quinta-feira, 26 de março de 2026

AS GUINADAS INEXPLICÁVEIS DESSA VIDA LOUCA! (Clique e leia)

Antonio Nunes de Souza*

Todos os dias chegam aos nossos olhos e ouvidos fatos incríveis, estranhos e inacreditáveis, que com certeza nos deixam cheios de espantos ou sem saber se devemos acreditar ou não, mas, com o tempo, chegamos a conclusão que aconteceram, estão acontecendo e, com certeza, voltarão a acontecer!

Eu, com o nome fictício de Larissa, vou passar a contar para vocês, a história da minha vida, que certamente, verão e saberão os meus sofrimentos, prazeres e desprazeres que passei, chegando a momentos desesperadores:

Nasci uma criança linda, sadia, provocando para minhas duas irmãs e meus pais a maior alegria, já que estava vindo por um descuido, pois, minha irmã caçula já tinha dez anos. Então, passei a ser o xodó da casa, sempre de colo em colo com dengo e carinhos em excesso, Claro que eu adorava e me sentia bastante feliz!

O tempo foi passando, eu crescendo, mas, curiosamente sempre cheio de trejeitos femininos devido as influências das minhas irmãs e pais, que apenas se preocupavam em satisfazer as minhas vontades. No colégio passei a me identificar muito mais com as meninas, chegando ao ponto de ter meus segredinhos com algumas sobre as belezas de alguns meninos; E já iniciando aminha juventude, já me identificava como se eu fosse mais uma menina que um menino, então resolvi falar para meus pais, mesmo morrendo de medo pelas suas reações. E como eu esperava, foi uma bomba chocante para eles e minhas irmãs, porém, depois de muitas conversas, resolveram acatar minha estranha opção de mudar meu comportamental, fazer visitas a um analista, mudar de colégio e, depois disso, começar a minha transformação de cabelos, roupas e demais coisas inerentes a uma personagem feminina. Embora todos diziam que concordavam, mas, eu percebia um grande ar de decepção em todos eles. Porém, minha decisão, já com 14 anos, para mim era irrevogável!

Passei a tomar determinados hormônios, e já com uma aparência de uma moça bonita e atraente, continuei os meus estudos, quase chegando a concluir o secundário para fazer vestibular. Foi aí que sofri a primeira grande decepção da minha vida. Um colega de classe (fora os professores, ninguém sabia da minha condição) que era muito bonito, me atraiu de tal forma, que me encorajei a para a dar mole com olhares e sorrisos provocantes, até que ele percebeu e veio tentar me namorar, E claro que aceitei. Porém, no nosso primeiro encontro fora do colégio, conversamos bastante e eu para ser sincera, falei que era uma moça transsexual, achando que ele entenderia. Mas, infelizmente, ele deu a maior gargalha em minha cara, disse que não gostava de gay e que eu fosse procurar outro que gosta de homem. E ao dizer isso, saiu largando-me sozinha no banco do jardim, super nervosa e chorando copiosamente. Minha dor era como se tivesse acabado de receber uma facada no coração e na mente, deixando-me completamente mortificada, sem nem coragem para voltar para casa, carregando nos ombros o peso do fato acontecido, inclusive ter que contar, discorrendo meu sofrimento. Depois de uma hora de meditação, levantei-me e segui cabisbaixa para casa, levando na mente a ideia de que eu nada significava para as outras pessoas!

Cheguei e aos prantos contei o ocorrido, todos me acalentando e revoltados, meu pai queria ir reclamar com o rapaz, mas foi contido por minha mãe, e eu pedi que me mudasse de colégio, pois, provavelmente, o fato iria se espalhar, deixando-me bastante envergonhada. Voltei a fazer as tais análises, mudei de colégio, mas, bem menos segura que antes. Porém, senti-me melhor, já que o colégio era estritamente feminino.

Como era o último ano do secundário, me entrosei bem com as colegas, mas, sempre guardando meu segredo. Porém, sem que eu esperasse, passei a ter uma sensação de desejo e afeição por uma das colegas, e passamos a ser amigas inseparáveis, frequentando as casas uma da outra, simpatia e satisfação dos nossos pais e parentes, tudo correndo as mil maravilhas. Aí, sentindo que a amava, resolvi um dia que ela foi dormir em minha casa, para estudar as provas finais, e disse não só que a estava amando-a, como também as minhas condições sexuais. Ela levantou-se da cama, dizendo que me adorava, mas, além de não ser lésbica, não aceitaria como parceiro um homem que optou por ser mulher. E dizendo isso vestiu-se e no meio da noite, saiu escondida dos meus pais, indo embora para sua casa. Eu com a cabeça estourando de dores, soluçando barbaramente, chegando a triste conclusão que eu havia me transformado em um ser inexistente e fictício para o resto do mundo, que, em nenhuma hipótese, seria aceita normalmente por essa sociedade machista e preconceituosa!

Passei a noite em claro, chorando e me maldizendo, com vontade até em suicidar, e pela manhã mesmo machucada e envergonhada, contei o fato, mais uma vez deixando minha família pasma e sem na verdade saber o que fazer. Eu, fortemente exigi voltar as análises diariamente, pois, já tinha em minha mente o que deveria fazer dali em diante. Como sempre minha família me apoiou. Fiz minhas provas finais, terminei o secundário e, paralelamente fazendo as seções diárias de análises psicológicas, porém, no sentido único de reverter minha sexualidade, já que continuava apaixonada por Jacira minha linda colega. Reformei o meu penteado, cabelos curtos, passei a tomar hormônios para reverter dos efeitos antigos, comecei a vestir com roupas normas de rapaz, pouco ligando pela estranheza da vizinhança e, com seis meses, eu já estava aclimatado a nova situação, sentindo-me seguro e confiante para enfrentar o mundo sem medo de ser feliz, e de tão pouco sofrer discriminações absurdas de pessoas idiotas e ignorantes!

Fiz vestibular, passei em engenharia e, seis meses depois, corajosamente resolvi ir a casa de Jacira, me apresentar em outra circunstância que, com certeza, não cabia nenhuma recriminação. Vestindo terno e gravara, usando barba, toquei a campainha.  Logo a mãe dela veio atender, não me reconheceu, eu falei que gostaria de falar com Jacira, e ela mandou que eu aguardasse, entrando pra chama-la. Em seguida veio minha ex colega, que chegando, foi logo dizendo: eu não conheço você, mas, faz-me lembrar alguém muito importante para mim tempos atrás. O que deseja?

Com uma voz máscula e bem postada, falei: meu nome Joseilton Mendonça, sou estudante de Engenharia Informática, e no passado fomos colegas de colégio e meu nome era Larissa, quando eu, erroneamente, tinha escolhido uma outra opção de gânero. Mudei completamente, graças ao grande amor que sentia e continuo sentindo por você!

Ela tomou um brutal susto, olhou-me com mais atenção, viu o lindo homem que me transformei, e sem que eu esperasse, abraçou-me dando-me um beijo com um abraço apertado, numa prova que o amor existiu e existia ainda em ambas as partes.

Nossas famílias, mesmo com as controvérsias e acidentes de percursos acontecidos, aceitaram nosso namoro, noivado e, agora que vamos nos formar, já marcamos nosso casamento, inclusive durante esse período já transamos centenas de vezes e, literalmente, nos damos muitíssimo bem na cama!

Essa é a minha inusitada história, que aconteceu, pode estar acontecendo com outros, ou acontecerá no futuro; saibam que tudo é possível acontecer nessa Vida Louca que vivenciamos!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!


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