Antonio Nunes de Souza*
O
féretro seguia lentamente já dentro do cemitério, onde via-se muitas pessoas,
mas, naquela altura, somente os mais íntimos continuavam acompanhando a
dolorosa procissão, vendo-se na frente, ao lado do caixão conduzido por
parentes e íntimos, uma ainda jovem senhora, amparada por um senhor idoso que
era seu ex marido, chorando com os olhos inchados, curtindo uma dor forte por
estar sepultando o seu jovem filho, falecido prematuramente, graças as
desgraças trazidas pelos comportamentos infiltrados na sociedade, ou seja,
consumo de drogas e bebidas em quantidades excessivas!
Eu
como bastante ligado a essa sofredora família, coloquei na mente a lembrança da
trajetória de Júlio, que muitas e muitas vezes o carreguei no colo, ou levei
para passeios diversos junto com os meus filhos. Menino bonito, sadio, adorava
esportes, cuidava do corpo através de exercícios e uma alimentação especial de
frutas e verduras. Mas, com dezessete anos, precisando cursar a faculdade, foi
para a capital continuar seus estudos na faculdade de música, que era o que
gostaria de seguir!
Jamais
fumou ou bebeu, porém, encontrando na capital uma agitação não só na vida
diurna como, principalmente na noturna, a proliferação desses vícios,
infelizmente, começou a aderir e praticar, ampliando cada dia para outros tipos
de drogas, caindo idiotamente, nas garras dos iludidos toxicômanos que
tolamente, acham que faz parte de uma vida, viver drogado e repudiado por
todos, pois, com esses vícios, todas as pessoas sensatas lhes fecham as portas
e os deixam isolados nas suas pobres depressões, causadas pela esquizofrenia,
doença incurável, mas, controlável através de remédios, porém, os usuários não
podem, em nenhuma hipótese, ingerir bebidas alcoólicas que são incompatíveis!
Como
acompanhava a família de perto, pude ver Júlio ir definhando, ficando com o
rosto e o corpo inchado, e quando menos esperavam, ou na verdade já esperavam,
uma vez que lutaram para que ele se regenerasse, e cegamente, ele continuava
com sua vida de viciado, fumando abusivamente também, ele acordou vomitando
sangue e os pedaços do seu fígado explodido pelo álcool, e as drogas consumidas
no passado, e algumas no presente!
Chamaram
médicos, ambulância, mas, infelizmente já era tarde, pois, já tinha acontecido
o pior. Ou seja, Júlio acabava de falecer em função de uma brutal e esperada
cirrose, doença que liquida uma pessoa sem dar avisos, pegando-a sempre de
surpresa. E com viciados, muito pior ela procede!
Voltei
triste do cemitério, pela despedida de um jovem que tinha tudo para ser
realmente feliz, e não iludindo-se que fechado nas suas frustrações, por não
alcançar a realização dos seus sonhos e projetos, era uma pessoa feliz e
realizada!
Pobre
daqueles que ilusoriamente, acreditam que através de drogas, fumos e bebidas,
vão ter sucessos e êxitos na vida! Um verdadeiro e triste engano, que somente
os tolos imaginam!
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
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