domingo, 28 de março de 2021

DEUS EU QUERO MORRER!

 

Antonio Nunes de Souza*

Aos gritos e choro convulsivo Maria Tereza, segura por dois fortes enfermeiros, descia da ambulância no pronto socorro. Todos assustados olhavam para aquela moça, completamente desarrumada, porém deixando ainda transparecer a sua beleza, procedendo daquela forma. Um deles foi logo dizendo alto para todos: Essa deve ser uma das patricinhas riquinhas que encheu o cu de drogas!

Assim que a soltaram e colocaram-na sentada, levantou-se rapidamente e correu para a janela (estavam no segundo andar) tentando se atirar. Mas, foi contida pelos enfermeiros. Sem parar, sua frase normal era a mesma e cada vez mais alta: Meu Deus eu quero morrer!

Chamaram um clínico que a examinou e nada pressentiu de anormal a não ser a histeria que se apoderava dela. Então solicitaram a presença de um psiquiatra e esse, dando-lhe um calmante, sugeriu que fosse melhor a presença de um psicólogo para conversar com ela e tentar saber a razão do seu desejo alucinante de morte!

Já no quarto, deixaram que ela dormisse, antes lhe dando um banho completo, pois estava imunda da cintura para baixo. E, quando acordou, quatro horas depois, já mais calma, porém, aos prantos, pediu a presença de um médico para saber o seu estado. Veio o psicólogo, juntamente com o psiquiatra e juntos começaram um papo agradável com bom humor, demonstrando que eram confiáveis e que lhes seriam úteis. Porém, sempre meia sem graça e com o olhar baixo, não deixava de repetir a sua mórbida frase com relação a morrer.

-Minha filha, por favor, nos conte o que houve para lhe deixar nesse estado tão estranho. Sabendo as razões é bem mais fácil se achar as soluções. Falou o psiquiatra, um senhor de cabelos grisalhos que com sua aparência paternal, fazia seus pacientes se sentissem mais a vontade. E o psicólogo se retirou.

-Doutor eu vou contar embaixo da maior vergonha da minha vida, mas, depois eu quero que o senhor me prometa praticar a eutanásia comigo.

-Vou lhe ouvir, discutir os fatos e depois, resolveremos isso.            Combinado! Mas, confio no senhor com as maiores esperanças mortais. Eu sou estudante de direito e fui convidada por um homem que é um engenheiro bem sucedido, e já tínhamos trocados alguns olhares e poucas palavras quando nos encontrávamos no elevador. Já que moramos no mesmo edifício. Aceitei, me preparei completamente, indo ao salão e fazendo todas as coisas que se faz para estarmos prevenidas para qualquer coisa que venha acontecer. Mas, por ironia do destino o que me aconteceu foi uma tragédia!

Quando estávamos jantando minha barriga começou a fazer determinados ruídos e comecei a sentir uma agonia no intestino, calmamente dei um pum daqueles silenciosos que são apelidados de “samurai” (chegam em silencio e mata qualquer um). Foi um fedor tão desgraçado que nem eu suportei, deixando os dois na mesa completamente sem graça. Passados dez minutos e aí, sem querer, larguei outro. Desta vez um “ninja” que até o pessoal da mesa vizinha se levantou e pediu ao maitre para mudar de lugar. A essa altura eu suava por todos os poros, sem saber onde meter a cara, pois, pelos olhares do outro casal, percebia-se claramente que só podia ser ou eu o meu acompanhante e, como ele estava muito seguro de si, eu era a resposta para a curiosidade de todos. Jantamos rápido e saímos, pois não tinha clima para demoras. Então dei graças a Deus, pegamos o carro e fomos direto para o condomínio. Porém ao longo do caminho me senti mais aliviada e sem agonia, já de mãos dadas, aceitei seu convite para ir até o se AP que era dois andares acima do meu. Lá chegando começamos a conversar, sentados em um lindo sofá branco, aos pouco já estávamos trocando carícias bem íntimas. E, meu Deus, foi aí que começou a tragédia! Dei um peido bem alto e daqueles de carretilha que não se pode disfarçar e o fedor foi tamanho que ele foi para a varanda da janela tomar ar. Totalmente desesperada, corri para ele abraçando-o e pedindo milhões de desculpas. Ele com o nariz vermelho, como um cavalheiro elegante, me abraçou fortemente e disse: Isso acontece meu bem! Esse abraço foi mesmo que uma bomba, pois no mesmo instante eu me caguei toda, a merda escorrendo pelas pernas, aquilo parecendo vatapá, porém com fedor de feijoada podre! Saí correndo para o sanitário deixando atrás de mim um rastro de merda fétida e desastrosa. Ele vendo aquela situação grotesca, imaginou que eu estava podre por dentro logo chamou o SAMU. E eu trancada no sanitário sem nenhuma coragem para sair e encarar a situação. Foi quando chegou a ambulância, a notícia num minuto se espalhou pelo edifício e, na frente do AP dele já tinha dezenas de amigos e curiosos. Os enfermeiros pegaram um lençol que Jamil deu, cobriram minha cabeça e me trouxeram para aqui! Vim cagando por todo caminho, os enfermeiros com máscaras e eu gritando que queria morrer, depois dessa tremenda vergonha!

