terça-feira, 20 de junho de 2023

A EXPERIÊNCIA DE SÃO BENEDITO! (Três) (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Bené acordou as 10 horas, meio ressaqueado, tomou um banho de ducha fria para acabar de despertar, pediu o café no apartamento, tomou e ligou a tv no canal que cuida exclusivamente das programações turísticas da cidade e região do recôncavo, afim de se entrosar com os eventos!

Ficou logo sabendo que as onze horas e trinta começaria a lavagem de Itapuã, contando com vários blocos e trios, além de parte dos Afoxés famosos. Deu um largo sorriso, pegou o celular e, prontamente, ligou para Diva, que já pronta e arisca, estava louca para ir curtir essa “parada”, nas praias do velho Dorival Caymi!

Bené vestiu uma das suas roupas bem coloridas e espalhafatosas, tinha comprado uma pulseira e um cordão de prata com crucifixo, colocaram nele (a lojista) duas fitas do Senhor do Bonfim, deixando ele, bonito, enfeitado e pronto para enfrentar essa famosa lavagem!

Ficou meio parecido com turista, mas, pela cor, o gingado, tom de voz e a malandragem pegada na véspera, passaria, tranquilamente, como um baiano, apenas de bom gosto e com grana. E, sem máquina fotográfica, filmadora e sotaque, deixava transparecer que era um nativo curtidor da terra!

Pegou um taxi, disse o endereço de Diva, que ficava em Amaralina, indo pela orla como ele pediu ao motorista, para ir apreciando as praias. Ficou estupefato de ver tantas mulheres, praticamente nuas tomando banho, ou sol para se bronzear, pensou logo: “Puta que pariu! No meu tempo de vida na terra ninguém nem pensava numa porra dessa. (Essas expressões baianas ele tinha aprendido bem antes da viagem). A praia era somente dos pescadores e Pedro comandava uma turma grande!”

A sorte é que vesti minha sunga, que a moça da loja me recomendou, mas, nem sabia para que era tal peça do vestuário!

Pegou Diva, trocaram beijinhos e seguiram para a Praça da Sereia, onde fica a concentração popular. Diva, periguete experiente nessas festanças, encostou numa barraca, e pediu logo duas caipiroscas bem caprichadas para começar a animação. Começaram a beber, sacodindo os corpos com o som distribuído pela praça, enquanto não chegavam os torpedos sonoros dos trios e bandas baianas. Passou um menino vendendo queijo coalho assado, ele curioso em conhecer, pediu logo quatro e começaram a comer com melaço, que dá um gosto especial. Tudo isso para ele era uma grande novidade e pensou: “Todo mundo fica doido para ir para o céu, e lá não tem nada disso”!

De repente, o povo saiu na carreira e gritavam; VEM AÍ UM ARRASTÃO! Ele disse: Oba, que legal! Pensando que era um bloco, mas, Diva que era “puta velha” em conhecimento dessas merdas (tinha só trinta anos), puxou ele pelo braço e correu para o sanitário de uma barraca e, quando passou a quadrilha de maiores e menores, saíram tranquilos sem terem sidos roubados. Ela explicou para ele o que se tratava e ele ficou besta, sem querer acreditar que, numa festa tão alegre, bonita e religiosa, um grupo de sacanas se aproveitassem para fazer saques e roubos. Pensou: “Colocarei isso no relatório como coisa grave, absurda e abusiva!”

Passado o susto, começaram a chegar os trios e bandas arrastando a multidão, e eles entraram no bolo dançando agarrados aos beijos e esfregações. Bené, assustado com essa nova situação, sentiu algo diferente acontecer e, como sempre fazia, pensou: “Meu Deus, não é minha maldade, mas, não me contive e estou de pau duro novamente, me esfregando na bunda de Diva e, para ser sincero, com vontade de transar! Sei que Santo não transa, mas, aqui eu sou um simples mortal, e tenho o alvará da Chefia, além do tal “livre arbítrio” que me dá cobertura total!

