terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Loucura!

Loucura
Antonio Nunes de Souza*
Peço e espero a morte a qualquer minuto,
Nem mesmo o subconsciente escuto,
Que grita dizendo que devo viver.
Meu amor próprio há muito vem morrendo,
Pelo muito que venho sofrendo,
Fazendo-me tristemente padecer.

Existem muitas razões para a vida,
Mas, todas elas por mim foram esquecidas,
Pela incompetência de administrá-las dignamente.
Não sinto que alguém de mim dependa,
Não conheço um ser que me entenda,
Não consigo estar ou deixar alguém contente.

Será que sou um erro genético,
Que brotou neste mundo patético,
Antes ou depois do tempo previsto?
Se morro agora sem dizer nada,
Depois de percorrer tanta estrada,
É prova que entender desisto.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)
antoniomanteiga.blogspot.com

Momento de prazer!

Momento de prazer
Antonio Nunes de Souza*
Seus sedosos pêlos pubianos,
Umedecidos pelos desejos profanos,
Exalava um cheiro perturbador.
Acariciei o seu sexo deixando-a louca,
Suguei o seu seio e beijei-lhe a boca,
E começamos a fazer amor.

Faltou controle da nossa parte,
Na ânsia esquecemos a arte,
De amar demoradamente.
Porém, na cama com ela,
Qualquer ser humano apela,
E goza que nem sente.

Felizmente continuei penetrando,
Nossos gemidos foram aumentando,
Repetindo tudo que já se fez.
Senti seu corpo tremendo,
Sacudindo como se estivesse morrendo,
Aí, gozamos pela segunda vez.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)
antoniomanteiga.blogspot.com

domingo, 2 de janeiro de 2011

Perdido na noite!

Perdido na noite
Antonio Nunes de Souza*

Perdi-me na noite!
Talvez mereça um açoite,
Por seguir o roteiro errado.
Tantas estradas pela frente,
Bem claras e evidentes,
Optei o caminho do pecado.

Será que voltar é a solução?
Ou devo seguir na contramão,
Pra ver onde vou chegar.
Nessa escuridão profunda,
Uma tentação me inunda,
Dizendo pra continuar.

Sei não! Acho que é uma loucura,
Perder-me numa estrada escura,
Que não sei onde vai dar.
Tomara que surja uma luz,
Nesse caminho que me seduz,
E eu possa me encontrar.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com
antoniomanteiga.blogspot.com

Os dez mandamentos ou os sete pecados capitais?

Os dez mandamentos ou os sete pecados capitais?

Antonio Nunes de Souza*

O homem, com sua racionalidade já sendo posta em dúvida pelo esdrúxulo comportamento, cada dia que passa prova a si mesmo, quanto é paradoxal no que diz, pensa e procede.
Quando Deus, através de Moisés, criou os sagrados Dez Mandamentos, pensava Ele estar dando uma diretriz comportamental aos seus queridos filhos, no sentido de orienta-los melhor para uma convivência sadia em todas as comunidades, assegurar uma respeitabilidade dos direitos humanos, religiosidade, união entre povos, solidariedade e um caminho mais sublime para se alcançar à vida eterna. Pois, essa nossa passagem terrestre, embora tenha uma duração de longos anos está longe de ser o paraíso infinito da felicidade de estar algum dia ao seu lado.
Mas, infelizmente e inexplicavelmente, o que vemos no nosso dia-a-dia é o culto, a prática e veneração pelos Sete Pecados Capitais, como se fosse uma regra de vida e, aquele que não estiver seguindo-a rigorosamente, não passa de um tolo ou um estranho no ninho, que sofrerá amargamente pelo resto da vida.
Por que será que os valores foram trocados com tanta simplicidade?
Será que é mais interessante praticar as ações condenadas que as justas e corretas?
Podem crer que não! Quando se procede fora dos padrões normais dos comportamentos, embora deixe transparecer em princípio que os benefícios serão maiores, deixa claro também que não é o correto com as pessoas envolvidas e, certamente, prejuízos serão causados a terceiros, proporcionando-lhe uma vantagem inicial, mas, problemas sérios, tanto na terra como posteriormente.
Porém, infelizmente, ninguém se preocupa se está certo ou errado. A preocupação maior é a da vantagem adquirida com o que está fazendo ou vai fazer, pouco se importando com os resultados futuros, nem mesmo ter o discernimento de parar um pouco para pensar quanto injusto está sendo com seu próximo e, futuramente, consigo mesmo.
Acredito que já passou a hora de uma reflexão a respeito dessa troca inconcebível de valores, pois, lamentavelmente, o homem conseguiu ultrapassar todos os limites dignificantes dentro da sociedade, cultuando e procedendo com animosidade e ganância os Sete Pecados Capitais.
Devemos lembrar que, mesmo aqueles que conseguem escapar da justiça da terra, certamente sejam penalizados com a justiça divina, mesmo contando com a bondade de Deus.
Será que já não existe diferença entre os homens e os outros animais irracionais?
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)
antoniomanteiga.blogspot.com

