicar alguma coisa aquela altura, era bem pior e não ia convencer ninguém. Dei um sorriso amarelo e todas começaram a beijar o meu rosto, dizendo: Muito prazer, meu lindo. (Puta merda, se alguém da minha cidade me visse agora, eu estaria fodidíssimo e teria que mudar até de país)!

Eu jamais poderia imaginar que Salvador fosse essa putaria toda. Pensei que aqui a gente tomava era muita surra de xoxota em cada esquina, mas, as bichas estão tão loucas e numerosas, que avançam e não dão nem chance para as xerecas. Que concorrência filho da puta!  Só acredito porque estou vendo e sentindo na pele!

Finalmente chegamos no tal do Farol da Barra. Uma concentração de gente que eu nunca tinha visto em minha vida. Parece que o povo do mundo todo tinha se reunido ali para brincar o carnaval!

-Ali é o Edifício Oceania e aquele camarote 2222 no primeiro andar é de Gilberto Gil. Disse Gisele apontando com o dedo num gesto bastante aviadado. Olhei para cima e vi na sacada um cara parecido com Caetano Veloso e perguntei para ela: É ele?

-Claro que é. Caetano é aquele que está junto daquele cara de cabeça branca. Naquele camarote está reunida a fina flor do carnaval baiano e muitas estrelas globais. Mas, para entrar lá só com convite especial!

Nesse momento começou a passar o trio de Ivete Sangalo puxando um bloco, e nós fomos acompanhando e pulando por fora da corda, não deixando de tomar uma porrada de empurrões e pisadas. Mas, estava gostoso demais. Eu já estava no maior fogo pelos efeitos dos capetas, e não soltava mais a cintura de Gisele por nada desse mundo, pois, se a soltasse, poderia me perder e ficar na rua na maior merda e, ao mesmo tempo, não sei se era pelo álcool, mas já estava acostumando-me com a idéia de terminar comendo Gisele!

Quando chegamos em Ondina, isso as quatro e trinta da manhã, eu estava fodido de cansado, os pés inchados, minha conga preta de lama e a roupa molhada de suor.  A danada da Gisele estava quase impecável. Não sei como ela conseguia se manter com a maquiagem perfeita, enganando a quase todos, na condição de não ser mulher (mas, sempre soube que bicha tem arte...).

Eu até gostei disso, pois nem todo mundo percebia alguma estranheza no casal. E aí eu encarar melhor a situação!

Como era o meu primeiro dia e já não aguentava mais, pedi a Gisele para irmos descansar no apartamento, pois precisava dormir um pouco para enfrentar o dia seguinte. Sinceramente, eu nem me lembrava mais de compadre Ziza!

Ela concordou e chamou um táxi pra nos levar. Eu perguntei baixinho em seu ouvido, se ela tinha grana para o táxi, e ela respondeu que sim, pois ela trabalhava com computação gráfica e ganhava bem!

Estava cochilando em seu ombro e acordei quando Gisele avisou que já tínhamos chegado. Ela pagou o táxi, subimos a escada, entramos no apartamento, tomamos um banho quente maravilhoso, comemos alguma coisa e não deu outra: Transamos até o sol raiar!  Digo com sinceridade, não senti falta de xoxota. Gisele é uma mestra em sacanagem e sabe fazer a gente gozar de todas as maneiras possíveis!

Caímos no sono e só acordei às três horas da tarde. Olhei para o lado e vi Gisele nua de barriga pra cima e tomei o maior susto quando vi o seu pau duro pela tesão de mijo, apontando para mim. Logo pensei horrorizado: Putaria como essa, “só se vê na Bahia!”

Pois é, Zezinho, os outros dias de carnaval eu não posso nem lhe contar, mas, quando você vier aqui em Salvador, pode ficar hospedado conosco, que eu e Gisele contaremos maiores detalhes. Não é amor?

–Claro, Celo!  Diga ao primo que mando um beijo pra ele. Tenha

certeza Zezinho, que esse foi o maior carnaval da minha vida!

Um abraço,

                Marcelo

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!!