Dançamos, pulamos, fomos abençoados pelas baianas, comemos churrasquinhos, ostras, camarão no espeto e todas as comidas que, normalmente, são vendidas e servidas nessas festas de largo. Deixaram as roupas na barraca que estavam, e caíram na água refrescante do mar!

Já cansados e meio tontos, pegaram um táxi e foram para o Hotel onde Bené estava hospedado. A essa altura da festa Diva estava ”solta na buraqueira” para o que desse e viesse!

Claro que não iam dispensar um bom banho de piscina, uma cervejinha bem gelada para rebater e, completamente satisfeitos, foram para o quarto, tomaram uma chuveirada. E, como não poderia deixar de acontecer, já completamente nus, deitaram na gostosa cama de casal, e começou a rolar uma putaria “franciscana”, como dizem os baianos. Benedito foi ao banheiro, se benzeu, pediu perdão a Deus, e voltou mais armado que soldado russo, com o cacete que parecia um pé de sofá!

Dizem que os negros tem as picas grandes e grossas, e Bené, com certeza, não nega a raça. Transaram em todas as posições que Diva conhecia, deixando Bené feliz, bobo, emocionado, e mais mole que pudim. Terminando os dois dormindo, só acordando no dia seguinte, que era domingo!

Bené deixou Diva se espreguiçando na cama, foi para o banheiro e, olhando-se no espelho, sorrindo novamente pensou: “Quando eu contar para a turma lá em cima minha missão, vão ficar todos putos de inveja!” Banhou-se, fez a higiene normal e voltou, para ceder o local para Diva que, na maior naturalidade, levantou-se totalmente nua com seu corpo tesudo, e com um sorriso nos lábios, vendo Bené nu com um lindo pau exposto, sagazmente, baixou a boca e fez um gostoso boquete, deixando ele tremendo de gozo. Logo após foi para o WC, dizendo que sairia já de biquíni para irem ao Farol, ou Porto da Barra! Enquanto isso, ele pediu um café para dois, para saírem abastecidos para uma nova aventura, e novamente pensou: “Puta merda que missão maravilhosa está sendo essa. Duvido que umas férias em Dubai seja melhor que isso!”

Logico que novas coisas interessantes acontecerão, mas, vamos deixar para as partes seguintes. Tenho certeza que vocês estão, como eu também, curiosos com essa inusitada experiência de um emissário Divino, a nossa querida e maravilhosa terra baiana!

*Escritor – Historiador - Membro da Academia Grapiúna de Letras–AGRAL

A EXPERIÊNCIA DE SÃO BENEDITO! (Dois) (CLIQUE ELEIA)

 

Antonio Nunes de Souza*

Como prometi e nunca deixo de cumprir, estou dando sequência a religiosa e sagrada missão do grande e venerado S. Benedito!

Aportou em Salvador através de uma ação milagrosa do Senhor, sendo esta a última que receberia, até o dia de seu retorno, ou seja, seis meses depois, tempo suficiente para ele questionar, estudar, analisar, conviver e, certamente, tirar suas conclusões e levar seu relatório!

Para ficar no centro da cidade e no pedestal da negritude, escolheu um hotel de classe regular no Pelourinho, foi para seu apartamento, onde, por sorte, da janela descortinava uma linda vista para a casa Jorge Amado e as sedes dos famosos blocos Olodum e Filhos de Gandhi. Podia-se dizer que estava no centro das atenções de Salvador e dos turista do mundo inteiro!

Comprou logo nas lojinhas instaladas na rua, camisas estampadas, bermudas, sandálias, uma bandana e, num piscar de olhos, estava um autêntico baiano, até com o charme do sorriso e andar que, santificadamente, já tinha se preparado para enfrentar os bate papos e as conversações com os nativos!

Tomou um taxi, foi para o Shopping Barra e lá comprou umas calças Jeans, camisas, camisetas regatas, cuecas, bermudas discretas e coloridas também, sandálias abertas e fechadas, dois tênis e outras coisas básicas que todos nós sabemos quais, principalmente um celular que é a maior arma de comunicação do momento!