-Pronto doutor, essa é minha triste história e peço agora que veja se tenho ou não tenho razão!

-Você tem toda razão minha filha, foi uma situação filho da puta que deixa qualquer mulher completamente desequilibrada. Pensei, refleti, nunca fiz isso, mas, vou agir da maneira mais sensata: Pegou uma seringa com uma injeção de cianureto, aplicou na pobre mulher para ela ir matar o diabo sufocado nas profundezas do inferno!

Nisso retorna o psicólogo entra e pergunta, o que houve?

E o psiquiatra responde calmamente: A moça deu um enfarto fulminante e morreu. Pobre coitada!!!

*Escritor–Historiador-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL– antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteida.blogsport3e.com

 

 

sexta-feira, 26 de março de 2021

O MENINO NILTINHO!

 

Antonio Nunes de Souza*

Desde menino que era endiabrado e tinham que ter cuidado e fiscalizá-lo, pois, já com dez anos ele gostava de olhar as primas e as amigas de suas irmãs quando estavam tomando banho e, ainda nem pentelho tinha, mas era um grande punheteiro!

Sua mãe, depois de tê-lo flagrado várias vezes, resolveu levá-lo a um psicólogo para que fosse analisado esse comportamento em uma criança. Porém, depois umas terapias, o psicólogo disse que passaria com o tempo, que era uma questão de idade, já que ele estava entrando para a juventude, quando passará a ter um comportamento dentro dos padrões. Que a sua sagacidade estava um pouco acima do normal, porém, não se poderia considerar uma anomalia!

A mãe menos preocupada, contudo não deixou de continuar acompanhando seus passos, não dando chances para ele ficar por perto na hora do banho das meninas e, principalmente, não mais deixou que ele tomasse banho na piscina do edifício na hora que havia mulheres de biquíni. Isso porque ele já tinha sido surpreendido pelo síndico que, de binóculos, em seu apartamento, viu, claramente, Niltinho batendo uma “aquática” na intenção da sua linda e jovem mulher que se banhava. Desceu as pressas, pegou o moleque pelo braço, com vontade de lhe dar uns cascudos e levou para entregá-lo a sua mãe, contando o episódio absurdo do menino tarado! Logicamente, o moleque tomou umas porradas, uma dúzia de bolos de palmatória, que deixou suas armas sexuais vermelhas e inchadas. Ele que era até pequeno para a idade, parecendo mais jovem, ficava sempre calado, chorando e cabisbaixo. Mas, parecia uma tara, pois, não podia ver um par de coxas, ou uma virilha mostrando os cabelinhos, que ia logo ao banheiro e descascava uma banana com a maior tranqüilidade. Fazia isso algumas vezes durante o dia, pois, com sua idade, tesão não lhe faltava!

O tempo foi passando, Niltinho foi crescendo, nunca foi bom estudante, mas muito inteligente e jeitoso nos negócios, terminou prosperando muito se tornando um comerciante relativamente sólido. Porém, já adulto, não mais aquele velho batedor de punhêta infanto/juvenil, como seria o que todos esperavam, transformou-se em um grande fodedor, não só das suas secretárias, como atacava o universo feminino da cidade que conquistava com sua simpatia, carisma, charme e bondade de um presenteador emérito!

Com essas características come-se até a mulher do diabo, sem o perigo de ir parar no inferno.

Hoje, quando me encontro com ele, cinquentão já avô, amigo que adoro, brincando lhe dou um abraço e trato logo de encostar a bunda na parede, relembrando a sua trajetória de um grande fudião regional!

Pelo que vejo, creio que ele ainda faz suas gracinhas as escondidas. A carinha sorridente de menino traquino, mesmo com cabelos grisalhos e óculos, não disfarça que morrerá sendo o garoto sapeca de outrora!

*Escritor–Membro da academia Grapiúna de Letras-AGRAL– antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

 

quinta-feira, 25 de março de 2021

ENCONTRO FATÍDICO!

