Antonio Nunes de Souza*
Pode
parecer que estou radicalizando por ter sido vítima, mas, na verdade, tudo que
me aconteceu, constituiu razões suficientes para me deixar com esse
posicionamento!
Estudante
em Salvador, de vez enquanto ia ao puteiro no 63, ladeira da montanha, atrás do
cine Liceu, ou no Tabaris na Praça Castro Alves para dançar um pouco, onde as
mulheres furavam nosso cartão de 5 em 5 minutos, e na saída nós pagávamos 50
centavos por furo. Algumas vezes elas
gostavam da gente e furavam pouco para nos agradar e se esfregavam ao máximo,
Tempo divinamente excelente e maravilhoso. Pegava-se eventualmente um doença
venérea, mas, com umas penicilinas se resolvia tudo. E xoxota tinha um preço
accessível, pois, o mercado vaginal não sofria as inflações como atualmente, e
aproveitar-se de mocinhas pobres, baixa a tesão saber que estamos nos
aproveitando, comendo quem está com vontade de comer. Torna-se até irônica e
paradoxal a transa!
Aconteceu
que conheci uma mulher no 63, jovem com 18 anos, eu tinha 22, e começamos a ter
um relacionamento gostoso, nos encontrávamos as sextas e sábado, eu só pagava o
quarto e ela não me cobrava as fodas apaixonantes que dávamos, com um carinho
de amantes. Isso demorou os três anos que eu estava terminando a faculdade de
odontologia. Não tínhamos condições dela deixar a prostituição, o jeito era
continuar o romance, eu dividindo a xoxotinha de Rebeca com o público!
Mas,
quando me formei, e comecei a trabalhar contratado por uma grande clínica,
resolvi alugar um apartamento, mobilhar e convidar Rebeca para morarmos juntos,
e começar uma nova vida. Ela ouviu a proposta, vibrou de alegria, mas, ao mesmo
tempo, demonstrou certa preocupação de não dar certo, e ela perder seu lugar na
casa privilegiada que era o famoso 63, puteiro de ponta e classe em Salvador!
Porém,
dois dias depois ela me ligou dizendo que aceitaria, e já tinha combinado com a
cafetina da casa que, caso nada desse certo, seu lugar estaria as ordens.
Fiquei super alegre, uma vez que a amava de verdade e já estava me incomodando
muito, chegar nos fins de semana e imaginar quantas rolas tinham sido enfiadas
em minha amada. E, curiosamente, a danada era apertadinha e gostosa. Acho que
era isso que me fazia ficar gamadão de quatro, como diziam na época!
As
putas fizeram uma festa de despedida durante a tarde, muita choradeira, peguei
as malas de Rebeca e nos picamos para o apartamento, que seria o nosso novo e
bençoado lar. Ela já com 23 anos, mas, uma mulher experiente com várias prendas
domésticas, aprendidas com sua vivência, foi fácil transformar-se em uma boa
dona de casa!
Eu
melhorei bastante, montei minha própria clínica, comprei um apartamento maior,
e tudo transcorria às mil maravilhas, porém, essa era a impressão que eu tinha,
pois, com o tempo, vim a descobrir que Rebeca, como não tínhamos empregadas nem
filhos, recebia homens em nossa casa, transando por dinheiro, tendo uma vida
dúbia como no passado. Fiquei sabendo através do porteiro do edifício, que
cheio de receios me contou porque eu sempre fui generoso com ele!
Essa
notícia me deixou puto da vida, mas, ao mesmo tempo, achei que podia ser um
exagero, ou péssima interpretação do rapaz. Então resolvi colocar um desses
detetives particulares para espionar, apenas para tirar minhas dúvidas, pois,
sinceramente, não acreditei que isso fosse possível. Mas, pior que a merda era
verdade. O cara me mostrou foto de homem saindo e entrando em meu apartamento.
E isso me deixou furioso, paguei os serviços do detetive, pedi sigilo absoluto
pensando em minha reputação, saindo em seguida indo para o meu apartamento!
Chegando
lá, fui entrando, tinha um cara se arrumando para sair, nem olhei pra cara do
homem, que saiu às pressas, pedi mentalmente desculpas a “Maria da Penha” e,
sem nenhuma pena, meti a mão na cara da vagabunda, que caiu no chão, chorando e
pedindo perdão. Não dei mais nenhuma porrada, pois, o murro que dei, desabafou
toda minha raiva, mas, mandei que imediatamente, ela arrumasse as suas coisas e
voltasse para onde veio, que sua sina era ser puta pelo resto da vida!
Ela
foi embora nem sei para onde, não quis nada de mim, pois, tinha suas reservas
das fodas extras que fazia. Cheio de ódio e raiva, resolvi ir ao interior ver
meu avô, que sempre foi meu companheiro de confidências e conselheiro. Lá
chegando, contei meu infortúnio na maior tristeza e ele, tranquilamente, falou:
meu neto nunca se esqueça desse adágio super sábio: “Mulher que conhece mais de
uma pica, em duas não fica!”
Eu
dei uma risada, ele também, e fomos tomar uma cervejinha gelada, para esquecer
esse acontecimento que já tinha esquecido completamente, até que a ginasta
ganhou a medalha de ouro nas olimpíadas e, por coincidência, se chama Rebeca. E
de tanto ouvir o seu nome na TV, voltei a me lembrar da tragédia e aproveitei
para contar minha cruel história!
*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um
dos Membros fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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