Gastou uma puta nota, mas, como a verba de representação era liberada, nem se incomodou com esse detalhe. Mandou bala!

Voltou das compras ao anoitecer, tomou um bom banho numa enorme Hidro massagem, que lhe deixou fascinado e pensou: “no céu não tem nada disso, o pessoal lá tá por fora!”

Vestiu uma das roupas que havia comprado e, olhando-se no espelho, logo disse: ESTOU BONITO PRA CARALHO! (Vale dizer que tinha permissão para usar o linguajar dos terráqueos, mesmo os feios e chulos, para que não despertasse desconfiança). E Benedito, já sentindo-se um “afrodescendente baiano”, não economizou as expressões locais, aprendidas telepaticamente, pela sua condição de santo, antes de sair do céu. Era sexta-feira, fim de semana, dia que a vasta boemia fervilha no Pelô com os ensaios das bandas, euforia dos turistas vermelhões das praias e seus requebrados fora dos compassos, mas, nas cadências dos tambores. Benedito acercou-se de um bar movimentado, encostou no balcão e o barmen perguntou logo: Diga aí Bahia, o que é que manda? Ele respondeu: Quero uma xícara de chá de erva cidreira!

-Qualé negão, quer zombar da minha cara? Essa porra aqui é um bar e não farmácia de produtos naturais. Deixe de sacanagem e diga logo o que deseja e, enquanto pensa, vou trazer uma dose de cana da boa para você experimentar!

O garçom trouxe um copinho de Pitú, cachaça pernambucana da boa, e ele numa talagada só, bebeu a zorra. Depois de dar umas duas torcidas e cuspir, falou: Porra cara, a merda saiu queimando meu estômago e foi até o olho do cu. Que bebida forte é essa?

-Cachaça mermão! E essa é a que dizem que matou o guarda! rs rs rs

–Como sabia que fazer mistura de bebidas não era legal, continuou tomando suas doses de pinga, e o garçom perguntou o seu nome, ele disse que era Benedito e logo foi tratado pelo garçom como Bené.

-Lá para as 23 horas começou a ouvir os tambores cheios de encantos, e foi informado que era o começo do ensaio do Olodum. Pagou a conta, deu uma gorjeta ao já seu amigo Vavá, e colocou a cara na rua!

Vale dizer que tomou o maior susto de ver aquele avalanche de gente, mulheres batendo na canela e, para alegrar mais, se requebrando de tal forma e numa esfregação tão grande, que se ele não fosse Santo se excitaria na hora!

Mas, mesmo com a sua santidade, porém com o juízo cheio de cana, terminou entrando no meio, aproveitando todas as sacanagens, aprendeu logo os passos fundamentais e, sem nem lembrar da sua missão, pegou uma negra gostosa e fogosa e se atracou até o amanhecer!

Ela foi para casa, trocaram telefones e ficaram de se falar no dia seguinte. O fato é que na ladeira do Pelô, só deu Bené e Diva (esse era o nome dela)!

Chegou cansado pra cacete, tomou um banho, e pediu no hotel uma pizza para se alimentar para enfrentar o dia seguinte. Comeu legal, olhou-se no espelho, deu uma risadinha, deitou e se apagou, sem nem escrever uma linha sobre a primeira experiência!

Como suas experiências daqui para frente, serão mais apimentadas que os acarajés, vou deixar para a número três, que logo estarei escrevendo com detalhes!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!

  

 

A EXPERIÊNCIA DE SÃO BENEDITO! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Segundo os defensores da Bíblia Sagrada, creio que, para justificar a liberdade e libertinagem que existe na terra, o Pai Sagrado não querendo refrear essa gente mudando os comportamentos, pois, na verdade seria descabida e estranha essa atitude celestial, quando ficou sacramentado o tal do “livre arbítrio”, como se fosse uma liberdade total para todos, e depois cada um seria penalizado pelos seus pecados!