O que é a vida!

O que é a vida?
Antonio Nunes de Souza*
Tem uma conotação divina,
Todo mundo com ela se fascina,
Descrevendo-a como bela!
Ah! Como essa gente mente!
E quem ouve cala e consente,
Com essa profunda balela.

Esse estado físico animal e humano,
Dos estados é talvez o mais profano,
Por não ser infinito nem eterno.
Às vezes retrata um lindo céu,
Outras o sabor do puro e gostoso mel,
Na maioria das vezes parece mais um inferno.

A vida não passa de uma extensa aquarela.
Onde nós somos apenas uma modesta tela,
Que ela tinge quando nos atinge.
Azul, vermelho, verde, cinza ou lilás,
Poucas são às vezes, que usa o branco puro da paz,
Porém, o homem traja uma redoma incolor e finge.

Se passarmos um filme da nossa pinacoteca,
Veremos como a dita “vida bela” peca,
Nos matizando com milhares de cores.
Nossas aparências mutantes e tão diferentes,
Muitas com tons tristes, poucas com tons contentes,
Representando necessidades, paixões e amores.

Vivemos com eternas lamentações,
Econômicas e, principalmente, dos corações,
Pedindo a Deus para sermos fortes nas dores.
Mas, todos os quadros seriam mais definidos,
Se fossemos inteligentes e prevenidos,
E pintássemos nossas próprias cores.

Escritor (Vida Louca - ansouza_ba@hotmail.com)
antoniomanteiga.blogspot.com

O dia que o Brasil parou!

O dia que o Brasil parou!
Antonio Nunes de Souza*
“O Brasil parou pra ver a Dilma passar pra governar com amor!”
Certamente, assim pensaria o Chico Buarque se tivesse de fazer uma nova música baseada na praça dos três poderes!
Para aqueles, como eu, que conhecem e acompanharam de perto, inclusive vivenciaram a política brasileira nos últimos quarenta anos, ver a alegria e emoção do povo prestigiando a saída de um presidente e a entrada de outro, dando uma lição de afeto, agradecimento e confiança a um partido que, depois de uma luta insana e sofrida chega ao poder, não para ter a força dominadora e sim o poder da possibilidade que o cargo oferece, para dar ao povo brasileiro a felicidade que merece e sempre foi relegada, praticamente, pela totalidade que passou pelos palácios governamentais e o presidencial, a emoção aflora de tal forma, tornando-se difícil conter as lágrimas que, teimosamente, fluem nos olhos e escorrem na face, como se fosse para registrar com água e sal, o que foi conseguido com os sacrifícios dos sangues de muitos que lutaram por esse momento de liberdade e democracia.
Acaba de ser reconhecido, mundialmente, como um grande estadista, desnudou o Brasil com suas viagens em todos os continentes, abrindo grandes horizontes, equilibrando nossa balança comercial e, principalmente, uma atenção especial ao povo pobre e miserável que, aos milhares, vinha sofrendo as agruras do inferno, que poderíamos caracterizá-la de condição de morte e não de vida!
Lutou, veementemente, por uma melhor distribuição de rendas, ampliou as ajudas com empregos, bolsas, vales, água, luz, moradia, etc., que os insensatos e insensíveis taxaram de compra de votos. Porém, na verdade ele não estava comprando! Estava sim, pagando uma dívida que todos nós tínhamos com eles, herdada de governos passados.
Elogiar a passagem do Presidente Lula é, sinceramente, desnecessário, pois, mesmo seus adversários ferrenhos, perderam as forças perante a realidade e, muitos deles, aos poucos estão se chegando, uns por reconhecimentos e outros por sempre se acobertarem com quem está por cima, olhando mais os seus interesses pessoais. Mas, não somos tolos e, aos poucos, vamos separando o joio do trigo!
Parabéns Presidenta Dilma! Como podemos não confiar em você que, desde a juventude, vem lutando pelo nosso país? Você que provou ser uma forte guerreira, levantando-se, sacudindo a poeira e, dando a volta por cima, chegou com honras e glorias ao posto máximo de nosso Brasil?
Essa é uma síntese do trabalho do Partido dos Trabalhadores, que procura cumprir os ditames da sua plataforma política, voltada para o povo como o primordial.
Se existem falhas? Claro que sim! Se até dentro das nossas famílias temos um parente ou aderente que foge as normas, imagine num universo político de milhares de seguidores? E não são poucos aqueles que, erroneamente, imaginam que chegaram ao poder para se locupletarem, seguindo a cultura sórdida que ainda perdura em todas as áreas públicas. Esses estamos saneando gradativamente na área de cargos de confiança e, na eletiva, compete ao povo não reelege-los.
O Brasil parou no dia primeiro de janeiro, porém, para iniciar uma caminhada longa de progresso e realizações, mostrando aos nossos opositores que não sabemos apenas sair com bandeiras nas passeatas de reivindicações. Esse comportamento nosso, embora criticado pelas elites, sempre representaram os primeiros passos para melhorar o país!
Que as comunidades estejam sempre ao nosso lado, ajudando a melhorar cada vez mais os desempenhos do Partido dos Trabalhadores, pois, se assim fizerem, o maior beneficiado será sempre o povo!

