Antonio Nunes de Souza*
Minha
querida Beatriz,
Como
foi maravilhosa a nossa saída ontem a noite. Jantamos num luxuoso restaurante,
comemos um Bacalhau à Gomes Sá, tomamos cinco garrafas de vinho verde do Porto,
sobremesa de Fio d’ovos, um delicioso Cointreau, um cafezinho expresso e, em
seguida, uns beijinhos gostosos, você pediu para dirigir, e seguimos para uma
noite inesquecível, na suíte presidencial do melhor motel de Salvador!
Curioso
de tudo isso minha querida, é que eu me lembro vagamente de tudo que disse
acima, mas, depois da nossa entrada no motel, deve ter sido tão fantástica e
maravilhosa as nossas deliciosas seções de amor, que minha memória não se
recorda completamente de nada. Gostaria que você, ao me responder esse e-mail,
me dissesse, detalhadamente, todos os nossos momentos de luxúrias e amor!
Beijos
e carícias, aguardando sua resposta!
Seu
querido, Fernando Caldas
Fernando,
Nossa
noite só foi maravilhosa, até a hora que terminamos o jantar, eu paguei a conta
porque você estava bêbado, peguei a chave do carro, coloquei você no banco do
carona, começou a babar e dormir, mas, eu imaginando que depois de um banho
frio você se reabilitaria, fui para o Motel dos Deuses, entrei, coloquei o
carro no box e lhe acordei, pegando-o pela cintura e colocando-lhe na cama. Fui
ao sanitário fazer xixi e, na volta, você estava roncando como um porco, boca
aberta e a baba saindo sujando o travesseiro. Eu, já puta da vida, porém, com
esperança que depois de uma boa ducha, você voltaria a ser o homem que eu
esperava que fosse, já que era a primeira vez que saímos para uma noitada sem
limites!
Com
uma paciência filha da puta, tirei a sua roupa toda, lhe dei umas sacudidas,
deixando-o meio acordado, lhe abracei e me encaminhei ao chuveiro. Abri a forte
torneira de água fria e lhe botei sentado embaixo. A água batia forte e gelada,
mas, você nem parecia sentir. Fiquei nua também e entrei no box, me molhando
toda numa água fria pra caralho, consegui com esforço fazer você levantar,
passei a alisar seu pau para ver se excitado você voltaria a si, porém, sua
rola meu filho estava mais encolhida que cabeça de cágado, escondida que só
dava pra ver o saco murcho e despencado. Saímos do box eu lhe sustentando, lhe
joguei novamente na cama, com a toalha comecei a nos enxugar. Mesmo com essa
merda toda eu estava excitada, pois, tinha me preparado para ter, realmente,
uma noite maravilhosa, transando em todas as variações que o tema permite!
Fui
ao frigobar, peguei uma água mineral para beber um pouco, e resolvi tentar
fazer um boquete com carinho, para ver se você se animava e saía da nostalgia.
Comecei a beijar, coloquei em minha boca aquela merda mole e comecei a mamar e,
inesperadamente, você balbuciou umas palavras e, simplesmente, deu um peido bem
alto em minha cara, super fedido pela mistura de bacalhau e vinho. Porra meu
querido, isso me deixou desesperada e a tesão foi para o brejo, uma vez que
você não se recuperava de jeito nenhum!
Lhe
vesti com um puto trabalho, me vesti também e saímos para o carro você apoiado
em mim, paguei no meu cartão as despesas do Motel, segui para seu apartamento,
entrei na garagem e com o maior trabalho, pedi ao porteiro para me ajudar, lhe
coloquei na cama, deixei as chaves do carro em sua cabeceira, saí, chamei um
táxi aplicativo e vim para casa putíssima da vida, e cansada pra caralho. E,
pra seu governo, passei o resto da noite com o fedor do seu pum em minha cara,
logo na hora que eu estava lhe acariciando meigamente com a língua!
Esta
foi sua noite “maravilhosa”, e o porquê de você não se lembrar de nada, foi,
praticamente, por ter bebido sozinho as garrafas de vinho, pois, bebi apenas
umas duas taças, e terminou dando um vexame FDP, me deixando na mão e, não nego
não, ao me deitar, para não terminar a noite no 0 X 0, me masturbei
deliciosamente, pensando em Brad Pitt. Não tenha ciúme não, pois, o culpado foi
você!
Tem
um detalhe: somei a conta do restaurante, o flanelinha e o Motel, deu um total
de R$ 614,80, e eu vou querer de volta!
Fernando
meu filho, apesar dessa tragédia inesquecível, lhe darei uma outra chance, mas,
sem bebidas. Tome esse conselho dos motoristas para você: “Se for foder, não
beba!”
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
Nenhum comentário:
Postar um comentário