Essa explicação é simplesmente uma questão de fé, pois, não é cabível um Pai com amplos e totais poderes, ver seus filhos praticando super barbaridades, e bancar o Pilatos, lavando as mãos. Esquisitíssima essa atitude, uma vez que, nós que somos simples pais e pessoas comuns, não concordamos com os comportamento dos nossos filhos, literalmente, puxamos suas orelhas e os levamos para os caminhos certos, ou pelo menos, tentamos, veementemente, ao máximo!

Mas, nossa questão não é corrigir a Bíblia, nem tão pouco fazer contestações a essa interpretação milenar. Se temos fé, o certo é acreditar, porém, se nossa fé não é suficiente, vamos caminhar com um pé na frente e outro atrás, pois, um dia tudo será mais que esclarecido!

Nosso texto é sobre uma reflexão de Deus na sua grande piedade cristã, resolveu mandar um emissário a terra, no sentido de ver de perto “in loco” o comportamental dos homens, e com um relatório bem explicado e detalhado, faça com que Ele, na sua bondade, acabe com essa liberdade total que existe no nosso planeta, ou até em outros, quem sabe?

Para tanto, fez uma reunião com todos os Santos, explanou suas ideias, e pediu um voluntário para fazer tal trabalho, começando pela nossa querida Bahia. Na mesma hora, S. Benedito levantou-se e se ofereceu para tal tarefa de grande responsabilidade, alegando que a Bahia era um grande celeiro de negros, certamente, ele passaria despercebido e poderia conseguir, tranquilamente, todas as informações necessárias!

O Espírito Santo achou a justificativa genial e plausível e, sem titubear (Deus não titubeia nunca), assinou uma autorização com liberdade total, inclusive com todas as despesas livres e sem preocupações com gastos!

Benedito, assim vamos trata-lo daqui pra frente, ficou assanhadíssimo (santo também fica assanhado), preparou sua modesta bagagem, pois, as roupas apropriadas compraria num moderno e bacana shopping center, tipo de loja que no seu tempo na terra não existia, e atualmente apenas conhecia através da TV Celestial, filiada da Globo, que já está lá no céu sob o comando do velho Roberto Marinho, querendo também manipular os Santos e as almas, como faz normalmente com os pecadores da terra!

Como o texto está se alongando somente com o preâmbulo, vou terminar, e amanhã escreverei sobre a chegada e estadia de Benedito em Salvador, sendo que foi logo apelidado de Bené!

Não deixe de ler as continuações (são 5 crônicas), pois, aí é que começam as aventuras sensacionais do nosso Santo pretinho, nas plagas soteropolitanas!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!

segunda-feira, 19 de junho de 2023

AS TECNOLOGIAS E MODERNIDADES! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Volta e meia estou envolvido com as novas descobertas científicas, e os modismos que a mídia trata com um destaque que chega as raias do terror, criando pânicos e assombrações psíquicas nas mentes humanas, levantando problemas e conjecturas, com fatos que sempre foram encarados dentro da normalidade, e no passado, mesmo nos deixando putos da vida em alguns momentos, empurrávamos com a barriga e descontávamos com as mesmas moedas, sem que tivéssemos de recorrer aos médicos ou divãs de analistas e psicólogos!

No momento o que está na “berlinda” é o tal do BULLYING!

Curiosamente, ou talvez por isso, vivi por mais de uma década em uma cidade do recôncavo (Santo Amaro), e quase sem exceção, todos nós tínhamos apelidos e éramos sacaneados nas aulas, recreios, festas, esporte, etc., e ninguém ficava ou ficou traumatizado, deixou de estudar, tentou suicídio, morreu de desgostos, depressão ou complexos. Encarávamos os nossos defeitos e aparências com naturalidade, reconhecendo que havia sentido as merdas dos apelidos que nos rotulavam. Era algo tão normal que, sinceramente, tive amigos e colegas que até hoje não sei os seus nomes verdadeiros, pois, somente nos tratávamos pelos apelidos. Até quando íamos chamá-los gritando nas portas das suas casas, e os familiares recebiam numa boa sem fazer cara feia!

