segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

História? O que é isso para os itabunenses?


                                      Antonio Nunes de Souza*

Essas perguntas vêm sendo feitas pelos jornais, rádios, televisões, blogs e nos botequins das esquinas da vida, mas, infelizmente, nunca passam de comentários e condenações, pobres de ações para combater essas ricas ganâncias comerciais e financeiras de destruir os casarões representativos do início do desenvolvimento e estruturação da nossa cidade, que, como em todos os lugares civilizados, passam a representar o passado, lembrar os homens que ajudaram nessas empreitadas, dando a cidade algumas construções arrojadas para a época, quer sejam como palacetes para moradas, como também para instituições bancárias, colégios educacionais e culturais!
Ontem, 30/12/2012, no apagar das luzes desse ano que encerra um sofrimento em diversos aspectos, fui acordado às sete horas com uma movimentação de trator e algumas pancadas que sacudiam a minha pobre casa (sou vizinho de parece) e, indo verificar, estava sendo destruído, literalmente, o palacete que foi construído pelo Cel. Ramiro Nunes de Aquino há aproximadamente 100 anos, simbolizando na Praça Manoel Leal uma bela lembrança do início do desenvolvimento do nosso município. Poucos meses atrás, presenciamos na mesma praça a demolição do prédio onde funcionou a primeira agencia do Banco do Brasil, sendo usada a mesma filosofia: Sai o prédio velho para entrar dinheiro novo!
Obviamente, como essas atitudes não sofrem nenhuma condenação oficial, estando todas dentro da lei em termos de consentimentos e liberações, nossas lamentações só podem ser direcionadas as cantadas em versos e prosas “sociedades organizadas” (Rotary, Lions, Maçonaria, CDL, Associação Comercial, Entidades Religiosas, Academias de Letras, GAC e outras de iguais ou maiores importâncias) que, minha sofrida e fraca memória falha no momento, mas não falha para reprimir essa atitude nada elogiosa de omissão de providências!
Suponho que depois do Colégio Divina Providência, o Castelinho, o desmoronamento do casarão de Tertuliano de Pinho pelo abandono e os casos citados acima, só nos resta aguardar outras investidas em arquiteturas representativas, provando mais uma vez que continua a sanha de dinheiro na região, tanto pelos que aqui chegam, como pelos filhos (?) da terra.
Inegavelmente, está faltando cidadania, atitude, coragem e solidariedade, para que se tomem melhores cuidados com o nosso município, não deixando como lembrança para os nossos filhos e netos, apenas que nos orgulhamos de ser campeões em assassinatos, dengue, corrupção, unidades hospitalares abandonadas, esgotos a céu aberto e outros escalábros que somente nos envergonham.
Imagine num futuro próximo que seus netos ou filhos perguntem: Por que vocês não fizeram alguma coisa para evitar tais fatos?
Eu, sinceramente, morreria de vergonha e, para que possa ficar tranqüilo, é que, com orgulho, escrevo esse artigo!

*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com)


domingo, 30 de dezembro de 2012

Rosa


                                              Antonio Nunes de Souza*

Seus olhos de tão verdes, lembravam duas esmeraldas acesas, com uma transparência tão acentuada parecendo que suas íris flutuavam em um aquário. Mais fascinante ainda era sua brancura, fazendo lembrar uma porcelana chinesa, que eu quando a abraçava tinha o cuidado de não parti-la em pedaços. O mesmo acontecia quando nos amávamos que, por mais que rolássemos na cama, sempre tinha o cuidado de não ficar por cima dela, pensando que se assim fizesse, quebraria em mil pedaços minha querida Rosa. Esse era o seu nome, que combinava perfeitamente com ela.
Sua igualdade de cheiro, até nas partes mais íntimas, era tão agradável que muitas vezes senti-me um beija-flor quando a enchia de prazer, sugando e lambendo o seu sexo. Já a maciez da sua pele, com certeza ganhava para uma pétala de flor de tão aveludada e macia que era. Estava mais para uma manga rosa pela ausência absoluta de pelos. Quando minhas mãos deslizavam pelo seu corpo, sentia-me como se estivesse acariciando uma escultura grega de tão perfeita que era. Suas pernas longas e certas terminavam em seus lindos pés e iniciavam bem junto às nádegas mais provocante que já vi. Jamais conheci alguém que tivesse as coisas tão perfeitas em seus lugares certos. Seus seios eram como duas pêras apontando para mim, com aqueles lindos faróis cor de rosa como o seu nome. Na cama ela não era somente uma flor, transformava-se em dezenas de mulheres fazendo com que eu me sentisse um grande jarro acolhendo e protegendo um lindo bouquet de rosas. Nós não sentíamos prazer, pois, nós éramos o próprio prazer!     
Como gostaria de encontrá-la novamente, relembrar aqueles momentos contentes e cheios de felicidades, dizer em seu ouvido bem calidamente, como ela foi importante para mim.
Hoje, foi-se a Rosa e ficaram os espinhos da doce lembrança.

