Antonio Nunes de Souza*
Filho de pobre “de maré de si”,
desde menino sempre trabalhei, primeiro vendendo bombons nos semáforos, depois
entregando jornais, vendendo picolé e uma série de outras coisas, não só para
mim, como também ajudar em casa, uma vez que meu pai vivia de bicos e minha mãe
lavadeira de algumas famílias, como era costume no passado, antes das máquinas
de lavar. Sendo assim, com essa vida difícil pra cacete, fui crescendo, fiz
apenas o curso primário, achando que já era o suficiente, já que não tinha
tempo para escolas. Vocês estão vendo que eu levava uma vida PDP, até que
adulto, com meus vinte anos, consegui um emprego para lavar pratos e panelas em
um ótimo restaurante, sendo um emprego bem sacana e cansativo, mas, para mim
foi um alívio, já que teria carteira assinada, direitos trabalhistas e
assistência de saúde. Juro que me senti realizadíssimo, chegando no bairro para
contar a turma com o maior orgulho (veja como pobre com qualquer coisinha fica
feliz e se acomoda).
Como não sou um pobre
diferenciado, me acomodei no meu emprego e trabalho na cozinha. Até que um dia,
em função da realização de um grande movimento, e por greve dos ônibus,
faltaram três garçons, meu patrão preocupado com o grande atendimento diário,
mandou eu vestir a roupa de garçom e ir trabalhar no salão com bastante cuidado,
e sempre pedindo opiniões aos outros e ao maitre. Ficando para mim, apenas
retirar os pratos sujos, copos, garrafas, além de mudar as toalhas e arrumar as
mesas para os novos clientes. Para mim que já tinha alguns anos no ambiente, vi
logo que tiraria tudo de boa.
E foi o que aconteceu, atendendo
com a maior presteza, até levando cardápios para clientes, trazendo bandejas
para mesas, e meu patrão observando-me, depois de encerrado o expediente a noite,
chamou-me e disse: A partir de amanhã você vai trabalhar no salão como “cumim
(que é o serviço de limpar e arrumar as mesas). Fiquei tão feliz e surpreso,
que quase dava um beijo nele como agradecimento!
Aí começou a minha vida no salão,
que em pouco tempo passei a ser realmente um garçom qualificado. Passado algum
tempo, eu já mais educado, decorado todo cardápio para dar explicações aos
clientes, sempre elogiado pelo Maitre, passei a ganhar mais, gorjetas gordas em
função da rica clientela, estando tudo às mil maravilhas. Passados alguns
meses, foi realizado um grito de carnaval, lançamento de dois trios elétricos,
e logicamente abarrotaria o restaurante, já que ficava bem em frente ao evento.
E foi uma verdadeira loucura, um movimento fora do comum, bebidas rolando aos
montes, que depois de passar a tarde e o meiado da noite, uma mulher que era
cliente nossa, entrou sozinha, completamente embriagada, e como ela era
conhecida e de projeção, meu patrão a colocou em sua sala, pedindo-me que
ficasse lá fazendo companhia, até ela melhorar, que depois a mandaria um
aplicativo leva-la. Sem alternativa aceitei a incumbência endo para a sala do
patrão levando-a comigo, pegando0a pela cintura. Ao chegar ela disse que queria
tomar um banho, pois estava suadíssima e assim passaria a ressaca que estava
sentindo. Levei-a até o banheiro, encostei a porta e sentei-me esperando ela
dizer alguma coisa ou precisar de algo. Aproveitei e fui buscar uma toalha para
ela. Mas, ao voltar ela estava nua deitada no sofá e pediu para eu enxuga-la.
Fiquei assustado, mas, logo ela falou com tanta veemência, que não tive
alternativa senão obedece-la. Aí, quando comecei sempre olhando para o outro
lado, inesperadamente ele colocou a mão em meu cacete apertando, que imediatamente
ele reagiu. Porém, com um puto medo de meu patrão aparecer e eu me foder
solenemente, perdendo meu ótimo emprego. Mas, quando ela desceu o zíper da
minha calça e gulosamente começou a me fazer um boquete, esqueci trabalho e as
porras todas, já que sexo tira qualquer um do sério.
Transamos das mais modalidades
possíveis, ela era treinadíssima em aula de sacanagem, fazendo eu me sentir
abençoado com suas dadivosas ações sexuais!
Terminada nossa seção de fodistério,
ela vestiu-se e saiu sem ao menos dar um até logo. Eu me arrimei, voltei para o
salão, falei com o patrão que ela melhorou e tinha ido embora. Ele me
agradeceu, coisa que eu é que teria de agradecer pelos meus inesperados
momentos de prazer.
Passados uns dias, ela apareceu
com o marido ao lado, eu fiquei nervoso e preocupado, mas, felizmente, ela nem
olhou para minha cara, jantaram e seguiram, sem ela nada falar, como se nem me
conhecesse, ou talvez, com o efeito da bebida nem tenha se lembrado do ato que
praticou. Quanto a mim, jamais esqueci essa louca aventura, continuo em meu
emprego, tendo em mente a realidade, que no restaurante “o garçom serve, mas,
também come!”
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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