segunda-feira, 29 de novembro de 2021

DÚVIDAS SACROSSANTAS!

 

Antonio Nunes de Souza*

Baseando-me sempre na legislação do tal do “livre arbítrio”, aproveito para tirar as minhas dúvidas, logicamente, sem querer colocar “grilos” nas cabeças alheias, mas, simplesmente mostrar um outro lado da história, que infelizmente, bate de frente com os tradutores da nossa maravilhosa Bíblia Sagrada!

Segundo os santos filósofos historiadores, escritores e tradutores oficiais do Santo Livro, depois de sete dias criando o mundo, ou seja, o paraíso, Sua Santidade ficou admirando as belezas da natureza e pensou: Puxa vida! Fiz todos os animais, linda fauna e belíssima flora e, por um esquecimento, nem pensei em fazer alguém que fosse a minha imagem, raciocinasse e pudesse conversar comigo, trocando opiniões, ou até chamando-me a atenção para alguns detalhes que deixei passar em branco!

Assim sendo, depois desse pensamento, olhou para o lado e vendo um monte de barro, percebeu que seria fácil fazer uma escultura e colocaria vida depois, achou que não seria necessário, milagrosamente, dar um toque e, Divinamente, já aparecer o homem pronto. Ainda mais que estava sem fazer absolutamente nada, seria distraído brincar de escultor para matar o tempo. E foi o que fez! Meteu as mãos na argila e começou a mandar brasa em todos os detalhes. Inclusive, não sei se porque Ele também tem, colocou entre as pernas um saquinho com duas bolas e um penes tamanho médio. Tudo isso já que o tal homem deveria ser a sua imagem!

E, depois de pronta essa magnifica obra, olhou para uma poça d’agua que havia ao lado, olhou para a escultura e disse, com o maior orgulho: Puxa vida! Está a minha cara! Eu sou fo... desculpe, eu sou um Deus mesmo! Vale dizer que os palavrões vem de épocas tão remotas, quanto a terra. Nada disso é novidade, apenas, foram aparecendo aos poucos para não escandalizar muito!

Quando a estátua se levantou, bateu de frente com sua Divindade e foi logo perguntando: Quem é você cara!

E Deus respondeu na tampa: Sou seu criador seu curioso perguntador! Acabei de lhe fazer para que o paraíso ficasse completo, com todos os seres irracionais, e entre eles houvesse um ser racional capaz de governar tudo e todos, fazendo uma felicidade coletiva! Imagine vocês que vacilo incrível de Sua Santidade, dando “livre arbítrio” aos homens, imaginando que usariam para o bem!

-Seu nome será Adão meu filho!

-Tô percebendo que todos do paraíso tem uma parceira, ou seja, o Senhor criou um casal de cada animal, e eu vou ficar boiando sozinho?

-Rapaz, não é que é verdade? Vou imediatamente, criar uma parceira para você e, olhando para o lado, viu que não tinha mais barro, chamou Adão e disse: Vou tirar uma costela sua e, milagrosamente, farei uma parceira para você!

-Valeu gente boa. Darei a costela com prazer. E prontamente abaixou-se perante o Sagrado Senhor que, num golpe de mestre, sacou a costela, fechou o peito e, sem pestanejar, começou a esculpir a mulher!

Meu Deus do céu! Deus não estava inspirado nesse oitavo dia, pois, com uma costela poderia ter feito apenas uma xoxota e pronto. Sendo que esta teria poderes para procriar e ampliar a espécie sem criar tantas despesas e problemas!

Mas, Deus não estava nem aí. Fez a mulher e colocou seu nome de Eva. Logicamente, entre as suas lindas coxas e pernas, colocou uma rachadura interessante, que Adão já olhou desconfiado, que aquela abertura teria ótimas utilidades, mas, desconhecia quais!

Deus ainda falou: Pronto, agora já temos “Eva e Adão”!

-Calma meu Rei, essa sonoridade está meio pejorativa. É melhor dizer: Adão e Eva, pois livra um pouco minha cara com a galera futura!

Assim sendo, Deus colocou os dois embaixo de uma linda macieira, e falou bem claro que segurassem as pontas, pois, no paraíso não teria pecados. Como até a Santidade Maior tem seus enganos, minha gente!