*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com)

Quando abri o quarto!


                                     Antonio Nunes de Souza*

Quando abri o quarto, depois de forçar bastante a porta, deparei com Lúcia sentada, cabeça sobre a penteadeira, respingos de sangue no espelho e, no tapete branco, uma enorme mancha vermelha escura decorrente do seu trágico gesto. Ainda em sua mão, segurava firmemente o revólver causador daquele estrago. Corri desesperado colocando-a em meus braços, mas, infelizmente, já era tarde demais. Lúcia estava morta!
Uma crise de choro apoderou-se de mim, ao tempo que a apertava contra meu corpo, estarrecido e surpreso pela sua grotesca atitude suicida, querendo entender o “por que” de tal gesto.
Mesmo com minha cabeça totalmente debilitada pela cena e o fato, tentei a todo custo rememorar tudo de nossa vida, no sentido de captar alguma coisa ou motivo que pudesse de alguma forma, leva-la a desejar acabar com a sua linda e jovem vida.
Conhecemos-nos há dois anos trás, estudávamos na mesma faculdade, sendo que eu fazia economia e ela enfermagem. Fomos apresentados por um amigo comum e, logo, logo, nos identificamos e começamos a namorar. Como era nosso último semestre, com as preocupações das provas finais, teses, plantões, etc., nossos encontros eram restritos apenas aos fins de semana, ocasiões que aproveitávamos bastante para conversar, ir ao teatro, cinema, trocar informações, quebrar as tensões dos estudos e curtir nossa alegria e felicidade. Amávamos-nos profundamente! Somente em olhar para o meu rosto, sentia o prazer incomensurável de estar ao meu lado, sendo que essa reação era idêntica da minha parte. Não vivíamos um para o outro, vivíamos ambos, despojando-nos de todos os bons sentimentos, para que nos transformássemos em uma pessoa só. Um amor raro, belo e invejável!
Como éramos do interior, eu morava em um modesto pensionato e Lúcia dividia o apartamento com uma amiga. Ela somente dedicava-se aos estudos, sendo provida totalmente pelos seus pais. Quanto a mim, fazia trabalhos eventuais, principalmente pesquisas e projetos, para complementar minha manutenção, pois meu pai não tinha condições de bancar-me na capital. Além do meu sacrifício, uma tia ainda me ajudava eventualmente. Minha formatura era o esperado orgulho de toda família. Seria eu o primeiro de duas gerações a completar o curso superior, que para eles era chamado pomposamente de doutor.
Depois de desfilar todos os meus pensamentos procurando razões ou motivos, infelizmente, nada encontrei que, mesmo de longe, justificasse tal gesto! Aos prantos, chamei os colegas dela vizinhos e eles se encarregaram de ligar para a polícia. Depois de alguns dias, já feitas as perícias e comprovadas que foi uma atitude solitária e suicida sem nenhuma explicação, ficamos todos na obscuridade de uma justificativa, uma vez que não foi deixado nenhuma carta ou bilhete e o revolver foi comprado por ela mesma em uma loja da cidade.
Hoje, dez anos depois, não consegui esquecê-la completamente e, sinceramente, vivo intrigado como uma pessoa amando e sendo amada por todos, realizando-se profissionalmente, inteligente, educada e feliz, comete tal loucura. Só posso dizer que são fatos inexplicáveis dessa Vida Louca que vivemos!
Quando nessas situações ouço alguém dizer: “Deus sabe o que faz!”, não ouso duvidar, mas...

*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Afastei-me das premonições de 2013!