Só na minha rua a variedade era enorme: Baleia, Bola sete, Cabeça de Martelo, Bunda de balaio, Caveira amorosa, Cocô de pinto, Cabeça de cupim, Manteiga, Quatro olhos, Cegonha, Boca de Têta, Peniquinho, Goró, Boré, Tolete, Mapé, etc., e esses cresceram, estudaram e muitos se transformaram em médicos, dentistas advogados, professores e outras profissões dignas, mas, na cidade continuam sendo tratados pelos seus queridos e antigos apelidos. Se eu tivesse de relacionar os apelidos dos meus amigos, colegas de colégio, infância e juventude, teria que preencher um livro. E olhe que não estou citando os pejorativos e imorais, que não eram poucos. Posso dizer, com fé de ofício, que essa maravilhosa turma tornou-se vitoriosa, quase todos com formações universitárias, excelentes profissionais, constituíram suas famílias alegres e felizes, encontro-me anualmente com a grande maioria deles nas festas de janeiro e fevereiro da cidade, continuamos nos tratando pelos apelidos, nos abraçamos com manifestações carinhosas das lembranças agradáveis de nossas vidas!

Só como adendo, cito ainda que tomávamos muitos bolos de palmatórias nas sabatinas escolares, cascudos dos professores e alguns outros castigos, etc., e ninguém morreu nem ficou depressivo. Fazia-nos era estudar mais, para não se ferrar, pois, quem não tinha notas boas, não ia à missa no domingo e não lustrava os sapatos, não tinha direito de ir assistir os filmes da matinné. E era uma tragédia, já que não tínhamos TV nem computador naquela época!

Hoje, com essas modernidades, e as famílias não dando educação aos filhos, uma vez que os pais saem pela manhã para trabalhar, voltam à noite cansados, e nem acompanham os fatos que acontecem nas vidas dos filhos. Mas, se algum faz uma queixa que lhe colocaram um simples apelido, ou outra coisa por mínima que seja, os pais vão logo procurar os direitos humanos, conselhos de classe, alegando que os filhos não comem, não bebem, não dormem em função do ocorrido, exigindo indenizações e expulsão imediata do professor. É bom ressaltar que me baseio em experiência de vida e convivência nesse ambiente durante alguns anos. O que não posso é ter a ousadia de dizer, que isso seja frescura do mundo moderno!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!

domingo, 18 de junho de 2023

O VALOR DA APARÊNCIA! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Por mais que imponham milhares de regras, leis, determinações, etc., com relação a aparência física, a sociedade em todas suas vertentes, segue e obedece os ditames severos da justiça, atendem as exigências, mas, sorrateiramente, faz uma triagem muito bem seletiva, no sentido de estar obedecendo, entretanto sem que esteja deixando de lado as tais “boas aparências”, que são as de pessoas com características dos puros brancos da Escandinávia, que inclusive já é minoria no mundo, graças as milhares de miscigenações em todo planeta terra!

Mais uma vez volto a falar desse assunto repugnante, que é o “preconceito”, quer seja de cor, seita, gordura, etc., que, curiosamente, cada vez que as leis apertam o cerco, mais tem crescido o número de adeptos, como se fosse uma competição grotesca e horripilante!

A sociedade empresarial atualmente, tem recrutado em suas empresas, negros, índios, amarelos, porém, facilmente podemos ver com a máxima clareza, que essas pessoas são de cores diferentes, porém, na triagem somente são escolhidas ou selecionadas, aquelas que carregam em seus rostos, detalhes significativos da raça branca. Se você nunca atentou para esse fato, passe a observar, que todas essas etnias que citei, principalmente os negros, 95% trazem em seus rostos, detalhes que não são peculiares e significativos dos negros: Narizes achatados, testas largas, lábios grossos, bocas grandes, queixos proeminentes e cabelos pixaim. Sendo que os 5% restantes, que carregam as características citadas, são, literalmente, muitíssimos qualificados nas áreas que atuam, e a sociedade, mesmo com a cara torcida, tem que engolir por serem pessoas especiais e essenciais!

