domingo, 11 de janeiro de 2026

O MEU PRIMEIRO EMPREGO! (Clique e leia)

Antonio Nunes de Souza*

Não sendo filha de rico ou classe média, geralmente é foda quando chegamos aos 18 anos, e precisamos trabalhar para nos sustentar. Sendo pobre as experiências adquiridas em casa não passam de um curso de babá tomando conta dos irmãos pequenos, ou de empregada doméstica ajudando na cozinha, lavagem de roupas e arrumação da casa. Percebe-se logo que tudo isso, tem uma representatividade merda para o mercado de trabalho, apenas capacitando para dar continuidade a triste vida de pobre, que com sorte, conseguirá um emprego ganhando salário mínimo!

Comigo não foi nada diferente, pois vivenciei todos esses atos, porém, com um puto sacrifício estudava e, felizmente, consegui terminar o curso secundário, dando-me uma melhor condição para arranjar um trampo mais legal, ganhando um pouco mais. E sem perder tempo fui a luta, distribuindo currículos aos montes, na esperança de ser chamada o mais rápido possível. Mas, os FDPs dos donos de lojas e empresas em geral, sempre diziam que sem experiência não dava. Porra meu amigo, como posso ter experiência se é meu primeiro emprego? Ouvir essa desculpa sacana, me deixava emputecida e com raiva de sentir na pele a falta de solidariedade e humanismo, dessa cruel sociedade, que dizem ser organizada!

Meia desiludida, liguei para uma amiga chamada Silvana, que morava em outro bairro, falei que estava a perigo em busca de trabalho, e por sorte ela me falou que o time do Bahia estava formando uma equipe de moças de boa aparência, para trabalhar na “torcida organizada”, que é ficar vestida com as cores do time, bolas, bandeiras e mamães sacode nas mãos, dançando nas beiradas do campo estimulando o time!

Embora achando uma boa merda, resolvi arriscar, já que aquela altura, pegaria qualquer zorra, afim de ganhar uma grana certa. Marcamos e no dia seguinte estávamos as duas na sede do Bahia, onde encontramos uma caralhada de moças bonitas e feias, que também estavam afim de uma vaga. Nos assustou, mas, como nós tínhamos corpos bonitos e bem delineados, pontos que valem muito para o trabalho, ficamos um tanto confiantes. E deu certo como previmos, pois, na seleção das 30, nós duas fomos escolhidas de boa, já para se apresentar no dia seguinte para tomar aulas de danças e coreografias. O salário de um mínimo e meio com transporte de ida e volta. Voltei alegre pra caralho, mesmo não sendo o que desejava!

Para minimizar minha história, vou dizer que começamos a viajar com o time, ir nas partidas locais, participar dos eventos sociais do clube, tudo uma maravilha. Porém, após os expedientes, tínhamos de transar com jogadores, diretores, convidados, juízes e bandeirinhas para amolecer os jogos, na verdade, passamos a ser, todas nós, o xoxotário do clube, sempre a disposição das determinações da diretoria. Um emprego que na verdade, era, literalmente, foda!

Passei 4 anos nessa vida agradável, divertida e pecaminosa, mas, continuei estudando, me formei em psicóloga, larguei a sacanagem coletiva, me estabeleci e estou numa boa colhendo os frutos do meu puto sacrifício. Já minha amiga, continua até hoje, já tem dois filhos, que segundo ela nem sabe quem são os pais, mas, sabidamente, empurrou no cu de dois jogadores, recebendo deles uma boa ajuda para cria-los.

Dificuldades existem pra todos, mas, se você mirar seu futuro com determinação, será agraciada com ótimos resultados!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!


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