Antonio Nunes de Souza*

Todos os anos tenho tido a preocupação de buscar um vidente de alta categoria, no sentido de informar aos meus leitores os acontecimentos que advirão no decorrer do ano, evitando assim uma série de surpresas, já que estaremos lastreados nas informações dos magistrais gurus que nos fornecem suas mais fantasiosas estórias que, provavelmente, acontecerão no decorrer do ano!
Fui fazer um estudo analisando as declarações dos últimos dez anos, não me custou muito para perceber que as premonições de final e início de ano, são de uma similaridade absurda. Esses profetas, na grande maioria de enganadores, longe estão de estudiosos e com poderes extras normais, para, colocando a culpa nos astros e seus cruzamentos celestes e solares, sejam capazes de nos fornecer minúcias e detalhes sobre o futuro que, qualquer criancinha sabe, “o futuro a Deus pertence” e nada acontece sem o Seu assentimento! 
Lógico que a mudança de ordem, maneira de expor, os exageros, contemporizações e as dramaticidades, são as armas principais para valorizar seus ditames mágicos e adivinhos. Essas nuances são as maiores características que dão certas credibilidades ao mago em questão.
Juntando os fatos e atos previsíveis, consegui catalogar o seguinte: Acontecerão enchentes em várias regiões do país e, ao mesmo tempo, teremos secas onde morreram centenas de animais vitimas da sede e da fome, cidades cobertas de água pelas grandes enchentes que destruirão estradas, pontes, carros, casas, etc. e, paralelamente, muitas mortes ocorrerão em função dessas hecatombes. Perderemos uns artistas famosos, como também escritores e políticos de destaque nacional, serão descobertas verdadeiras quadrilhas organizadas de políticos e corruptos que desviaram milhões de reais do governo, ficaremos pasmos com um figurão de alto prestígio internacional que será desmascarado por comportamento condenável, vários casais famosos dos estrelatos se separarão, alguns jogadores de futebol brasileiros voltarão para seus times ou outros no Brasil, a criminalidade continuará acentuada, o comércio de drogas continuará crescendo, mesmo com as prisões de seus chefes que, nas prisões, monitoram seus asseclas para que o crime continue sem interrupções.
Como vocês podem ver nada disso constitui novidades ou fatos que, dificilmente, não acontecerão. São coisas que, normalmente, acontecem todos os anos, pois fazem parte dessa vida louca e os comportamentos humanos que colaboram para que se houver alguma mudança, que seja para pior. Um paradoxo, mas, verdadeiro!
Assim sendo, descartei e dispensei meus gurus esse ano, vou aguardar as ocorrências ditas acima e, caso comprovem com minhas analogias, em 2014 tirarei minha carteira de futurólogo e vou também fazer minhas sábias declarações, principalmente no Fantástico e no Faustão!

*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Chegando o Novo Ano!


                  Antonio Nunes de Souza*

Estamos nos estertores de 2012. Mais um ano finda com o dever cumprido de ter proporcionado maravilhas para uns, conservação e continuidade para outros e uma quantidade expressiva de desilusões para a maioria. Mas, nada está sendo diferente de todos os outros anos passados, com a exceção de pequenas mudanças nas pessoas e nos quinhões que estas receberam.
Parece uma premonição escrita nas estrelas, que todos os anos devem sempre acabar com uma ínfima minoria feliz, pequena fatia de conformados e a soberana maioria triste, sofrendo e se lamentando. Porém, todos transbordando de esperanças que as coisas mudem ou que eles possam, com alguma sorte, verem mudadas suas áreas nas contemplações que ocorrerão, inevitavelmente, no próximo ano.
Pelos projetos e fantasias que criamos no decorrer de dezembro, poderíamos denomina-lo como “mês das ilusões”. Pois, como não é nenhuma novidade, as frases que mais ouvimos em todos os lugares que vamos, são:
Em primeiro lugar: Graças a Deus esse ano está acabando. Nunca tive tantas decepções e problemas atormentando minha vida!
Em segundo: Até que não foi dos piores, mas, se der uma “melhoradazinha” no próximo eu vou dar graças a Deus!
Em terceiro: Foi um ano maravilhoso! Até me surpreendi com tanta coisa bacana que Deus me deu. Tomara que o próximo seja melhor ainda!
Percebe-se claramente que o primeiro pronunciamento é a lamúria do coral formado pelo povo, a segunda é dita pelos que, embora com as dificuldades normais, ainda conseguiram manter seus empregos e não tiveram problemas de saúde, e a terceira é pronunciada por dois tipos de pessoas: os políticos que foram eleitos ou reeleitos, ou os mentirosos que querem passar para os outros uma imagem diferente da sua realidade.
O fato é que em todas as situações o nome de Deus é clamado entusiasticamente, mas, nas suas ações, poucos são os que realmente cultuam esse amor a Ele, para que sejam merecedores das bondades divinas. Esquecem que é através da solidariedade, bondade e carinho com seus irmãos, tratando-os com dignidade e respeito é que se pode ter crédito com Ele para serem ajudados e alcançarem seus objetivos.
Que no próximo ano tenhamos toda a sensatez de olharmos o mundo por um ângulo diferente, onde todos, todos mesmo, são filhos de Deus e merecem também um lugar ao sol e condições para suprirem, na pior das hipóteses, suas necessidades básicas. Se agirmos nos espelhando nesse mar tormentoso de egoísmo que avança nas mentes humanas, jamais teremos paz, serenidade e méritos para alcançarmos o Reino do Senhor.
Que tenhamos todos um Feliz Ano Novo, não esquecendo que devemos comemorar não como uma festa de comidas e bebidas, dar e receber presentes que já está institucionalizada pelo comércio mundial, e sim, a passagem de mais um ano cristão com muitas significações religiosas para todos nós!
Por mais que não queiramos, nos tornamos repetitivos em nossos modestos pedidos!
*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com))

Por que tenho tanto medo?


