Antonio Nunes de Souza*
Nos
dias natalinos de dezembro, sempre é uma correria, já que além da movimentação
da cidade, temos que nos redobrar para arranjar grana para presentear os
familiares e alguns poucos amigos. Então, como sou como a maioria, marquei
ontem a noite para ir ao melhor Shopping, afim de fazer minhas modestas
compras. Embora eu tenha apenas 42 anos, minha filha única é casada e já me deu
dois netos, tenho ainda meus pais e sogros, que obviamente tenho que dar umas
lembrancinhas pelo menos!
Assim
que cheguei no Shopping, comecei a circular olhando as vitrines, chegando a
Praça Central, onde além de uma linda e enorme árvore, tinha um Papai Noel ao
vivo, cercado de algumas Mamães Noel com suas roupas características,
encaminhando uma série de crianças eufóricas para abraça-lo, e pedir os seus
presentes. Achei divertido, pois, fez-me lembrar da minha infância, que devo
ter feito a mesma coisa.
Aconteceu
que ao passar por perto, meio distraído com as luzes coloridas, terminei
batendo-me com uma das Mamães Noel, que disse-me sorrindo: Você também quer
abraçar Papai Noel?
Eu
dei uma risada e respondi de estalo em tom de brincadeira: Se fosse uma Mamãe
Noel bonita como você eu adoraria!
E
ela, tranquilamente, respondeu com um sorrido mais largo ainda: Se isso vai lhe
fazer bem, pode abraçar-me, pois, aqui estou para agradar os clientes no
possível, faz parte do meu trabalho quando o cliente merece!
Nesse
instante, imediatamente, me esqueci o que fui fazer no Shopping, apenas me veio
a cabeça a possibilidade de algo agradável, inesperado e maravilhoso pudesse
acontecer. Sem pensar duas vezes, abracei e fui abraçado, sentindo que debaixo
daquela folgada roupa vermelha, havia um corpo bem delineado. Nessas horas
nossas mentes pecaminosos funcionam como um raio. E aproveitando o clima do
momento, convidei-a para jantar comigo no fim do seu expediente, já que lá tem
excelentes Fast Food, que seria como pagamento daquele sincero e meigo abraço.
E sempre com um sorriso lindo, respondeu que estaria livre dentro de meia hora,
pois, encerraria seu período de trabalho. Assim sendo, combinei que iria ver
umas compras e dentro de meia hora, voltaria para encontrá-la no mesmo local. E
como um encanto divino ela concordou numa boa, nos despedimos ela dizendo
chamar-se Jacira e eu disse ser Marcelo meu nome!
Continuei
circulando, porém, nem me lembrava das compras. Apenas olhava para o relógio
toda hora, para não me atrasar em encontrar-me com Jacira. Até que chegou a
hora marcada, eu não tinha comprado nada, mas, imediatamente parti para o
local. Lá chegando, vi as Mamães Noel, porém, infelizmente, depois de olha-las
não vi Jurema entre elas. Decepcionado e puto da vida por ter caído numa
pegadinha, quando ia voltando, bateram em meu ombro e, ao virar, deparei com
uma mulher linda, cabelos longos e sedosos, corpo bonito que o vestido sedutor
deixava transparecer, coisas que, mesmo com minha imaginação fértil, não imaginei.
Era Jacira fora daquela roupa folgada vermelha, e sem o gorro com Pompom na
ponta. Ela sorriu pela minha surpresa estampada no rosto, e mais uma vez,
tranquilamente falou; Vamos que quero cobrar meu jantar, pois, estou morrendo
de fome!
Naquela
ambiente de festa, alegria, luzes e encantos, tudo me parecia irreal, já que
nada daquilo tinha eu programado, ou esperava que acontecesse. Saímos em
direção à Praça de alimentação, porém no caminho ela falou: Que tal irmos a um
lugar mais sossegado e tranquilo, que possamos comer com mais calma?
Essa
ideia dela para mim foi maravilhosa, pois, ali naquele ambiente, poderia alguma
das amigas de minha mulher me ver acompanhado, e seria um vexame no meu lar.
Assenti sua ideia, fomos para o carro e seguimos de boa, sempre trocando
algumas palavras, até que eu disse: Posso ir para um lugar que estou pensando?
Ele disse que sim, pois, com certeza eu escolheria um local que seria agradável.
E com essa abertura, não pensei duas vezes, e segui direto para um Motel
discreto e chique, onde selaríamos nosso inusitado encontro.
Posso
dizer que foi uma noite maravilhosa, Jacira foi perfeita em todas posições que
eu desejava, tomamos banho na piscina, nos amamos dentro d’agua, jantamos com
um bom vinho e depois voltamos para cidade, fui levar Jurema em casa, trocamos
números dos celulares e, com certeza, nos encontraremos novamente!
Quando
saí no carro é que fui me dar conta, que não tinha comprado porra nenhuma para
ninguém. Terei que não ir ao trabalho hoje, para comprar tudo, afim de não
causar um vexame no meu tranquilo lar. Bastam as desculpas furadas que dei, por
ter chegado em casa tarde e com as mãos vazias!
Aqui
pra nós, cheio de felicidades, posso dizer de boca cheia, que recebi meu
maravilhoso presente antecipadamente!
*Escritor,
Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia Grapiúna
de Letras!
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