Antonio Nunes de Souza*
José
Raimundo, conhecido por todos como “Mundinho”, diminuitivo do seu nome que é
coisa peculiar na Bahia. Sempre tratamos todos, afetuosamente, pelos
diminuitivos (Carlinhos, Luizinho, Pedrinho, etc.), bem diferente dos cariocas
e paulistas que, bravamente, tratam seus amigos e conhecidos como: Carlão, Luizão
e Pedrão. Era ele, dono de uma Van, contratada para levar, exclusivamente,
moças universitárias para as aulas (noturnas e diurnas) e, obviamente,
apanhá-las e fazer as entregas em suas casas. Um trabalho cansativo em função
do trânsito terrível, vias sempre interditadas e, pior que tudo, com péssimas
sinalizações. Mas, a grana era boa, dava para pagar muito bem a prestação do
carro, sobrando uma boa nota para que pudesse ter uma vida tranquila, para um
rapaz de 26 anos, oriundo do interior!
Nessas
ida e vindas diárias, terminou criando uma intimidade tamanha com as moças, que
conversavam todas suas intimidades, trocavam de roupas dentro da Van, quando
saiam da Faculdade e iam curtir algum evento ou namorar, e assim ele passou a
ser muito mais amigo que um motorista. Era abraçado, beijado e, muitas vezes,
bolinado e elas ficavam rindo e gostando da sua excitação. Ele claro, estranhou
no começo, mas, com o tempo, foi se acostumando e entrando na brincadeira, que
depois de algum tempo, já curtia umas esfregações com algumas quando voltava
levando a última, ou quando pegava a primeira. Parece incrível, mas, “sacanagem”
é algo bastante peculiar na atualidade. Tudo é permitido, os hábitos são com
aberturas escancaradas, sem mais ter aquela tola vergonha: “Bastou gostar, para
rolar de boa!”
E
foi o que aconteceu com nosso querido Mundinho, que transportava dez moças e,
depois de dois anos, já tinha comido todas, inclusive até umas duas que eram
noivas!
E
vocês pensam que era segredo entre todas o que ocorria? Nada disso. Pois,
depois da primeira, segunda, terceira, e elas conversarem que ele era viril e
gostoso, todas quiseram conhecer para dar suas opiniões. O legal era a
solidariedade, pois, para favorecer a alguma que estava com vontade, de comum
acordo deixavam ela por último, para aproveitar a famosa transa com Mundinho.
Curioso é que tudo isso acontecia na Van, encostada em algum canto mais deserto
e meio escuro!
Infelizmente,
o Diabo sempre entra no meio quando as coisas estão maravilhosas. Um dia ele
estava transando com uma que era noiva de um tenente, e ele seguiu a Van e
flagrou os dois nos estertores do prazer. Homem machão e bastante ciumento, deu
um tiro nos testículos de Mundinho, e sem dó, nem piedade, matou a noiva e
suicidou-se em seguida!
Foi
um puto escândalo, intervenção da polícia, SAMU para atender Mundinho, além do
vexame para a família da moça!
Em
função do tiro no saco escrotal, tiveram que extrair os testículos, deixando
Mundinho sem mais aquela virilidade do passado e sem condições de voltar a ser
um homem!
Mundinho
vendeu a Van, pegou o dinheiro que sobrou depois de liquidar o financiamento,
fez pequenas plásticas no rosto, um enxerto de silicone nos quadris, implantou
seios e hoje, seu nome de “guerra” é Raimunda Boa Bunda, e faz ponto com os
travestis todas as noites, no trecho entre a Pituba e Amaralina!
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
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