Aí, Santificadamente, Deus desapareceu, deixando a terra nas mãos desse lindo casal que, depois de cair na lábia da tal serpente luxuriosa, começou a habitar e ampliar esse mundo de meu Deus!

Creio que essa minha tradução seja mais simples, objetiva, mais perto da verdade, que as fantasiosas entrelinhas colocadas como divinas. Claro que tenho muitíssimas dúvidas, que dariam para fazer um grande livro, principalmente, as criações de determinados animais, ou insetos que nos sacaneiam nojentamente, como as baratas, muriçocas, piolhos, chatos que provocam uma terrível coceira no saco e na região pubiana, além de uma série de outros que somente, até hoje, nos pentelham sem dó nem piedade, sem provarem para vieram ao mundo!

*Escritor- Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL-antoniodaagral26@hotmail.com

domingo, 28 de novembro de 2021

AS CRENÇAS ESTÃO ATENTAS!

 

Antonio Nunes de Souza*

Desde menino que aprendi sobre a intromissão das religiões em todas as vertentes de reis, imperadores, chefes de estado, navegadores, guerreiros, caciques tribais, colonizadores, etc., enfim, com absoluta certeza, sempre tinha um guru religioso ao lado dessas pessoas mandatárias!

Na verdade, para sermos bem justos e honestos, quem tinha essa primazia e honraria em primeira instância, eram os católicos, através dos seus filósofos, depois papas, bispos e padres, verdadeiros “manda chuvas” em todos os assuntos, tendo, com o dom das suas palavras, uma grande fé de ofício e credibilidade!

Depois, já adulto, no curso de licenciatura de história, estudando essa parte, fiquei mais bem informado, com mais detalhes e, algumas pequenas dúvidas que pairavam, foram diluídas com as informações comprobatórias das pesquisas minuciosas sobre o assunto. Fiz uma reflexão, passando um filme em minha já cansada mente, chegando à conclusão, que esse poderio das religiosidades perante os governos em geral, não mudou, absolutamente em nada. Pois, continuamos sendo governados e administrados, sempre com os dedos, apoiando ou condenando, dessas figuras santificadas, tendo como diferença apenas que, atualmente, a grande ampliação de religiões, todos brigando pelas suas fatias nos pódios, tentando galgar os poderes e não serem mais conselheiros apenas!    

E é o que estamos vendo, espelho do que ocorre em todo território brasileiro: padres, bispos, pastores, espíritas, pais de santos, rabinos, freiras e mais uma centena de ministros de milhares de igrejas existente que, tranquilamente, colocam seus candidatos, obviamente para obter seus benesses, direcionam seus fiéis para votarem nas suas indicações!

Minimamente, existem alguns ministros de Deus, que são excelentes apaziguadores e sensatos, que sentados nos seus largos e fortes muros, oram pelas comunidades, faz suas reivindicações para beneficiar o povo, mas, com as sabedorias que lhe são peculiares, não ligam-se a nenhuma vertente partidária. São esses, uns “Santos Homem!”

Entretanto, na área evangélica, nós estamos enriquecidos e  beatificados, ungidos e sacramentados, com as interveniências políticas da Universal, Renascer e Theosópolis e outras também importantes, cada uma apoiando um candidato, ou todos apoiando um candidato único, provavelmente para serem beneficiados em impostos, taxas, cargos expressivos, chegando até a ministérios dos mais fortes do governo!

Podemos dizer, sem medo de errar, que será uma guerra santa demoníaca!

Como já disse em uma crônica anterior, filosofando em cima do grande filme de Glauber Rocha, será: “Deus e o Diabo nas terras Tupiniquins!”

No fundo, no fundo, creio que que Deus mesmo usando seu nome como escudo, não vai se meter nessa disputa, pois, parece mais briga de Satanás, Tinhoso, Cão e Capeta!

Até agora, nenhum candidato santificado “oficializou” que será candidato. Tomara que apareça!

*Escritor – Historiador - Membro da Academias Grapiúna de Letras – AGRAL – antoniodaagral26@hotmail.com

FILOSOFANDO DA VIDA!

 

Antonio Nunes de Souza*

Eu, menino criado no interior nos idos de antanho, fazendo todas as coisas hoje condenáveis, consegui, magicamente, sobreviver meus oitenta anos com uma saúde invejável, somente tornando-me um homem cheio de dúvidas com relação ao “modus vivendi” do nosso dito mundo atual!