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)
antoniomanteiga.blogspot.com

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ironías do destino!



Ironias do destino!
Antonio Nunes de Souza*
Sentado, as lágrimas desciam pelo rosto ao ouvir uma frase forte e comovente que, num passado distante, a ouvi com entonação de carinho e preocupação e encontrava-me alegre e feliz. Fiz uma retrospectiva, projetando em minha mente um filme que não gostaria de tê-lo assistido:
-Pâmella Mary, saia da lama menina! Falou a mãe enquanto enxaguava na bacia a roupa de lavagem de ganho.
Sorri, internamente, quando ouvi o nome da pequena criatura que, sentada numa poça d’água imunda, brincava tranqüilamente como se fosse uma piscina. Analisei como é interessante e peculiar entre as pessoas pobres, colocar nomes exóticos e estrangeiros em seus filhos, procurando enriquece-los de alguma forma, imitando os nomes comumente usados nos filmes e novelas da tv. Mais engraçados ainda são os acréscimos de letras para dar maiores ênfases, muitas vezes tornando ridículas as pronuncias e as combinações. Pâmella Mary era um exemplo típico desse fato!
-Bom dia dona Mariana!
-Bom dia, Dr. Márcio! Eu estava esperando o senhor na parte da tarde, por essa razão não preparei a menina.
-Infelizmente surgiu um compromisso inesperado para hoje à tarde, e resolvi vir logo pela manhã. Mas, como a senhora não tem telefone, não tive condições de avisar. Porém, pode ficar tranqüila que aguardarei de bom grado a preparação da criança.
Enquanto mandava que eu sentasse em um tamborete com as pernas meio bambas, Mariana desocupou a bacia estendendo as roupas no varal improvisado em plena ruela da favela, enchendo-a de água e, em seguida, pegou a menina pelo braço e a colocou dentro, antes porém, lavou os sujos pés que estavam enfiados na lama fétida do fundo da poça.
Conforme havíamos combinado, eu estava ali para levar a menina, adotando-a extra-oficialmente, pois estava casado há 10 anos e não consegui ter um filho em função de um problema genético da minha mulher. E fomos informados que dona Mariana não tinha condições de criar a menina e estaria disposta a dá-la para um casal que fosse respeitável e lhe desse uma boa educação. Ela foi a nossa casa, nos conheceu, viu que tínhamos boas intenções e concordou em nos dar a criança, mesmo sem as burocracias da justiça. Como a menina tinha dois anos e não era registrada, nós a registraríamos como se fosse nossa própria filha e tudo ficaria na mais completa tranqüilidade e segredo para ambos os lados. Pretendíamos dar algum dinheiro para Mariana como uma compensação por estar nos dando uma felicidade ímpar, mas ela recusou-se categoricamente, alegando que, somente em estarmos dando conforto e segurança para sua filha, representava a maior das fortunas que ela poderia ter na vida. Mas, mesmo assim, prometemos ajuda-la em alguma ocasião que fosse preciso.
