Antonio Nunes de Souza*
Não
sendo filha de rico ou classe média, geralmente é foda quando chegamos aos 18
anos, e precisamos trabalhar para nos sustentar. Sendo pobre as experiências
adquiridas em casa não passam de um curso de babá tomando conta dos irmãos
pequenos, ou de empregada doméstica ajudando na cozinha, lavagem de roupas e
arrumação da casa. Percebe-se logo que tudo isso, tem uma representatividade
merda para o mercado de trabalho, apenas capacitando para dar continuidade a
triste vida de pobre, que com sorte, conseguirá um emprego ganhando salário
mínimo!
Comigo
não foi nada diferente, pois vivenciei todos esses atos, porém, com um puto
sacrifício estudava e, felizmente, consegui terminar o curso secundário,
dando-me uma melhor condição para arranjar um trampo mais legal, ganhando um
pouco mais. E sem perder tempo fui a luta, distribuindo currículos aos montes,
na esperança de ser chamada o mais rápido possível. Mas, os FDPs dos donos de
lojas e empresas em geral, sempre diziam que sem experiência não dava. Porra
meu amigo, como posso ter experiência se é meu primeiro emprego? Ouvir essa
desculpa sacana, me deixava emputecida e com raiva de sentir na pele a falta de
solidariedade e humanismo, dessa cruel sociedade, que dizem ser organizada!
Meia
desiludida, liguei para uma amiga chamada Silvana, que morava em outro bairro,
falei que estava a perigo em busca de trabalho, e por sorte ela me falou que o
time do Bahia estava formando uma equipe de moças de boa aparência, para trabalhar
na “torcida organizada”, que é ficar vestida com as cores do time, bolas,
bandeiras e mamães sacode nas mãos, dançando nas beiradas do campo estimulando
o time!
Embora
achando uma boa merda, resolvi arriscar, já que aquela altura, pegaria qualquer
zorra, afim de ganhar uma grana certa. Marcamos e no dia seguinte estávamos as
duas na sede do Bahia, onde encontramos uma caralhada de moças bonitas e feias,
que também estavam afim de uma vaga. Nos assustou, mas, como nós tínhamos
corpos bonitos e bem delineados, pontos que valem muito para o trabalho,
ficamos um tanto confiantes. E deu certo como previmos, pois, na seleção das 30,
nós duas fomos escolhidas de boa, já para se apresentar no dia seguinte para
tomar aulas de danças e coreografias. O salário de um mínimo e meio com
transporte de ida e volta. Voltei alegre pra caralho, mesmo não sendo o que
desejava!
Para
minimizar minha história, vou dizer que começamos a viajar com o time, ir nas
partidas locais, participar dos eventos sociais do clube, tudo uma maravilha.
Porém, após os expedientes, tínhamos de transar com jogadores, diretores,
convidados, juízes e bandeirinhas para amolecer os jogos, na verdade, passamos
a ser, todas nós, o xoxotário do clube, sempre a disposição das determinações
da diretoria. Um emprego que na verdade, era, literalmente, foda!
Passei
4 anos nessa vida agradável, divertida e pecaminosa, mas, continuei estudando,
me formei em psicóloga, larguei a sacanagem coletiva, me estabeleci e estou
numa boa colhendo os frutos do meu puto sacrifício. Já minha amiga, continua
até hoje, já tem dois filhos, que segundo ela nem sabe quem são os pais, mas,
sabidamente, empurrou no cu de dois jogadores, recebendo deles uma boa ajuda
para cria-los.
Dificuldades
existem pra todos, mas, se você mirar seu futuro com determinação, será
agraciada com ótimos resultados!
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
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