 

          Antonio Nunes de Souza*

Com um título desses parece ser uma das manchetes escandalosas dos jornais para comentar um crime hediondo qualquer, tão comum no nosso dia-a-dia. Mas, na verdade, trata-se apenas de um encontro com um velho amigo, na praça de alimentação do shopping, nosso único point itabunense que ainda se pode freqüentar com dignidade e encontrar um ambiente agradável e salutar!

Observei a passagem de um velho, careca, gordo desproporcional a sua altura, óculos na ponta do nariz, e tão curvado para frente que mais parecia uma árvore sendo açoitada por uma ventania. Olhei para o seu rosto e, para minha surpresa, tratava-se de um colega de infância bem mais novo que eu, mas, companheiro em muitas das nossas aventuras.

-Oi Geraldo, não está me reconhecendo não?

-Poxa rapaz, você não é Antonio Manteiga?

-Claro cara! Tem tanto tempo que não lhe vejo que estranhei quando você passou. Mas, seus traços fisionômicos ainda são, relativamente, os mesmos.

-Porra meu irmão, creio que é a única coisa que me restou nessa velhice filho da puta.

-Mas meu amigo, você está desfrutando da terceira idade, também chamada de “melhor idade”.

-O sacana que arranjou essa titularidade deve ter sido algum médico geriatra que, querendo encher o cu de dinheiro, tentou enganar os velhinhos com esse papo de jacaré. Depois dos sessenta mermão a coisa pega pra caralho. E, o dia que você não amanhecer com alguma dor, pode ter certeza que morreu enquanto estava dormindo!

-O que é isso cara! Sou mais velho que você e ainda não tenho queixas!

-Pois eu tenho as piores do mundo. E, como você é meu amigo, vou lhe confessar, pois para os outros, eu tiro uma onda que tudo vai bem.

-Vou começar pelo problema urinário: tenho que mijar quase toda hora, até durante a noite. E depois de uma mijada, antes eu apertava o cu três vezes e não ficava nem uma gota. Hoje tenho que apertar o cu seis, ou sete vezes, senão quando sair do sanitário e apertar o furico, vem logo uma esguichada na calça. E no dia que descobri isso, foi bem aqui nesse lugar. Corri me sentei e pedi uma mineral, fiz que era um acidente e derramei o copo na roupa para justificar a molhação e tive que ir correndo para casa.

-Porra! Que vexame retado em mano?

-Isso não é nada cara! Pior é ter que sacudir aquele monte de pelancas depois da mijada que, nem aquela velha e antiga tesão de mijo o filho da puta não se pronuncia. Olho para ele com o maior desprezo.

-E você tem se alimentado bem?

-Só não mando você ir tomar na bunda porque não lhe vejo há muito tempo, mas, perguntar isso é foda. Não posso comer quase porra nenhuma. Uma coisa é ruim para os rins, outra para o coração, outra para o intestino e algumas outras para o fígado. Tomo seis remédios por dia, tenho que anotar em uma agenda para não esquecer essas merdas.  Você não está vendo eu meio gordinho? Pelanca pura cara! Fui olhar minha bunda outro dia no espelho quase choro. Está mais caída que o conceito de Bolsonaro. Parece um maracujá gigante que além de murcha, ainda está com uma rachadura no meio!

-Porra compadre, você parece que está fodido! Mas, pelo menos ainda tem disposição para passear no shopping, ver amigos, etc.

-Ah Ah Ah! Você esta me gozando. Eu vim aqui para comprar remédios, pois é o lugar mais perto da minha casa. Mas, estou cansado pra caralho com essa caminhada.

-E o intestino funciona bem?

-Bem mal! Tenho uma prisão de ventre daquelas bem brabas. E ainda peido o dia todo e toda hora. Às vezes vou andando e pareço uma motocicleta, pois vou peidando tipo carretilha. Já passei vários vexames por causa disso. Nem meu cu me respeita mais!

-Felizmente a visão não lhe atrapalha!

-Graças a Deus não, mas, recentemente, tive que fazer duas operações de cataratas.

-Porra cara você também se lamenta muito. Pelo menos está vivo e ouvindo muito bem.

-Isso está sim, porém tive que colocar um aparelho na orelha, pois, nem a televisão com o volume tudo aberto eu ouvia!

-Bem, vou chegando e foi um prazer ter lhe encontrado depois de tanto tempo. -Um grande abraço e muita saúde, boa páscoa é o que lhe desejo.

-Muito obrigado Antonio Manteiga. Foi uma satisfação vê-lo forte e tranquilo.

-Vou agora direto para a academia fazer fisioterapia, pois estou com uma atrofia na coluna, nos joelhos e nos pés.

Fiquei pasmo com o que ouvi e a única expressão que me veio à mente foi: Meu amigo está, literalmente, fodido!!!

*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras– antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com