Além dessa escolha a ponta de dedo, ainda são beneficiados com a questão salarial, que podem substituir seus “brancos e louros”, por outros funcionários de etnias diversas, com uma brutal economia, já que o mercado para essas pessoas são mais fechados, e elas se submetem a ganhar menos, desde quando estejam trabalhando, para suprir suas subsistências!

Infelizmente, até para demonstrar que não tem preconceito, a sociedade, faz uma seleção preconceituosa, fato visível que é muito lamentável!

A sociedade é tão falsa, que até a imagem de Jesus Cristo, que era judeu/árabe, nariz adunco, pele escura e outros detalhes dos povos das Arábias e, cinicamente, representam Ele em quadros e esculturas, como um homem lindo, colocando em alguns casos até olhos azuis!

Creio que ainda levaremos muitos e muitos anos, tendo a aparência como o fator primordial do currículo!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!

sábado, 17 de junho de 2023

A BENDITA TRAIÇÃO! (Clique e leia)

 

 Antonio Nunes de Souza*

Querido Augusto,

Não sei como você vai receber a notícia que darei nessa carta! Tenho medo que não suporte a dor, venha ter um troço e não quero ficar com essa culpa no coração. Sente-se e leia com calma!

Você sabe quanto gosto de você, e como fomos felizes nesses cinco anos que vivemos juntos, mas, conheci um rapaz ultimamente, e saímos algumas vezes. Você sabe como é: Conversa vai, conversa vem, até que terminamos um dia indo parar na cama e aconteceu!

Daí pra frente, passamos a nos ver quase que diariamente nas horas que você estava no trabalho, nos tornamos amantes e resolvi de uma maneira digna comunicar-lhe esse fato, esperando que você compreenda de uma maneira racional, reconhecendo que, infelizmente, alguns amores têm dias contados. E o nosso, ou o meu, lamentavelmente foi um deles!

Desejo-lhe muitas felicidades e entenda que estou deixando essa carta e saindo escondido, com tudo que me pertence, pois não teria coragem de falar pessoalmente e ver seu sofrimento estampado no rosto!

Estou mudando-me para outro Estado, viajarei as 17:00 horas e, como não somos casados, nada haverá de papeladas para assinar! Um dia entrarei em contato com você, pois, tenha certeza, nossos momentos foram maravilhosos e agradáveis enquanto durou!

Um abraço e procure ser feliz,

                                  Melissa Sanches

 

Como normalmente acontecia, as 19:30 horas, Augusto chegou do trabalho, estacionou o carro na garagem, e foi entrando em casa gritando como sempre fazia: Melissa! Já cheguei meu bem!

Mas, estranhamente, ele percebeu que a casa estava às escuras, tv desligada (que não era normal) e nenhum sinal de sua querida mulher. Acendeu as luzes da sala, imaginou que ela deveria ter saído, deitou-se no sofá e começou a ler o jornal que trouxera! Antes porém, ligou para o celular de Melissa e, por três vezes, recebeu o aviso de “desligado ou fora de área”!

Já havia passado uma hora e nada de Melissa aparecer ou se comunicar. Então Augusto resolveu ir tomar um banho e aguarda-la para jantar. Acendeu a luz e, logo que entrou no quarto, achou esquisito a porta do guarda roupa dela estar aberta e vazia. Já preocupado, olhou em volta e viu sobre o seu travesseiro um envelope que, com um salto, foi pegando, tirando a carta de dentro e lendo!

A proporção que ia lendo, as lágrimas escorriam por sua face e os soluços incontidos demonstravam, quanto estava doendo aquela perda da mulher que realmente ele amava, e sempre fora um homem fiel e companheiro exemplar!

Voltou para sala, tentou telefonar novamente, mas, infelizmente, o celular não atendia. Ainda aos prantos, deitou-se no sofá e ligou a televisão para ver o noticiário, com o pensamento de espairecer um pouco a cabeça e ver que atitude tomar, com relação a comunicar para sua família e seus amigos mais íntimos!

