Antonio Nunes de Souza*
Meu
avô homem sábio e grande filósofo nas citações populares, sempre, ou em algumas
ocasiões que cabia, dizia esse adágio que me divertia bastante: “Quem refresca
cu de sapo é lagoa!”
Eu
dava boas risadas, mas, como ainda não tinha me ocorrido nada que se ajustasse
a essa sentença, pouco me preocupava. Porém, como todos nós estamos passivos de
revezes em alguma ocasião da vida, por ironia do destino, um dia aconteceu
comigo!
Já
adulto, formado em administração de empresas, porém, me dediquei mais a área
comercial e tinha uma loja de materiais de construção com um excelente estoque,
clientela sólida, e bom conceito pela qualidade dos produtos que
comercializava!
Com
a minha facilidade nas compras, obviamente, com preços bem mais baratos,
resolvi convidar um engenheiro e começar a construção de um pequeno edifício de
três andares, com apartamentos de dois quartos, sendo dois por andar. O terreno
eu já possuía por herança, e combinei que o engenheiro entraria com todo
trabalho de projeto, plantas, assistência e fiscalização da obra, tendo como
compensação, os dois apartamentos do terceiro andar, enquanto a minha parte,
seria o fornecimento de todo material necessário!
Começamos
a obra, Maurício Marques, o engenheiro, rapaz ainda jovem que se formará há
apenas dois anos, vibrava e trabalhava bastante, sentindo-se feliz por ser a
sua maior obra. Fizemos boa amizade e ele passou a frequentar a minha casa com
certa assiduidade, chegando a muitas vezes almoçar, ou jantar comigo e minha
mulher Maria Karla. O fato é que, com esse piseiro em minha casa, muitas vezes
eu não podia ir almoçar pelo movimento da loja, terminava ele almoçando sozinho
com Maria Karla e, como ela era uma mulher fogosa e ele um jovem bonito,
aconteceu logo um romance entre os dois, passando a transarem durante o dia que
eu estava fora, e ele largava a obra e ia, tranquilamente, comer a minha
mulher!
Isso
aconteceu durante um ano, tempo que durou para os finalmentes da construção, e
eu, idiotamente e sem perceber, refrescando o cu do sapa como se fosse uma
lagoa!
Mas,
como tudo de errado um dia a casa cai, e foi o que aconteceu. Eu precisei ir em
casa no meio da tarde e, entrando com minha chave, fui lentamente caminhando
para meu quarto, e ouvi uns chiados característicos de alguém fodendo,
exatamente os gemidos de Karla muito conhecidos por mim. Aí, sorrateiramente,
nas pontas dos pés, olhei pela porta entre aberta e, para minha grande
surpresa, Maurício estava nu enfiando até o cabo em Karla que, loucamente mexia
e com os olhos fechados, soltava seus ruídos peculiares que fazia quando
gozava. Nessas horas somente dá vontade de pegar um revólver e matar os dois,
mas, essa é uma atitude idiota, pois, somente vai foder a minha vida, ficar
como assassino e corno ao mesmo tempo. Logicamente, uma atitude de otário precipitado.
O importante é ter sangue frio, pensar e tomar posições que menos lhe
prejudique. Mesmo puto da vida, voltei para loja e continuei com minha rotina,
como se nada tivesse acontecido!
Na
manhã seguinte, chamei Maurício para ir comigo visitar a obra, escolher as
janelas que seriam de alumínio. Como a parte de pedreiros já havia terminado,
na obra apenas estava o vigia. Subimos a escada, eu e Maurício e, quando chegou
no terraço acima do terceiro andar, eu fiz que escorreguei e empurrei ele como
se fosse um acidente, para caso ele sobrevivesse, e vi o filho da puta
despencando de cabeça, fazendo um grande baque na queda de uns dez metros.
Desci correndo e, fatalmente, ele morreu no local com o pescoço quebrado e
alguns ossos mais! Começou a juntar gente, eu falei que ele tinha escorregado e
caído, todos nem dúvidas tiveram, pois, éramos amigos e meu conceito era e é
ilibado!
Providenciei
logo avisar a sua família que era de Aracajú, seus pais vieram para o enterro,
eu, como amigo cobri todas as despesas e, como não tinha nenhum contrato com
relação aos seus direitos dos apartamentos, foi uma combinação verbal de
confiabilidade, como ele, que foi sacana comigo, eu também fui com ele em dose
dupla. E, para demonstrar a minha gratidão e benevolência, coloquei o nome do
Edifício Maurício Marques!
Como
sou bastante calmo e frio para resolver qualquer coisa, por mais complexa que
seja, esperei mais dois meses e, como não era oficialmente casado com Karla e
tínhamos apenas um ano que eu havia trazido ela de Salvador para morar comigo,
dei uma desculpa meio esfarrapada e terminei o romance, mandando ela arrumar
seus panos de bunda, deu algum dinheiro e mandei ela para puta que pariu com a
maior classe. A cachorra, cínica, ainda pedia para ficar repetindo que me amava
loucamente!
Hoje
eu estou tranquilo, vendi três apartamentos e tenho três alugados, ampliei
minha loja, transformando-a em um grande magazine, estilo super mercado, me
casei com a linda filha do prefeito e, em função do meu conceito de homem de
bem, meu sogro está querendo me apoiar para substitui-lo na próxima eleição!
Procedi
desta forma, relembrando as palavras do meu querido avó, e vendo que eu não era
lagoa para refrescar o cu do sapo Maurício e nem a perereca de Maria Karla!
*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um
dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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