                                              Antonio Nunes de Souza*
Sempre que nada tenho a fazer, escolho algo fora dos meus padrões normais de comportamento, no sentido de ver e ouvir coisas inusitadas para conhecer novas estórias dessa maravilhosa vida louca.
E hoje, casualmente acertando o meu rádio/relógio, resolvi sintonizar em uma emissora qualquer e comecei a ouvir um programa dedicado a conselhos sobre relações amorosas. Como acho engraçadas essas cartas enviadas aos locutores pseudos psicólogos, comecei a prestar atenção a o que ele dizia:
Com um fundo musical bem romântico, começou a falar: Na nossa programação de hoje dedicaremos a responder a carta da ouvinte Sara Bernadete, moradora do bairro da Liberdade que, com muita preocupação, relata o seguinte:
Prezado J. Castro,
Tenho 22 anos, sou solteira, trabalho na secretaria de educação, tenho boa aparência e estou fazendo faculdade, mas, infelizmente, não consigo arranjar namorado porque me preocupa muito relacionar-me com um rapaz, em função dos perigos que podem causar os contatos que tenho que me submeter durante os nossos encontros. Posso exemplificar os diversos riscos que correrei, assim que começar um namoro. Se ele pegar em minhas mãos sem que as tenha lavado antes, imagino logo que ele está me passando uma série de bactérias trazidas pelos lugares que ele andou pegando pelo caminho, deixando-me contaminada com possibilidade de um unheiro ou alguma doença de pele. Se ele me beijar (ai meu Deus que nojo!), já imaginou quantos estafilococos ou bacilos ele pode ter na boca e, através da saliva, debilitar a minha saúde com uma tuberculose, hepatite ou uma tremenda bronquite? Ave Maria! Não quero nem pensar! Isso sem falar se ele tiver também alguns dentes cariados, mal hálito e implantar umas placas bacterianas em meus dentinhos. Chega até a me dar arrepios!
Pior ainda será se eu conseguir suportar esses contatos iniciais e, por ironia do destino ou uma loucura momentânea, eu vá para a cama com ele (só em pensar me dá náuseas) e tivermos uma relação sexual. Claro que vou exigir preservativo, mas, se a camisinha romper? Já imaginou a tragédia? Ele poderá ter uma porção de doenças transmissíveis! Tem algumas que ainda são curáveis, mas e a herpes, sífilis e a mortal aids? Só em escrever já estou suando e morrendo de nojo e medo!
Portanto, caro locutor, gostaria de ouvir sua opinião se seria justo eu solicitar aos rapazes que se aproximam de mim, uma bateria de exames clínicos e laboratoriais, atestado de saúde, justamente com um atestado psíquico de sanidade mental (imagine se ele for louco e querer me submeter a urgias satânicas e masoquistas?)
Creio que não estou sendo exagerada, apenas uma modesta precaução básica que, com certeza, me proporcionará um relacionamento bom e saudável.
Estou ansiosa por sua abalizada resposta!
Depois de lida essa carta, com um fundo musical a altura, o locutor analista/psicólogo começou o seu comentário abalizado (?):
Querida e estimada ouvinte, facilmente percebe-se que você é uma pessoa bastante previdente, chegando as raias de certo exagero que, para não contrariar seus cuidados, sugiro que não tenha relacionamento de nenhuma espécie, esteja sempre usando luvas, abolir, definitivamente, as preliminares de um namoro ou transa, comprar um ótimo vibrador auto-lavável para suas relações sexuais e se adaptar aos seus orgasmos solitários sem os perigos que hoje lhe afligem. Acredito que você será uma moça feliz, livre dessas doenças desastrosas que são disseminadas pelos homens que não se cuidam.
Qualquer dúvida volte a me escrever que estarei ao seu dispor!
Aí o fundo musical foi aumentado e o divertido e absurdo programa continuou, com outra carta de uma consulente!

*Escritor (Blog Vida Louca – antoniomanteiga.blogspot.com –                 antonioda agral26@hotmail.com)

Por que me enganaram tanto tempo?