Não ficamos temerosos com relação a alguma reclamação posterior do pai de Pâmella, pois se tratava de um individuo que apareceu na favela tempos atrás, sem documentos, eiras nem beiras, nenhum parente e fazia biscates diversos para sobreviver. Mariana o conheceu num pagode, ficou, e aconteceu. Uma semana depois desse fato, ele foi atropelado e morto numa rua da zona norte. Mariana só veio saber, através dos comentários habituais da favela. Entretanto, ninguém sabia desse rápido envolvimento e nem ela percebera que já estava grávida. Quando descobriu, deu prosseguimento a sua gravidez, guardando segredo de quem era o pai, pois, naquele ambiente, ninguém tinha preocupações ou causava estranheza alguém aparecer de barriga.
-Pronto Dr. Márcio. Aqui está sua bonequinha! Coloquei nesse saquinho de mercado algumas roupinhas, embora o senhor tenha dito que já tinha em casa um enxoval completo no quartinho dela, que tive a felicidade de ver. Ela disse isso escondendo com um sorriso os olhos lacrimejantes de uma mãe que está entregando um pedaço de si.
Dei-lhe um abraço, agradeci mais uma vez, e alegre e comovido carreguei a criança nos braços, partindo para o carro que estava um pouco distante, em função do caminho do seu barraco ser intransitável, onde Eunice, minha esposa, me aguardava, pois não queria ver a cena da despedida. Mas, nada aconteceu que fosse dramático.
Pâmella não esboçou nenhuma reação e nem estranhou as pessoas que a estavam levando-a O passeio de carro, as novas paisagens e a variação de novidades, eram suficientes para faze-la feliz e nem lembrar do seu barraco ou da própria mãe.
Tomamos todas as providencias combinadas e normais para perfilha-la e criar a menina dando-lhe educação, carinho e amor. Não mudamos o seu nome, como uma homenagem ao gosto(?) da sua mãe.
Os anos passaram, Pâmella terminou o curso secundário, fez vestibular e passou a cursar a faculdade de arquitetura. Quanto à dona Mariana, curiosamente, após dois meses que havíamos trazido a menina, voltamos ao seu barraco e não a encontramos. Seus vizinhos não souberam nos dar nenhuma notícia, como também, nesses 19 anos, jamais voltamos a nos falar ou ter alguma referencia do seu paradeiro. Em função disso, jamais contamos nosso segredo para a menina.
Mas, como muitas vezes o destino nos prega peças nem sempre agradáveis, Pâmella começou um namoro com um rapaz que era usuário de drogas e, infelizmente, levou-a para o vício. E, como comumente acontece, quando percebemos já era tarde. Ela começou a ser agressiva, passar dias fora de casa, deixou de freqüentar a faculdade, além de beber e fumar, iludida como muitos jovens, achando que isso é que era felicidade.
Tentamos de todas as maneiras contornar a situação, mas, somente pode-se ajudar, quem realmente deseja ser ajudado. E ela nada queria e não aceitava mais nossos carinhos e atenções, terminando por ir morar com o tal indivíduo em um quartinho de uma pensão de quinta categoria.
Depois de meses nessa vida, onde não tínhamos nenhuma notícia, hoje ela apareceu aqui em nossa casa, com uma aparência horrível, olheiras, mal vestida e, cinicamente, veio nos pedir, quase exigindo, dinheiro para comprar drogas, pois estava em tempo de enlouquecer e, caso não tomasse uma dose iria morrer de dores por todo corpo.
Foi nesse instante que ouvi a fatídica frase, desta feita repetida por minha mulher, com muita compaixão, lágrimas e amor, que me fez lembrar toda essa triste história:
-Pâmella Mary, saia da lama menina!
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)