Antonio Nunes de Souza*
Acontecem coisas em nossas vidas,
que são totalmente inexplicáveis, parecendo intricados enredos das novelas
globais, principalmente quando os fatos acontecem completamente inesperados. E
eu, como não sou diferente de ninguém, um desses fatos aconteceu exatamente
comigo.
Sou moradora de uma cidade do
interior, porém, uma cidade grande com quase quinhentos mil habitantes, que não
é daquelas que todo mundo se conhece. Aqui fiz o secundário e faculdade de
economia, que depois de formada passei a ter um bom status, vivendo
tranquilamente, mesmo não tendo me casado estando já com trinta e cinco anos.
Aconteceu na minha juventude eu
me apaixonar loucamente por um rapaz, porém, como ele era um pouco mais velho e
desempregado, além de ter deixado os estudos, minha família criou problemas e
proibiu veementemente que eu continuasse com o namoro. Para mim foi uma
tragédia, pois, essas paixões da juventude são bastantes fortes e tolas, que
nós achamos logo que é o amor de nossa vida, e que sem ele é preferível a morte.
Uma imaginação idiota que suponho que todos já sentiram nessa ocasião. O fato é
que após o término, nunca mais me encontrei com Roberto, já que ele morava no
outro lado da cidade, eu entrei pra faculdade, novos amigos e ambientes, alguns
namoricos, que fez eu parar de sofrer a perda, porém, as boas lembranças
ficaram gravadas fortemente em minha mente!
Certo dia de sábado, que não
trabalho, resolvi fazer um estrogonofe ao meu gosto para almoçar, e,
inesperadamente, o gás acabou deixando-me na mão. Aí, rapidamente peguei o
telefone e liguei solicitando um botijão com urgência, que eu pagaria extra.
Fui bem atendida e disseram-se que com vinte minutos estariam fazendo a
entrega. Achei demorado, mas, como o trânsito sempre atrapalha, achei justo o
tempo que foi dito. E no horário previsto parou um automóvel em minha porta,
achei estranho, porém um homem saltou, foi na mata do carro pegou o botijão
pela alça e veio caminhando em minha direção. Foi aí que tomei o maior susto,
pois, o tal homem era exatamente Roberto, meu antigo e velho amor juvenil. Nos
olhamos assustados, e logo começamos a rir, nos abraçamos, entramos e começamos
a conversar, esqueci completamente da comida, e ele falou que era dono de uma
distribuidora de gás, e por coincidência foi ele que recebeu o pedido no
telefone, e pelo nome da solicitante ser Lúcia Campelo, ele imaginou que poderia
ser eu, então resolveu ele mesmo fazer a entrega, para confirmar se era
realmente. Juro que meu coração passou a bater forte, despertando um velho amor
e paixão, que tinha deixado marcas fortes em meu coração. Ao mesmo tempo
percebi que também havia algo por parte dele também.
Depois de conversarmos bastante,
ele convidou-me para almoçar fora, que me ofereceria um estrogonofe para
comemorar nosso reencontro. Lógico que aceitei de imediato e, como o destino
desejava que acontecesse, reatamos o namoro, com meses casamos e já temos dois
lindos filhos.
Nossa história é surreal e
fantástica. Mas, nos deixou super felizes. São coisas que acontecem nessa vida
louca que vivenciamos!
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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