Antonio Nunes de Souza*
Embora carnaval seja um evento de
muita diversão, criado para que todos se soltem e satisfaçam seus desejos
muitas vezes reprimidos, sem que tenham receios de condenações e censuras,
normalmente partidos da hipócrita sociedade!
Mas, mesmo com esse principal
intuito, nem sempre acontece como as pessoas envolvidas (os foliões), se deem
bem como esperavam, já que assim como pode se divertir do jeito que o “diabo
gosta”, também pode acontecer uma tremenda zebra em plena folia momesca. Aliás,
esses vexatórios fatos acontecem em todas ocasiões de nossas vidas, mas, nas
festas das sacanagens muito liberadas, as merdas e alegrias são sempre mais
acentuadas!
Como tenho amizades em todas
vertentes de gêneros (masculinos, femininos, neutros e inovados), por
curiosidade e para aproveitar escrevendo algo a respeito, resolvi conversar com
quatro dessas pessoas amigas, para colher as suas experiências durante o
carnaval que acabou de acabar, sendo que na verdade nunca acabará, pois, jamais
terá fim nesse Brasil de trabalhadores felizes, cantantes e dançantes!
Alexandre, que é arquiteto,
hétero desde a infância, disse-me que beijou muito, se esfregou bastante e
transou o suficiente, algumas vezes sem mesmo saber os nomes das parceiras de
bloco, já que elas também estavam ávidas para dar, sem a preocupação de
relacionamentos. O importante era gozar os sublimes momentos com músicas, danças
e bebidas para espantar a timidez. Pode-se ver que se deu bem numa boa!
Raquel, enfermeira de mão cheia,
já com seus 35 anos, também não deixou por memos. Falou que conheceu um gringo
americano, que além de cheio da grana, bancando as maiores mordomias e hotel 5
estrelas, ainda lhe deu presentes e disse que vai mandar uma passagem para eu ir
passar uns dias com ele em Nova York. Melhor não poderia ser!
Já Túlio, dono de um salão
chique, homo declarado sem nenhum pudor, falou-me que tinha brigado na véspera
com seu crush, e assim sendo, resolveu soltar a franga no bloco de Margareth
Menezes que é super “colorido”. Tendo a felicidade de se bater com um paraibano
bonito, que tinha uma “mala” enorme e grossa, que em princípio lhe assustou.
Mas, depois da primeira vez, que até saiu lágrimas dos olhos, as restantes
foram deliciosas. Ele passou a usar Vickvaporube no membro para não me magoar
muito e, até hoje, quando eu dou um peido sinto um frescor no cu, que parece
que chupei bombom de hortelã. Estou adorando e com saudades, mas, prometi ir
passar São João com ele na Paraíba. Mas, que iria fazer as pazes com o crush,
que é um velho amor e existia afetividade além de sexo!
Infelizmente, minha querida amiga
Mariana, que é lésbica assumida e faz questão de não esconder, usando sempre roupas
masculinizadas, cabelos e outros truques. Por estar solteira, e estar vindo de
um término meio tumultuado, resolveu brincar muito, mas, totalmente livre,
apenas desfrutando alguns lances que pintassem no meio da multidão. Porém, por
ironia do destino, até as próprias mulheres que são do ramo, não gostam mais
desses tipos sapatão e coronéis, preferindo as doçuras características das
mulheres, e assim sendo, sempre que se aproximava de um grupo era logo
rechaçada, todas dando as costas. Aí, já na segunda feira, deu ima louca e
resolveu tirar uma de mulher para variar. Vestiu uma mini saia e blusa
mostrando a barriga, se arrumou com pinturas, partindo para uma aventura que há
muitos anos tinha abandonado. Foi para a Barra, entrou na pipoca de Yvete
Sangalo, ciscando como se fosse uma galinha no cio. E do jeito que estava se
oferecendo, apareceu logo um cara fortão que lhe agarrou pela cintura e foi
ligo beijando sem autorização, mas, como estava ela afim de algo diferente,
deixou o barco correr, distribuindo de boa, os beijos e as carícias que lhe
eram feitas. Porém, depois de dois dias juntos num hotel que ela levou, transaram
em demasia, mas, infelizmente, o bandido do cara, pegou sua bolsa com o celular,
dinheiro e cartão de crédito e fugiu no meio da noite, deixando-a louquíssima
quando acordou, pois, sem um puto e sem condições de pagar as despesas do
hotel, teve que apelar para uma amiga, para socorre-la nesse vexame terrível.
Passados uns dias, ainda apareceram indícios que ela estava com doença venérea.
Provando que tinha tido um puto azar!
Quando acabou de me narrar essa
tragédia, ela disse-me enfaticamente: Nunca mais deixo um homem encostar em
mim!
Casos similares devem ter
acontecidos, alguns melhores e outros piores, mas, tudo isso faz parte da vida,
e prova que carnaval não é somente um evento de alegrias!
*Escritor, Historiador, Cronista,
Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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