Aí aconteceu o inesperado. Entrou aquela música de plantão de notícias e o apresentador começou a falar: “Confirmada a queda do avião com destino a Manaus, que saiu de S. Paulo as 17:00 horas, ficando já testemunhado pelos bombeiros e a equipe da Aeronáutica, que não existe sobreviventes. Em função da localização não ser de difícil acesso, já desceram vários helicópteros juntos aos destroços e, pela destruição de todo aparelho na explosão do impacto, todos os vestígios são categóricos, podendo se afirmar que todos 54 passageiros e os 6 tripulantes estão mortos. Segundo a companhia aérea transportadora, a lista dos passageiros é a seguinte: Fulano, Beltrano, Cicrano, Melissa Sanches, etc., etc.... Os parentes das vítimas estão no aeroporto junto a companhia, bastante aflitos para que sejam iniciados os resgates”!

Ao ouvir isso e a relação dos passageiros, ele deu um pulo do sofá e, mesmo ainda choroso e assustado, não deixou de exclamar bem alto: Viu filha da puta! Quem faz paga! E você está pagando a vista, nem teve um prazinho para se divertir!

Tomou um banho rápido, guardou a carta na gaveta do criado mudo e, antes de sair, lembrou-se que meses atrás havia feito um seguro de vida no valor de um milhão de reais, onde um era beneficiário do outro. Dirigiu-se para onde guardava seus documentos e logo localizou a bendita apólice, conferiu, deu um beijinho carinhoso nela e tornou a guardá-la, já sorridente sem nem pensar na perda da mulher, pois, mesmo se estivesse viva, ele também teria perdido!

Pegou o carro e partiu para o aeroporto, pois, como ninguém conhecia o fato ocorrido, ele agiria como se ela fosse ainda sua companheira. E, mesmo que alguém tivesse conhecimento da história, ele resolveu proceder como se não tivesse recebido carta nenhuma, pois, a essa altura, nada mais tinha sentido para que seja feita uma divulgação!

Confusão no balcão, muitos choros, desesperos e aflições. Ele, vendo aquela triste realidade, mesmo com a dor do desprezo e traição, não conseguiu reter algumas lágrimas, demonstrando um sentimento humano pela tragédia ocorrida!

Como já era noite, ficou combinado que o resgate seria iniciado na madrugada seguinte, seguindo todos para suas casas e alguns para hotéis colocados à disposição pela companhia!

Na volta, passou pela casa da sua sogra para comunicar o fato, pois, sendo esta viúva e ser sua mulher filha única, imaginou o desespero da pobre mulher, que trabalhava fazendo faxinas eventuais. Lá chegando a mulher já sabia do ocorrido através da vizinhança que ouvira no rádio e tv, mas nada tinha feito, já que não tinha nem condições para os deslocamentos necessários.

Augusto procurou consola-la e combinou para na manhã seguinte levá-la para a companhia aérea e aguardar a retirada dos corpos para as identificações e, em seguida, providenciar o enterro!

Tudo isso foi feito nos dois dias seguinte, curiosamente ninguém comentou com ele a respeito do novo amor de Melissa, o tal cara não apareceu, pois, imaginou Augusto que o desgraçado também tinha morrido no desastre, sendo melhor assim porque ele nem saberia de quem se tratava!

Passados alguns dias, procurou a companhia de seguros, deu entrada nos papeis e, com menos de um mês, foi chamado para assinar o recibo do valor determinado, juntamente com outra quantia nada desprezível paga pela companhia aérea!

Hoje está namorando uma linda gata, carro último modelo top de linha, mudou-se para um belo apartamento e nem se lembra da traidora Melissa!

Moral da história: Nem sempre ser corno é um azar na vida! Há males que vêm para o bem!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!

