segunda-feira, 27 de abril de 2020

OS HUMANOS DESUMANOS!

Antonio Nunes de Souza*

Falar sobre os comportamentos humanos é tão difícil quanto você acertar sozinho na mega sena. As possibilidades de acertos são tão remotas e passivas de mudanças constantes, assim como as numerações sorteadas semanalmente, pois se estuda a mente humana há centenas de anos, fazem-se milhares de pesquisas científicas e, sempre somos surpreendidos com atitudes e reações descabidas e fora dos propósitos, somente em função de um grupo pré determinado que para ele até o errado seja o que passará a ser certo, apenas para agradar os gostos daqueles que prepararam e executaram as ações!
Esses despropósitos e fatos que demonstram tolas atitudes constantemente são tão comuns perante os noticiários, que esses se aproveitando do Ibope que geralmente alcançam, oferecem uma cobertura, infelizmente injustificada, se analisada friamente os propósitos esdrúxulos e simplórios, deixando de lado assuntos muito mais importantes e pertinentes a um segundo ou terceiro plano, transparecendo aos olhos de pessoas que pensam mais em termos humanísticos, que os atos praticados são completamente paradoxais, expondo sentimentos nada humanos como deveriam!
O motivo que me fez escrever a respeito, mesmo sendo e reconhecendo um completo leigo na matéria, apenas baseando-me na perspicácia e vivencia de muitas dezenas de anos, vendo constantemente essas disparidades incompreensivas é a invasão de um grande e renomado laboratório na cidade de S. Roque, Estado de São Paulo, raptando mais de duzentos cães que estavam sendo usados em pesquisas científicas, sem nenhuma comprovação que estava havendo maus tratos, interrompendo trabalhos de vários anos em benefícios de industrializações de medicamentos que curarão aos humanos. E olhe que no Brasil é permitida a utilização de animais em pesquisas, principalmente, quando esses não são sacrificados inutilmente!
Assim como vi e vejo sempre atitudes similares, principalmente na defesa canina, deixa-me estarrecido e revoltado pela cegueira desses e dessas criadoras de luxo de “Poodle”, que gastam fortunas com seus animaizinhos de estimação, não fazerem levantes e protestos em benefício das crianças abandonadas que, no norte e nordeste passam fome, trabalham desde a infância para complementar a renda familiar, não estudam e são ou estão sempre doentes. Estes sim é que necessitam de protestos sociais veementes, não só junto aos governos como, principalmente, a toda sociedade, pois os benefícios que advirão, obviamente, serão de todos os envolvidos!
Não sou contra cães e gatos, nem animal algum, mas, sinceramente, deixar as crianças abandonadas e ficar simploriamente, somente condenando os governos, não deixa de ser uma atitude desumana e nada racional!
Será que esse povo não enxerga nas áreas urbanas, quando passam em seus carrões, crianças abandonadas apanhando restos de comida nas latas de lixo para se alimentarem? Esse quadro é super comum!
Esses procedimentos humanos (?) são tão estranhos que, se Freud vivesse mais 500 anos ainda morreria sem explicar!
*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras  -  antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

sábado, 25 de abril de 2020

TRAUMA DE INFÂNCIA!

Antonio Nunes de Souza*

Todos nós, se esmiuçarmos nossos baús de recordações, certamente, encontraremos algum fato da infância, ou até da puberdade, que ficou gravado em nossa mente, sendo que alguns são ou foram mais relevantes e terminaram virando traumas inesquecíveis!
E essa foi o caso de Raphael. Homem de uns 32 anos, especializado em hotelaria, morador em várias capitais, gente boa, mas, infelizmente, tinha uma dessas traumas infantis, que o perseguia por todos os anos da sua vida: Sua mãe não produziu leite e ele jamais teve a oportunidade de mamar e saber o gosto do divino alimento maternal!

Aconteceu que Raphael precisou de fazer uma viagem de trem, para um cidadezinha do interior e, como ainda existia na região a via férrea, ele preferiu ir para desbravar os campos viajando para seu destino. A viagem foi no fim da tarde, início da noite e, como ele chegou atrasado, somente encontrou um lugar naquelas cadeiras que se viaja de costas e fica olho no olho com a pessoa da cadeira em frente. E isso lá no fim da classe.
Em sua frente estava uma senhora bem jovem, com uma criancinha no colo, sempre sacudindo-a, mesmo sem ter a necessidade, pois o trem já fazia isso muito bem! E, algumas vezes, tirava discretamente o peito e dava de mamar ao bebê. Raphael não tirava os olhos e a mulher, já encabulada com a curiosidade dele, terminou falando: Por que o senhor não é mais discreto e olha para o outro lado?
Já com os olhos cheios de lágrimas Raphael responde que era um trauma de infância e contou a sua história de jamais ter mamado na vida.
A mulher ouviu calada e a viagem prosseguiu. Porém, como o choro de Raphael a tinha sensibilizado, a noite, com o vagão meio escuro, ela resolveu fazer uma caridade e, inesperadamente, falou para ele que podia mamar um pouco para aliviar a sua dor de infância, para ela seria um ato de piedade cristã. Ele não se fez de rogado e, prontamente, deitou a cabeça no colo da mulher e, como um bezerrinho, começou a mamar, até com certa gulodice!

