Antonio Nunes de Souza*
Bastante triste e constrangido,
acabo de sair da Penitenciária do Estado, onde fui fazer uma visita semanal a
alguém que preso muito, que por estar como presidiário, representa um grande
sofrimento para mim!
Para que vocês tenham uma ideia
da extensão do problema que me atormenta, passarei a narrar em detalhes:
Formei-me em engenharia aos 23
anos e fui morar e trabalhar em Aracaju, numa Unidade da Petrobrás. Deixei em
Salvador o meu pai, já viúvo, sozinho em casa, porém, ele era ainda jovem,
apenas sessenta anos, e era uma pessoa interessante e bastante vanguardista, Se
virava sozinha numa boa, sem nenhum problema, apenas, preocupava-se com sua grande
e bem montada loja de materiais para construção!
Devido a sua natureza e o hábito
adquirido durante os trinta anos que conviveu com minha mãe, na primeira
oportunidade que conheceu Rebeca, numa danceteria, uma mulher linda e
maravilhosa, cheia de charmes e seduções, ficou enfeitiçado de tal forma, que depois
de uma noite dançando, bebendo, comendo e, como é natural atualmente, acabou transando
de boa, com as deliciosas liberdades permitidas e condenáveis!
E daí pra frente a coisa se
transformou num namoro, acontecendo que pela liberdade de ambos, com um mês ela
foi de mala e cuia morar com ele, no nosso antigo e bom apartamento, super bem
montado e com três suítes. Só que ela tinha apenas vinte e um anos, mesmo com uma
aparência de mulherão!
Acontecei que, como ocorre
sempre, a Petrobras me transferiu para a Refinaria de Mataripe, tendo eu que
morar em Salvador novamente. Fiquei super feliz ter a oportunidade de retornar
para minha querida Bahia. E, assim que comuniquei ao meu pai, ele falou-me da
sua união com Rebeca, porém, fazia questão que eu fosse morar com eles, já que
o apartamento era enorme e ele sentia muitas saudades de mim. Embora meio
chateado, pois, tiraria minha liberdade, resolvi temporariamente ficar com eles
e, logo que possível, daria o fora indo morar sozinho!
Voltei, conheci Rebeca, realmente
era muito linda, e devido as intimidades normais em casa, ela sempre estava de
short, bermudas sumárias, roupas transparentes e decotadas, que, mesmo sem
nenhuma pretensão, passou a bolir com minha excitação, inclusive eu passei a
perceber, que ela fazia tudo isso para me provocar (sou um homem muito bonito),
principalmente quando meu pai não estava presente. E com essas investidas dela,
juntas aos meus desejos de homem, terminou um dia acontecendo o que jamais
poderia acontecer. Fodemos loucamente, ela uma mulher jovem, mas, bastante
experiente, pois, vim a saber posteriormente, que quando meu pai a pegou, ela
era “garota de programa”, e com isso, fazer boquete, sexo anal e vaginal, para
ela eram de uma rotina prática e fenomenal, deixando-me completamente saciado,
e ao mesmo tempo, querendo ainda mais!
Logo que descansamos, vi a
loucura que tínhamos cometido, mas, ela cinicamente, disse-me que adorou e que
não me perdoaria, se não lhe proporcionasse outras vezes momentos como aqueles.
Fiquei assustado com a situação, principalmente por estar envolvendo meu
querido e adorado pai, que com certeza, me ama profundamente!
Sem nos controlarmos, continuamos
essas aventuras por uns meses, até que um dia a casa caiu. Meu pai retornou no
meio do dia e, nos flagrou ambos nus na cama em plena transa anal, Rebeca
mexendo e gemendo, e eu bombando deliciosamente em sua deliciosa bundinha. Foi
um verdadeiro descalabro, pois, meu pai enlouquecido, pegou uma arma e, sem hesitar,
descarregou toda em Rebeca, enquanto eu, tremendo de medo e vergonha, esperava
a minha vez. Mas, mesmo totalmente atordoado, ele falou: Não tenho coragem de
matar meu próprio filho, mesmo ele sendo o meu traidor!
Ele foi preso, condenado a doze
anos e quatro meses, e não disse que a pessoa do fato era eu, que apenas o cara
fugiu e ele não viu o seu rosto, e que Rebeca estava morta e nada poderia
dizer. E, mediante a situação, aos poucos as raivas foram desaparecendo, passei
a visita-lo habitualmente, e hoje é um desses tristes dias. Mas, jamais pude me
perdoar por ter deixado meus desejos sexuais, suplantarem vergonhosamente o meu
caráter e a minha razão!
São coisas inusitadas que
acontecem nessa Vida Louca que vivemos!
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!