terça-feira, 1 de setembro de 2026

MEU DEUS EU QUERO MORRER! (Clique e leia)

 Antonio Nunes de Souza*

Aos gritos e choro convulsivo, Maria Tereza segura por dois fortes enfermeiros, descia da ambulância no pronto socorro! Todos assustados olhavam para aquela moça completamente desarrumada, porém, deixando ainda transparecer a sua beleza, procedendo daquela forma. Um deles foi logo dizendo alto para todos: Essa deve ser uma das patricinhas riquinhas que encheu o chicote de drogas!

Assim que a soltaram e colocaram-na sentada, levantou-se rapidamente e correu para a janela (estavam no segundo andar) tentando se atirar. Mas foi contida pelos enfermeiros. Sem parar de bradar alto a frase: Meu Deus eu quero morrer!

Chamaram um clínico, que a examinou e nada pressentiu de anormal, a não ser a histeria que se apoderava dela. Então solicitaram a presença de um psiquiatra e esse, dando-lhe um calmante, sugeriu que fosse melhor a presença de um psicólogo para conversar com ela, e tentar saber a razão do seu desejo alucinante de morte!

Já no quarto, deixaram que ela dormisse, antes lhe dando um banho completo, pois estava imunda da cintura para baixo!

E quando acordou quatro horas depois, já mais calma, porém, aos prantos, pediu a presença de um médico para saber o seu estado. Veio o psicólogo juntamente com o psiquiatra, e juntos começaram um papo agradável com bom humor, demonstrando que eram confiáveis e que lhes seriam úteis. Porém, sempre meia sem graça e com o olhar baixo, não deixava de repetir a sua mórbida frase com relação a morrer!

-Minha filha, por favor, nos conte o que houve para lhe deixar nesse estado tão estranho. Sabendo as razões é bem mais fácil se achar as soluções. Falou o psiquiatra, um senhor de cabelos grisalhos que com sua aparência paternal, fazia seus pacientes se sentissem mais à vontade. E o psicólogo se retirou!

-Doutor eu vou contar embaixo da maior vergonha da minha vida, mas, depois eu quero que o senhor me prometa praticar a eutanásia comigo!

-Vou lhe ouvir, discutir os fatos e depois resolveremos isso!            -Combinado! Mas, confio no senhor com as maiores esperanças mortais. Eu sou estudante de direito e fui convidada para sair por um homem que é um engenheiro bem sucedido, e já tínhamos trocados alguns olhares e poucas palavras, quando nos encontrávamos no elevador, já que moramos no mesmo edifício. Aceitei, me preparei completamente, indo ao salão e fazendo todas as coisas que se faz, para estar prevenida para qualquer coisa que viesse acontecer. Mas, por ironia do destino o que me aconteceu foi uma tragédia. Quando estávamos jantando minha barriga começou a fazer determinados ruídos e comecei a sentir uma agonia no intestino, calmamente dei um pum daqueles silenciosos que são apelidados de “samurai” (chegam em silencio e mata qualquer um). Foi um fedor tão desgraçado que nem eu suportei, deixando os dois na mesa completamente sem graça. Passados dez minutos e aí, sem querer, larguei outro. Desta vez um “ninja” que até o pessoal da mesa vizinha se levantou e pediu ao maitre para mudar de lugar. A essa altura eu suava por todos os poros, sem saber onde meter a cara, pois, pelos olhares do outro casal, percebia-se claramente que só podia ser ou eu o meu acompanhante e, como ele estava muito seguro de si, eu era a resposta para a curiosidade de todos. Jantamos rápido e saímos, pois não tinha clima para demoras. Então dei graças a Deus, pegamos o carro e fomos direto para o condomínio. Porém ao longo do caminho me senti mais aliviada e sem agonia, já de mãos dadas, aceitei seu convite para ir até o seu AP que era dois andares acima do meu. Lá chegando começamos a conversar, sentados em um lindo sofá branco, aos pouco já estávamos trocando carícias bem íntimas. E, meu Deus, foi aí que começou a tragédia. Dei um peido bem alto e daqueles de carretilha que não se pode disfarçar, e o fedor foi tamanho que ele foi para a varanda da janela tomar ar. Totalmente desesperada, corri para ele abraçando-o e pedindo milhões de desculpas. Ele com o nariz vermelho, como um cavalheiro elegante, me abraçou fortemente e disse: Isso acontece meu bem. Esse abraço foi mesmo que uma bomba, pois no mesmo instante eu me caguei toda, a merda escorrendo pelas pernas, aquilo parecendo vatapá, porém com fedor de feijoada podre. Saí correndo para o sanitário deixando atrás de mim um rastro de merda fétida e desastrosa. Ele vendo aquela situação grotesca, imaginou que eu estava podre por dentro, logo chamou o SAMU. E eu trancada no sanitário sem nenhuma coragem para sair e encarar a situação. Foi quando chegou a ambulância, a notícia num minuto se espalhou pelo edifício, e na frente do AP dele já tinha dezenas de amigos e curiosos. Os enfermeiros pegaram um lençol que Thadeu deu, cobriram minha cabeça e me trouxeram para aqui. Vim cagando por todo caminho, os enfermeiros com máscaras, e eu morrendo de vergonha gritando que queria morrer, depois dessa tremenda tragédia!

-Pronto doutor, essa é minha triste história e peço agora que veja se tenho ou não tenho razão de querer morrer, pois não tenho mais coragem de encarar meus amigos, o pessoal do edifício e, principalmente Thadeu!

-Você tem toda razão minha filha, foi uma situação horrível que deixa qualquer mulher, completamente desequilibrada! Pensei, refleti, nunca fiz isso, mas, vou agir da maneira mais sensata: Pegou uma seringa com uma injeção de cianureto, aplicou na pobre mulher, para ela ir matar o diabo sufocado nas profundezas do inferno!

Nisso retorna o psicólogo entra e pergunta, o que houve?

E o psiquiatra responde calmamente: A moça deu um enfarto fulminante e morreu. Pobre coitada!

*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos Membros fundadores da Academia grapiúna de Letras!

 

 

 

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