Então foi que aconteceu o inesperado! A mulher ficou excitada com mamação nos seios e cheia de desejos sexuais que afloraram, falou para ele: O senhor não quer mais nada não, se quiser eu dou? E ele tirando lentamente a boca do seio bem intumescido, olhou para ela e disse: A senhora não tem aí uns biscoitinhos creme craques não?

A mulher, puta da vida, respondeu: Levanta a cabeça seu sacana e vá mamar na casa da porra!

*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras –AGRAL-antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

O SONHO QUE VIROU PESADELO!

                               Antonio Nunes de Souza*

Finalmente realizei o meu sonho!  Depois de andar de bicicleta por mais de dez anos, economizando transporte coletivo, deixando de tomar umas biritas e sem ir aos forrós e pagodes, comprei meu primeiro carro.
Sem querer exagerar, não consegui dormir durante toda noite pensando na minha caranga e, ao mesmo tempo, quase que de meia em meia hora ia olhar pela greta da janela se o carro realmente estava na porta. Sabe como é hoje em dia, não podemos facilitar com os ladrões. E isso me deixava apreensivo e intranquilo.

Era um Chevette vermelho, ano 1997, chaparia precisando de alguns retoques (o primo da minha mulher é chapista e já tinha prometido consertar), parte elétrica toda em cima, somente o farol esquerdo que não estava acendendo e o arranque algumas vezes falha e precisa de um tombinho para pegar. Quanto aos pneus, os dianteiros estão meia vida, os traseiros semi-carecas. O socorro, por azar, foi roubado juntamente com o macaco e a chave de rodas. A pintura geral está meio fosca, porém me programei para dar uma lavagem em regra e o maior grau com uma pasta apropriada. Mas, em compensação, o triângulo é novinho em folha. Fora essas bobagens ele está uma jóia. O dono da loja, seu Jorge Bombinha me deu todas as garantias de que eu estava fazendo um bom negócio.

Acordei na manhã do sábado, depois de ter apenas dado algumas cochiladas e as 6:30 hs. já estava com o balde e a flanela na mão preparando-me para uma lavagem geral. Meus três filhos, que também estavam elétricos, corriam em volta de mim, olhando com orgulho aquela enorme máquina que representava nossa melhoria de status perante a vizinhança. Não via a hora do pessoal acordar e ver meu carro lavadinho e estacionado no terreno baldio em frente a casa, pois sabia que todos viriam perguntar se era realmente meu e quanto tinha custado. Claro que eu ia aumentar um pouco o preço que paguei, para valorizar meu precioso patrimônio. Suado pra cacete, terminei a lavagem, fui tomar um banho com os meninos e, imediatamente, peguei a patroa para darmos nosso primeiro passeio pela cidade. Mas, bastou sairmos do bairro Jaçanã, quando entramos na Av. Manoel Chaves tinha um grupo de policiais fazendo uma blitz. Mandaram que eu encostasse e apresentasse minha habilitação e os documentos do carro. Eu, tranquilamente, peguei tudo e entreguei ao guarda. Aí começou toda merda: O IPVA tinha quatro anos de vencido, minha habilitação dizia que eu só podia dirigir usando óculos e eu estava sem e o extintor de incêndio estava vazio. Problemas bastante para que o guarda dissesse que eu seria multado, o carro apreendido e, sendo fim de semana, que eu poderia ir na segunda-feira ao DETRAN para regularizar minha situação e a do carro.
Mesmo tentando sensibilizar os guardas nada consegui, e comprovei mais uma vez que pobre não ajuda pobre nessas horas, pois se fosse um rico ele nem mandaria parar o carro, quanto mais ter a ousadia de prender e multar. Imagine você que eu ainda sou preto para completar a desgraça. Nessas horas eu nem quero que filho da puta nenhum se refira a mim como “afro-descendente”. Sou negão, suburbano, pobre e excluído, vivendo debaixo de um preconceito que tentam disfarçar.
Peguei a família e voltamos para casa de ônibus, tristes e calados imaginando a vergonha que passaríamos com a vizinhança.
Infelizmente, esse foi meu sonho que virou pesadelo!

*Escritor membro da Academia Grapiúna de Letras – antoniodaagral26@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com