sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

CARNAVAL O SAUDOZISMO BATE FORTE! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Não posso deixar de dizer que, infelizmente, hoje já não estou preparado e cheio de euforia e tesão, para enfrentar uma semana de porralouquices no maravilhoso carnaval de Salvador!

Como posso deixar de lamentar meus quase quarenta anos brincando, dançando, paquerando e na maioria das vezes terminando com belíssimas fodas escondidas da madame, na rua pelos cantos, no carro ou somente acontecia em casa, quando voltávamos eu e a patroa, que não deixava de ser também uma gostosura, mesmo sendo caseira e habitual. Todo isso era divertido, alegre e perdoável, pois, carnaval é uma puta festa, que não tem limites para as loucuras e extravagâncias. Tudo que você faz nesses dias, são coisas consideradas naturais e normais, ficando as idiotas condenações e pecados, para outras ocasiões de dias comuns, porque os dias de carnaval nunca serão normais nem comins!

Fui um freguês assíduo da Praça Castro Alves, chegando ao ponto de ficar tremendamente conhecido das baianas e vendedores ambulantes, que até guardavam meu lugar, quando eu atrasava um pouco. E eu estava sempre acompanhado dos meus manos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paulinha, Mabel, Rodrigo, Roberto, Nicinha, Irene, Carlos, Clara, J. Veloso, Maria, Beto e sua linda Mulher Caribé, Maria Bethânia, Gal Costa, Marina Lima, Chico Mota e Célia, Tonho Matéria, Geraldo Abadá, e muitos e muitos artistas globais. E não posso deixar de citar meus queridos amigos, Marcos, Maurício, Hiltinho, Marcelo, Dão e outros, que se for nomeá-los vai encher dezenas de páginas, pois, também tinham aqueles de outros estados, que eram figuras certas anualmente!

Sem ligar para as multidões, saí dezenas de vezes do meu lugar, e com Caetano entrávamos no meio da pipoca e depois de pular bastante, subíamos num trio elétrico que passava, Caetano cantava umas músicas, depois descíamos voltando aos nossos lugares na estátua do grande maestro. Fiquei tão conhecido no pedaço, que quando as pessoas do Rio e Sampa perguntavam a Caetano como poderiam encontra-lo no carnaval, ele respondia: “Vá na Praça Castro Alves e se você ver um cara alto de cabeça branca junto a estátua, eu estou ao seu lado!” (tenho cabelos brancos desde os 30 anos).

Como Caetano recebe Abadás de todos os Blocos, nas tardes que tinha disposição, eu saía em alguns deles, mas, somente pequenos percursos.

Nessas minhas maravilhosas loucuras momescas, não posso esquecer, o dia que fomos (eu e minha mulher) como convidados especiais, para desfilar na Mangueira, que estaria homenageando os “Doces Bárbaros (Gil, Caetano, Bethânia e Gal). Foi uma verdadeira glória, pois, ficamos numa ala “Amigos dos Doces Bárbaros”, onde só tinha estrelas e astros, não só do teatro, televisão, como também dos esportes. Como fiquei ao lado da atriz Malú Mader (que arrasava na época), fomos bastante filmados durante o desfile. Cheguei ao final da apresentação literalmente fodido, pois, você é estimulado e obrigado a não parar de sambar, para valorizar a nota da escola junto os jurados!

Não posso de jeito nenhum, deixar de citar as noitadas maravilhosas e nababescas, nos luxuosos camarotes 2222 de Gil e o de Daniela Mercury, onde além de ter as maiores mordomias possíveis, reúne-se a nata “creme de la creme” das lindas e famosas mulheres nativas, nacionais e internacionais. Sentia-me um privilegiado e verdadeiro Paxá!

Para que vocês tenham uma ideia mais precisa, depois de 1966 que vim morar em Itabuna, passei a ir para Salvador uma semana antes da abertura do carnaval, e sempre voltava uma semana depois, pois, na quinta ou sexta feira de cinzas, eu alugava uma grande escuna, enchia com esses amigos, comida e bebidas que todos participavam, e fazíamos um passeio maravilho pela Baía de Todos os Santos, parando em praias paradisíacas e virgens, e no fim da tarde um delicioso almoço de Moqueca de Peixe com Camarão  na bela Ilha de Maré. Passeios esses, que lembro-me babando de saudades!

Tudo isso é uma pequena parte da minha inesquecível maratona carnavalesca, que, infelizmente, os anos não trazem mais, excetuando na minha ótima e gloriosa memória. Vale dizer, que fiz essa zorra toda com o suor do meu trabalho, pois, nunca herdei porra nenhuma na vida!

Aproveitem minha gente, pois, a festa está começando, e hoje está até bem melhor, pois, não tem dia para terminar!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!

 

Nenhum comentário: