quarta-feira, 4 de agosto de 2021

LIBERDADE SEXUAL!

 

Antonio Nunes de Souza*

Torna-se bastante ariscado falar sobre a amplidão da liberdade sexual, uma vez que, queiramos ou não, temos que presenciar e ver a olhos nus, uma multiplicação de comportamentos entre os gêneros, que já não sabemos o que é certo, ou o que é errado!

Está já fixada a generalização de atitudes e comportamentos que, por mais estudos ou análises feitas, nenhuma delas chega a conclusões positivas, pois, diariamente, as aberturas estão acontecendo, as divulgações nas mídias se avolumando e, tranquilamente, você é capaz de tomar conhecimentos das façanhas e atos, jamais pensados!

Será que isso representa a evolução cultural dos homens?

Ou um retrocesso humano em busca de aventuras liberais dentro da sexualidade?

Temos que ser benevolentes, aceitadores de todas essas coisas com respeito, porém, praticando, não pelos modismos, mas pelas vontades e desejos de cada um, já que o tal do ‘livre arbítrio”, segundo o livro Sagrado, foi determinado por Deus!

Na nossa atualidade, surubas, troca de casai, boquetes, relação anal, lesbianismo, casamentos gays, adoção de crianças por casais do mesmo sexo, direitos de heranças, aposentadorias transferidas em caso de mortes, cirurgias para mudanças de sexos, bissexualidade, usar roupas masculina, ou vice versa, essas são algumas das ações já incrementadas e fixas normalmente que tenho conhecimento. Mas, não duvido nada eu já estar obsoleto em função de outras mais modernas novidades!

Vocês pensam que eu sou contra?

De jeito nenhum! Apenas estarrecido com essa modernização, e curioso para saber se tudo isso tem sentido cultural, ou estamos descambando para voltar a idade das cavernas, onde tudo era válido dentro da ferocidade humana, sem nenhuma limitação!

Pode-se perceber ainda que, diferente do passado, as homossexualidades, geralmente eram desenvolvidas nas pessoas de algumas determinadas profissões, ditas mais “delicadas”. E, atualmente, claramente e abertamente, vemos no futebol, box, MMA, basquete, vôlei, tênis, ginastica, cinema, teatro e televisão. Nas profissões outras, principalmente as liberais, são bastante abundantes!

Eu prefiro ficar com minhas dúvidas, não aderir essas inovações já que a idade não permite mais e, eventualmente, praticar meu velho, modesto e eficiente “papai/mamãe”, deixando a coisa rolar como o Diabo gosta!

*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL-antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

MINHA PRIMEIRA NOITE!

 

 Antonio Nunes de Souza*

 -Lucinha, não lhe conto!

-Vá logo contando e deixe de suspense Sheila. Estou morrendo de curiosidade! Depois que você saiu não consegui nem dormir direito, imaginando como seria sua noite!

-Ah! Ah! Ah! Ah! Você não vai acreditar. Foi a coisa mais incrível que poderia acontecer, minha filha!

-Então bota tudo pra fora e não omita nadinha, nadinha. Quero saber todas as minúcias, minha filha, pois, quando aconteceu comigo eu não escondi de você nem um suspiro!

-Tá certo! Você é minha melhor amiga e não posso lhe esconder essa minha mais nova emoção, que protelei ao máximo, prometendo a mim mesma que só faria quando fosse a hora e a pessoa certa!

-Assim que entrei no carro ele virou-se para mim e disse:

-Posso ir para um lugar que estou pensando?

-Claro! Você conhece os lugares interessantes da cidade e tenho certeza que também gostarei!

-Ele me deu um beijinho, alisou o meu queixo e segui dirigindo sem dar uma palavra. Quando eu percebi que estávamos indo em direção ao S. Caetano, fiquei pensando que restaurante legal existia por lá para ele me levar para jantar? Mas, quando chegou ao antigo Hiper messias, ele dobrou a direita e continuou seguindo, passou pelo Colégio Estadual, Espora de Ouro, Jaçanã, e aí comecei a suar as mãos, pois, embora jamais tivesse ido, sabia que naquele trecho ficava o Motel Carinhoso. E, como imaginei, ele olhou para mim, deu um sorriso, puxou o meu rosto e deu um beijo e um cheiro em meu pescoço, como se tivesse pedindo meu assentimento para parar e entrar. Dei um sorriso amarelo e calada fiquei. No seu entendimento, aquela minha reação era sinal de que eu estava gostando da surpresa!

-Na verdade eu estava excitadíssima com o que estava começando a acontecer. Não uma excitação sexual, mas um misto de tensão nervosa, tesão, medo, curiosidade, insegurança, desejo, dúvida e mais uma infinidade de coisas que passava pela cabeça. Mas, mesmo com esse coquetel de coisas no juízo, minha vontade de ir para cama pela primeira vez com um homem, estava definida que seria naquela noite. Apenas, a surpresa do imediatismo dele, quase me colocou em pânico. Imaginei que iríamos, jantar, depois dançar um pouco em algum lugar e, no fim da noite, já animados, partiríamos para a verdade, fosse em que lugar fosse!

-Menina, você não ficou com medo não?

-Fiquei a porra toda que você imaginar, mas, o que mais fiquei foi com vontade de dar! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Na hora que o carro entrou e ele recebeu a chave e o porteiro falou: Apartamento 27, eu ri por dentro e disse pra mim mesma: Vai dar vermelho 27 na cabeça! E comecei a rir com meu pensamento besta!

-Alguma coisa meu bem?

-Nada Lúcio. É que me lembrei de uma coisa engraçada, mas não tem nenhuma relação conosco, foi um fato que aconteceu na escola!

-Ele dirigia naquele labirinto desconhecido para mim, mas, parecia ser um Airton Sena nas curvas fechadas, como se fosse um profundo conhecedor do circuito. Enfiou o carro no Box e imaginei logo que quem iria receber a mangueira e sair abastecida era eu e não o carro!

-Ele saltou, abriu a porta para mim, eu saltei super tremula, mas sem dar bandeira, querendo demonstrar segurança, embora ele soubesse que aquela era minha primeira experiência!

-O apartamento estava todo arrumado, relativamente espaçoso e havia uma pequena piscina. Apenas dava para sentir no ar um cheiro desagradável de mofo misturado com desodorante ambiental, que tirava um pouco o romantismo. Eu permanecia passiva sem saber realmente o que fazer, ficando a espera de suas reações para seguir os meus e os seus instintos!

-Ele ligou o ar condicionado, a música ambiente, me pegou pela cintura e começamos a dançar bem agarradinhos a meia luz! ----Entre esfregações e beijos, sem que nada disséssemos um ao outro ele parou, pegou o telefone e solicitou que mandassem um Champanhe. Eu fiquei logo assustada imaginando o garçom entrar e me ver. Mas, depois percebi que tem uma janelinha onde são colocadas as coisas, sem perturbar a privacidade!

-Começamos a beber e, aos poucos, ele foi tirando minha roupa e eu, seguindo os seus passos fui fazendo a mesma coisa, até que ficamos completamente nus e continuamos dançando numa esfregação bem gostosa que eu estava vendo a hora de gozar ali mesmo em pé!

-A essa altura eu já estava praticamente dominando o ambiente, parecendo que nada daquilo era novidade para mim. --Mesmo dançando, fui levando ele para junto da cama e, com um leve empurrão, o joguei no colchão que estava forrado com um edredom e começamos a rolar de um lado para o outro, por cima, por baixo e em todas as posições que a cama permitia!

-Aí, comecei a sentir que ele estava suando muito e um tanto nervoso. Coloquei minha coxa entre suas pernas e percebi nitidamente qual era a razão do seu desespero: Seu pinto estava mais mole do que coração de mãe. Fiquei me esfregando com todo carinho para ver se conseguiria alguma reação, mas o danado parecia morto, porém, sem a rigidez cadavérica!

-Algum problema, Lú?

-Pô Sheila! Pensei tanto nessa noite e agora me acontece isso! --Juro que é a primeira vez que isso me acontece. Acho que é a emoção de estar aqui com você. Venho desejando há tanto tempo e agora passo essa vergonha e lhe decepciono!

-Não se preocupe meu bem. Tenho ouvido falar e já li a respeito, que isso pode acontecer com qualquer pessoa, pois é uma questão emocional!

-Vamos pedir um jantar pra nós, pelo menos para compensar esse desastre.

-Tá legal! Peça alguma coisa e eu vou tomar um banho enquanto chega, você descanse a cabeça um pouco e, quem sabe, não muda tudo e pode ser que seu caso seja fome. Falei sorrindo, querendo quebrar a tensão que seu olhar transmitia!

-Entrei no banheiro, fechei a porta e, sinceramente, fui logo me masturbar, pois estava com um tesão incrível, toda molhadinha e não iria sair com aquele zero a zero filho da puta! -Gozei gostoso embaixo do chuveiro bem quentinho, satisfazendo pelo menos em parte, o que tinha programado fazer naquela noite!

-Quando saí, enrolada na toalha, pois aquela altura não havia mais vergonhas nem pudores, a comida já havia chegado, nos sentamos em uma pequena mesa e começamos a comer. Ele evitava olhar-me nos olhos, deixando claro que estava morrendo de vergonha. Eu, para deixá-lo mais à vontade, puxei várias outras conversas e também pouco o olhava de frente!

-Acabamos de jantar, esperei um pouco para ver qual seria a reação dele, com relação a novamente deitarmos e tentarmos alguma coisa, mas, infelizmente, o que ele disse foi: Meu bem vista a roupa e vamos embora. Quero sair daqui para esquecer essa noite de decepção. Mas, você sabe que foi uma casualidade, pois, quando nos beijamos sempre, você percebe a minha reação!

-Claro! Deixe de ser bobo que, embora com 17 anos, eu sei perfeitamente que essa situação independe de idade. E não é por você ter 35 anos, que já não corresponde sua masculinidade. E, para completar, disse sorrindo: Isso acontece até com a nobreza inglesa, como dizem no popular!

-Saímos, entramos no carro, trocamos poucas palavras e, na saída, ele olhou pra mim com aquela cara de cão sem dono e implorou com a maior meiguice: Oh, meu bem, por favor, não conte isso pra ninguém não, senão eu vou morrer de vergonha! -Você promete?

-Com certeza! Fique tranqüilo, pois para mim nada existiu de excepcional. Foi apenas um acidente de percurso!

-Nos beijamos e eu saltei do carro, dirigindo-me para dentro de casa, carregando entre as pernas o meu sortudo cabaço, que ainda terá alguns dias de sobrevivência!

-Meu Deus! Eu nem acredito Sheila! Aquele homão todo brochar na hora H?

-Pois é minha filha. Mas, da próxima vez se ele falhar, será deletado da minha vida para sempre, sem dó nem piedade!

-Olhe Lucinha, que esse segredo fique entre nós. Combinado?

-Fique tranqüila, minha amiga. Somente eu vou ter cuidado, para na hora que me encontrar com ele não cair na risada!

*Escritor-Historiador-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com)

terça-feira, 3 de agosto de 2021

VIDA PARADOXAL!

 

 Antonio Nunes de Souza*

 Como todas as pessoas, também tenho opiniões a respeito da vida e da morte, mesmo sabendo que sempre estaremos entrando em choque com alguém, pois, ninguém é dono da verdade absoluta. Somente os idiotas não mudam de opinião com o passar do tempo, depois de absorver novas informações e vivenciar fatos que nos provam que a realidade é outra. Ser mutante é sinal de inteligência!

Tempos atrás, fiz um poema onde expressei que a vida é curta, começa na penetração do espermatozóide e tem a duração de apenas nove meses, que é o período da gestação e está se criando no ventre um ser vivo, uma nova pessoa, um abençoado que conta com a proteção envolvente de um corpo materno que, com amor, acompanha e zela   toda sua trajetória de vida!

Passado esse período, quando colocamos a cabeça no mundo exterior, seguramente, começamos a morrer num processo lento, com durações diversas. Pois, simplesmente, cada dia que passa na vida (?), nós na verdade, estamos morrendo! Lógico que, paradoxalmente, estamos vivendo a nossa morte, uma vez que a passagem dos dias nos aproxima dela gradativamente, até que se apodere totalmente e encerre nosso ciclo!

Se você fizer uma analogia simplista e romântica, achará que minha teoria é louca e simplória, porém, refletindo com a frieza necessária e lógica, verá que tem um sentido não só lógico como profundo, pois, acredito piamente que devemos viver essa trajetória da morte com muitas alegrias, satisfações, prazeres e, principalmente, administrando tudo isso com sabedoria, pois, a morte não tem período de validade, como a vida que, lamentavelmente, são apenas nove meses. Se formos espertos e cuidadosos poderemos ampliá-la por muito mais tempo, já que a preocupação dela é nos debilitar progressivamente. Somente ainda não conseguimos eterniza-la, mas, os cientistas estão trabalhando para ampliar cada vez mais sua duração. Ver mortes centenárias hoje não é mais uma grande novidade!

Tinha prometido a mim mesmo que não voltaria a esse assunto por ser muito polêmico, pouco entendida e choca completamente com tudo que aprendemos no passado, sobre o que é a vida e o que é a morte. Contudo, vendo o filme “O estranho caso de Benjamin Button”, que achei genial a visão fantástica do criador do texto, deu-me vontade de retornar ao assunto, apenas para enfatizar uma realidade clara e objetiva!

Imagine como seria genial se nascêssemos velhos, já com todas as nossas debilidades inerentes a terceira idade, fossemos cuidados carinhosamente para irmos suplantando todas as  complicações salutares, nos restabelecendo e rejuvenescendo tranquilamente, começando a desfrutar da vida e nos tornando cada dia mais capazes e fortes, vivendo primeiro essa fase triste e desagradável de doenças, discriminações e rejeições e, a cada dia, desfrutar de momentos novos e maravilhosos, com a certeza que amanhã estaremos mais jovens, bonitos, sadios e amados!

Essa regressão fantástica e, infelizmente, ainda inviável, nos faria bem mais felizes, pois, nossa dita morte chegaria quando estivéssemos num colo com todo aconchego, sem a consciência de nada que ocorreu ou ocorrerá, e sem as dores e saudades que hoje sentimos quando estamos velhos e percebemos que chegou a nossa hora de partir!

Pense como seria maravilhoso alguém morrer cheio de saúde, robusto, querido e ter vivido e atravessado em torno de um século?

Tudo isso parece uma loucura que bate de frente com todos os padrões científicos e religiosos, mas, com a ciência todos os dias fazendo novas pesquisas (clones, DNAs, espermatozóides genéricos, inseminações artificiais, etc.), nada é impossível de acontecer nessa Vida Louca!

Minha esperança é que se esse processo for acontecer que seja logo para que eu pegue essa bendita regressão, reviver ou remorrer (não sei como dizer ao certo), curtindo tranquilamente uma nova oportunidade e morrer mamando nos braços de uma mulher!

 

*Escritor–Historiador-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL– antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomnteiga.blogspot.com