Antonio Nunes de Souza*
Por
mais que você seja sensato, previdente, calmo e tranquilo, quando o assunto é
sexo, geralmente perdemos a cabeça, terminando fazendo coisas completamente
loucas e descabidas, totalmente fora dos padrões dos nossos comportamentos!
E
isso foi exatamente o que ocorreu comigo alguns anos atrás, quando cheguei para
morar em Salvador, vindo de uma cidadezinha do interior chamada Buerarema.
Relativamente um tabaréu babaca, que me assombrei logo com a movimentação da
capital, principalmente os hábitos, costumes, roupas e cabelos exóticos, além
de uma cacetada de eventos diários e semanais, onde as músicas, danças e
sacanagens rolam completamente soltas, numa euforia e liberdade que eu jamais
imaginei existir. E foi nessa onda que me fodi solenemente, quando numa noite,
resolvi ir ao ensaio de um bloco. Como recém chegado, ainda não tinha amigos e
estava a procura de emprego, fui sozinho para o Pelourinho ver o Olodum, que
todos me diziam na pensão, que era uma zorra total, e tinha milhares de
mulheres turistas e também da própria terra. Mesmo meio cabreiro, no sábado
parti de ônibus para a Praça da Sé.
Ao
descer para o Pelô como eles chamam, me deparei com gente pra caralho, que me
deixou tenso e inseguro, porém, já que estava dentro o importante era deixar
rolar e gozar, como diz o povo daqui. Aos poucos fui me achegando numa boa, até
chegar perto dos tambores, onde o povo dançava loucamente, com coreografias
estranhas, divertidas, bonitas e sedutoras, principalmente pelos remelexos das
cadeiras, que pareciam que os homens e mulheres estavam disputando quem mexia
mais com as proeminentes e torneadas bundas. Lógico que, depois de umas três
latas de cerveja, eu já estava no meio pulando, dançando meio desengonçado e me
esfregando, pois, curiosamente, todos se agarravam mesmo sem se conhecerem,
bastando para isso a excitação provocada pela música, e o ambiente totalmente
liberal em termos de comportamentos. Lógico que fiquei altamente deslumbrado, e
sem pestanejar, peguei uma morena que desde que cheguei não tirava os olhos de
mim, e sem medo de ser feliz nos agarramos de tal forma, que entre nós não
passava nem pensamento. Bebíamos e comíamos as diversas iguarias que os
vendedores ofereciam, até que lá pelo cu da madruga, Serena, esse era o seu
nome, sugeriu que fôssemos para seu apartamento terminar a noite numa boa. Com
essa proposta, fiquei louco e logo aceitei.
Resultado
mermão, que ao chegar Serena foi tomar um banho, em seguida fui fazer o mesmo,
e ao voltar ela estava deitada nua coberta pelo lençol, e eu já sem cerimônia,
mesmo nu parti para deitar ao seu lado, e foi aí que a porra aconteceu. Pois,
quando levantei o lençol para me aconchegar, olhei para entre as pernas de
Serena, e me deparei com um tremendo cacete meio endurecido apontando pra mim.
Dei um pulo da cama, assustado pra caralho. E ela calmamente falou: Eu pensei
que você tinha notado que eu era trans, e que aceitava de boa nossa relação!
-Qualé
de boa porra nenhuma cara! Se tivesse percebido não tinha alimentado papo. Tô
fora bicho, meu caso é mulher!
=Pois
fique sabendo que no mundo inteiro existe pessoas trans, e são aceitas até nas
mais altas sociedades, apenas os idiotas é que discriminam e não aprovam. E eu
senti que você não é um desses imbecis que não respeitam as evoluções, hábitos
e costumes dos tempos!
-Já
mais calmo com as palavras e segurança de Serena, resolvi aceitar o equívoco da
situação, sem haver nenhum transtorno ou aborrecimento. Ela pegou uma cerveja
pra nós bebermos, uns petiscos salgados e, educadamente, voltamos a conversar.
Mas, com alguns minutos, aquela tesão que veio comigo do Pelô voltou a tona e,
sem mais me preocupar com gênero, levei Serena para cama, e entre beijos e
abraços, ela virou sua linda bunda para mim e, mais que depressa, colocou meu
cacete todinho para dentro, mexendo docemente, que em minutos gozamos
deliciosamente, já que ela se masturbava, sentindo grande prazer em ambos os
lados, Não posso dizer que foi a maravilha que eu esperava, mas, posso dizer
que foi uma delícia e uma puta nova experiência em minha vida, que hoje, tempos
passados, já acho ser uma coisa natural e normal, pois, todas pessoas tem o
direito de se comportar das maneiras que
mais lhes tragam prazeres, alegrias e satisfações. Acabou-se o tempo que
tínhamos de obedientemente, seguir todos os ditames dessa medíocre, hipócrita e
falsa sociedade.
Tenho
que ser sincero, dizendo que alimentei por algum tempo esse namoro, Serena me
ajudou a conseguir um emprego, e terminamos virando bons amigos até hoje e,
eventualmente, ainda damos uma deliciosa trepada, para recordar o nosso
primeiro e inusitado encontro!
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
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