Uma das que mais me deixa pasmo e confuso é que eu seja um erro genético, conseguido através de um espermatozoide fora do padrão que, com autodefesas miraculosas, enfrentou e enfrenta as maiores adversidades, continuando impecavelmente saudável!

Somente para ilustrar claramente o meu relato de confuso ser humano, se faz mister que cite alguns comportamentos considerados estranhos e absurdos na atualidade, que eu, grotescamente, fazia e continuo fazendo, sem ter a desdita de ser acometido das ferozes doenças da nossa moderna e conceituada atualidade!

Já quando engatinhava no quintal da nossa casa, contava a minha tia, que com muito amor me criou, que minha distração favorita era comer terra. E, por essa razão, ela era obrigada a me policiar constantemente, porém, esse meu lanchinho eu não dispensava nunca as escondidas. Talvez por isso nunca tive lombrigas. Provavelmente, elas não gostavam de arenito. Ao decorrer dos anos passei a ser um moleque forte, robusto que, mesmo com uma educação rígida, sempre vivia solto pelas ruas jogando bola pelas calçadas, e adorava ir para as feiras livres. E, como era um garoto bonitinho, simpático e sobrinho da dona de uma boa loja na cidade, onde os feirantes eram fregueses e me conheciam, ficava olhando as montanhas de frutas no chão com o olhar de desejo e pidão e, facilmente, era agraciado pelo vendedor com alguma já meio passada, que ele descartava. Sem pestanejar, imunda mesmo como ela estava, metia na boca e saia comendo, ou chupando na maior alegria e satisfação. Quando muito, antes de degustar, esfregava na calça na parte da bunda, imunda por sentar-me sempre no chão, considerando que o alimento estava altamente higienizado e apto para consumo. Minha mistura de comestíveis durantes as feiras no cotidiano, era algo maravilhoso e elogiado por todos, como um menino criado com cuidados e atenções especiais!

Não tinha geladeira em minha casa, fui conhecer tal máquina metia na boca e saia comendo ou chupando na maior alegria e satisfaçrava ir para as feiras livres e, como era um garoto boniti polar, quando eu tinha 12 anos. Quase morro de tanto fazer um negócio que chamavam de “abafa banca” (nunca soube a razão). Não passava de um picolé feito na fôrma de gelo comum. Eu apanhava qualquer coisa e fazia o tal do abafa. Até de farinha com açúcar, ou resto de feijão fradinho amassado com o garfo, que era o nosso liquidificador. Antes desse mágico equipamento chegar em nosso lar, bebíamos água armazenada em um grande pote de barro, cheio direto da torneira, ou da cisterna, que retirávamos através de um caneco de alumínio sempre amarrado por um barbante e colocávamos o líquido no copo. Mas, eu quando não tinha ninguém olhando, bebia era direto no caneco, e o resto devolvia para o pote. Para o almoço colocávamos duas moringas na janela e na sombra, para nos deliciarmos durante a refeição que, normalmente, era um feijão de mocotó de boi, sarapatel, maniçoba, viúva de carneiro, rabada e, curiosamente, muito bacalhau que, naquela época, era considerada comida de pobre, em virtude das milhares de barricas que vinham da Noruega, através dos navios cargueiros. Imaginem vocês que era uma ofensa de desdém dizer: “Aquele é um pobre coitado comedor de bacalhau com farinha!” Com essas comilanças todas, nunca ouvi falar em colesterol. Quanto mais comíamos gorduras éramos tidos como sabedores em se cuidar e ficar cheio de “sustâncias”, como diziam nossos parentes, com o maior orgulho!

Para ser sincero, bebi pouquíssimo e raramente, mas, em compensação, fumei durante 60 anos de minha vida!

Estou vivíssimo, boa saúde, ótima memória, já escrevi 12 livros, continuo escrevendo, fui casado 49 anos com a mesma mulher, que é minha amicíssima, com certeza, provavelmente viverei mais uma penca de anos!

“Eu devo ser a tal da “exceção da regra!”

 

Escritor – Historiador - Membro da Academia Grapiúna de Letras - AGRAL – antoniodasagral@hotmail.com-