Antonio Nunes de Souza*
Eu
trabalhava na estação rodoviária, numa empresa de transportes que fazia linhas
estaduais e nacionais com uma frota de ónibus de primeira qualidade,
considerados de ponta em todo Brasil. Minha função era de rodo-moça nas viagens
para estados do sul e, eventualmente, para o centro-oeste!
Era
um trabalho bastante cansativo e um pouco desgastante, porém, nos proporcionava
conhecer várias cidades, muitas pessoas interessantes e agradáveis, já que a
linha interestadual é servida com os mais modernos veículos, providos de
confortos maravilhosos, refeições de primeira a bordo, e outras coisas mais que
sejam solicitados pelos clientes, pois, pagam tarifas bem mais caras que as
normais. Assim sendo, sempre estou cercada por pessoas educadas e de classe!
O
fato que me aconteceu foi numa viagem a São Paulo, que demora de Salvador até
lá 14 horas, que numa parada para uma pausa de descanso, estirar as pernas e
fazer pequenas compras de lembranças, eu percebi um homem super charmoso e
bonito, que eu não havia reparado durante o trajeto. Fiquei um tanto fascinada
e resolvi encostar nele, que estava olhando uns cinzeiros de pedra sabão!
-Está
gostando da viagem senhor? Nossa empresa sempre gosta de saber a satisfação dos
seus clientes!
-Estou
me sentindo muito bem. As boas informações que me deram estão batendo, e até
muito mais, pois, não me falaram que viajaríamos com moças tão lindas como
você!
-Dei
um sorriso e agradeci, vendo que além de bonito era também um galanteador que
não perde tempo. Orientei ele na compra do cinzeiro, que ele disse que seria um
presente, pois, não fumava. E com dez minutos, voltamos todos aos seus marcados
lugares, sendo que ele me solicitou que fosse sentar na parte de traz, já que
estava quase vazia, e ele se sentiria mais a vontade. Concordei já que nada
custava, ele se aconchegou na última fila de poltronas e seguimos nosso
percurso!
Como
já tinha servido o jantar, todos estavam, começando a cochilar e dormir um
pouco, eu estava na cabine especial para os motoristas e rodo-moça, quando a
sinalização da poltrona 39 piscou, sinalizando minha presença. Eu fui
imediatamente e quando cheguei, vi que era o tal homem. Ele então com a maior
desenvoltura me disse: Estou sem sono, gostei de você e adoraria que sentasse
ao meu lado um pouco para conversarmos, e nos conhecer melhor. Como o lema da
nossa empresa é atender bem e como ele era um gato charmoso, não pensei duas
vezes. Sentei ao seu lado e disse que seria um prazer!
Ele
se apresentou, disse que se chamava Waldir e trabalhava para o Estado da Bahia,
era agente da polícia civil, e estava indo a Sampa em viagem de férias. Eu
disse que além de rodo-moça era estudante de engenharia, já cursando meu último
semestre, Continuamos conversando, trocando ideias, rindo, ele disse que era
filho de salvador, eu disse que era de Buerarema, fato que com uma hora, já
todos dormindo ele já com certa liberdade que eu estava sutilmente dando, me
abraçou e começou a me dar beijos no rosto, e vendo que eu estava aceitando de
bom grado, beijou a minha boca, que logicamente, correspondi a altura, fazendo
aquela mistura lingual que nos excita profundamente!
-Daí
pra frente o coro comeu de toda forma, eu me desliguei completamente da minha
função, pensando apenas em dar e receber prazer. O molejo do ónibus ajudava
muito, que nem precisávamos de fazer o vai e vem, tudo transcorreu as mil
maravilhas. Ao acabar, não havia cara de censura em mim e ele demonstrava estar
bastante feliz. Sorrimos nos recompomos, trocamos endereços, celulares, etc. e
marcamos para nos encontrar na sua volta na semana seguinte!
-Hoje,
já trabalhando na área da minha formação, estou casada com Waldir, temos filhos,
e minha maior preocupação é com o seu trabalho, que é bastante ariscado, mas,
atualmente e infelizmente, nos arriscamos em tudo que fazemos na vida!
Não
posso negar que essa foi a melhor viagem de minha vida e, logicamente, jamais
esquecerei!
*Escritor-Historiador,
cronista, poeta e um dos Membros funddores da Academia Grapiúna de Letras!
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