 

SEU FUTURO PRESENTE! (Clique e leia)

 

Antonio Nunes de Souza*

Lorena, velha cigana já beirando seus sessenta anos, depois de correr o mundo vagando errantemente, fazendo suas premunições e adivinhações através dos olhos e as linhas das mãos, ao ficar viúva, vendeu seus penduricalhos e os do seu falecido marido, tudo em ouro maciço como é hábito dos ciganos originais que se presam, resolvendo morar no recôncavo da Bahia, na cidade Santo Amaro!

Com seus lindos cabelos grisalhos, ainda tinha por natureza, aquele porte “jitano” de bailarina espanhola, que quando vestia-se a caráter, chamava a atenção de todos da cidade. Assim, como sempre acontece nas pequenas comunidades, quando alguém novo e vistoso aparece, desperta logo os oportunistas e caçadores de novidades, para ver de que maneira podem usar em seus benefícios, tais interessantes e inusitadas figuras.

Aconteceu logo um locutor da rádio Educadora de Santo Amaro ZYN 33, chamado Antonio, imaginar a criação de um quadro sobre o futuro, utilizando a habilidade de Lorena, que no programa responderia as perguntas e daria soluções para os ouvintes, que usando de pseudônimos, expusessem seus dramas e problemas!

Para Lorena isso era sopa, pois, pela sua vivência e experiência, já tinha em mente respostas para tudo. Acertou um bom salário e algumas mordomias, e uma semana depois, com muito estardalhaço da emissora anunciando a novidade, chegou o dia do programa!

O locutor Antonio todo compenetrado, assim começou: Senhores e senhores ouvintes da Rádio Educadora de Santo Amaro, nesse momento temos a honra de apresentar a filósofa Lorena Abronovich, representante legítima e autentica da mais pura e original etnia cigana, que sem nenhuma dúvida, abrilhantará o nosso novo programa: “Seu futuro presente.” Ou seja: Você saberá o seu futuro no presente momento, ficando ciente do que lhe acontecerá!

Você telefona, faz sua pergunta, e imediatamente a fabulosa Lorena responderá, dando seus conselhos e orientações, garantindo que, seguindo à risca, as soluções serão no presente e imediatas. Aí, para dramatizar mais, o sonoplasta e controlador de som Altamiro Conceição mandou ver uma música flamenca das mais fervorosas, e após baixar um pouco, acendeu a luz da cabine de locução, sinalizando que deveria começar a falação. Prontamente entra Lorena com seu sotaque estrangeiro, cumprimentando seus iniciais ouvintes, que a essa altura já tinham umas vinte ligações na fila de consulentes, anotadas pelo gerente da rádio Wilson Lago, que da sala de som acompanhava a estreia do programa!

A primeira pergunta foi sem nenhuma significação, e Lorena tirou de letra, dando uma resposta contundente e satisfatória. Já a segunda, foi mais complexa, uma vez que envolvia a traição marital. Quando a ouvinte expôs seu problema, citou muitos detalhes do marido, que deixou o gerente da rádio (que estava na escuta) ficar nervoso, uma vez que os detalhes se encaixavam direitinho com seu procedimento. Prontamente, antes que Lorena dissesse algo, Wilson tomou a frente de Altamiro, cortou o microfone de Lorena, levantou o som, e com outro microfone falou: Caros ouvintes devido uns problemas técnicos, será suspenso o programa, até quando forem resolvidas as pendências. Nossas desculpas e um bom dia!

Em seguida chamou Lorena e o locutor Antonio e disse: Ou o conselho para essa ouvinte, que é minha mulher, vai ser o que eu escrever, ou então o programa não vai mais ao ar!

Lorena e Antonio, pacificamente, aceitaram, e no dia seguinte uma nova estreia com a resposta combinada, limpando a barra do gerente. Com o sucesso da estreia, recebeu dezenas de ligações e, posteriormente, choveu cartas e e-mails elogiando sua performance!

Isso tem quatro anos, Lorena é líder de audiência, e foi convidada por Genebaldo para ser vereadora ou prefeita. Mais uma prova que o pobre, inocente e deseducado povo, adora uma enganação!

*Escritor, Historiador, Cronista e Poeta!