                                                        *Antonio Nunes de Souza

Na minha infância querida, que os anos não trazem mais, aprendi através da mídia (cinema, cartazes, rádio, revistas, etc.) que devíamos respeitar os Estados Unidos como a maior potência bélica e econômica do mundo. Tratava-se de um país de poderio tão forte e na frente de todos que, quando acidentalmente, víamos um americano ao vivo, nos curvávamos de gentilezas e preocupações para sermos gentis e subservientes, demonstrando claramente a nossa inferioridade.
Os japoneses, coitados, eram retratados na propaganda americana como perversos, traidores, frios e sanguinários. Quem via um filme americano alusivo a segunda guerra, tinha certeza e convicção, que se não fossem jogadas as bombas em Hiroshima e Nagazaki, eles destruiriam toda face da terra através de monstruosas crueldades. Quando eu via um japonês tremia de medo, pensando que ele ia me matar pelas costas, dar um golpe de karatê ou fazer eu pisar numa mina.
Com os russos foi diferente! Graças a Deus era quase impossível encontrar-se com um russo na rua. Pois não havia lugar que não estivessem expostos grandes cartazes, com um soldado mal encarado chicoteando uma série de homens acorrentados, submetendo-os as piores torturas para executarem trabalhos brutais e além das suas forças. Uma cena aterrorizante, mostrando como o comunismo era algo assustador e maléfico para o mundo. Ainda como complemento, comentava-se a boca pequena que eles até comiam crianças (devia ser “ao primo choro” por ser uma carne mais molinha e tenra). Eu me pelava de medo quando alguém apenas pronunciava a palavra: comunismo ou União Soviética.
Cresci com esse respeito profundo pelos mais inteligentes e poderosos americanos, medo avassalador dos japoneses e pavor pelos abomináveis russos. Sentia um orgulho maravilhoso do meu Brasil. Uma vez que, mesmo meu país sendo do terceiro mundo, era belo, não havia torturadores, injustiças, nossos governantes eram homens sérios e que aqui era a terra da felicidade.
Mas, com o decorrer dos anos, lendo, convivendo e entendendo melhor as coisas, juntamente com os fatos que foram acontecendo, cheguei a conclusão que me enganaram substancialmente, incutindo em minha pobre cabeça uma realidade totalmente inversa, simplesmente por interesses econômicos e pela avidez de conquistar os podres poderes.
Hoje sabemos que os americanos não são nada disso que dizem ser: O FBI não é polícia mais eficiente do mundo, já foi comprovada uma série corrupções em vários escalões. E só desvendam todos os crimes, nas telas dos cinemas. Seu poderio bélico é possante, mas suas defesas são ridículas e vulneráveis (lembrem-se dos ataques as torres e ao pentágono as 10:00 hs, sem que ninguém tenha visto em seus poderosos(?) radares). Sem contar a economia debilitada, desemprego, crimes hediondos, tráfico de drogas, massacres escolares, etc. Suas precauções contra os problemas climáticos da natureza são de uma fragilidade incrível. Sempre que tem uma furação ou hecatombes similares, os resultados são iguais aos países ultra-subdesenvolvidos. Fora às coisas que não chegam ao nosso conhecimento, pois eles não são como nós brasileiros que adoramos falar da nossa pátria, muitas vezes exagerando a realidade, mas nada fazendo para melhorá-la.
Quanto ao Japão (país dos homens malvados), esse deu uma lição fantástica ao mundo, mostrando a capacidade de trabalho de um povo que ama realmente sua pátria, recuperando-se completamente das ruínas como um verdadeiro Fênix, tornando-se um país forte, rico e com tecnologia das mais avançadas e competentes em todas as áreas. Um povo sábio e trabalhador que, se não tomar cuidado, os americanos estragarão com sua milenar cultura, pois já estão influenciando seus jovens com a música, comida (os Mc Donalds da vida) e o vestuário.
Já os russos, por não saberem administrar seu povo, dando os direitos juntamente com a liberdade de pensamento e ação, terminaram criando uma turbulência de conflitos, muita corrupção, revolta e uma série de dissidências. E com isso, em vez de um país com dimensões continentais, tornou-se um amontoado de republiquetas cheias de necessidades e dependências. Hoje, em vez de ser um povo com igualdade social e direito a uma vida decente, lamentavelmente, tornou-se o mau exemplo, desmoralizando um regime e partido que tem uma plataforma belíssima para a humanização e igualdade no mundo.
Quanto ao meu Brasil, prefiro não dizer nada, pois, a todo o momento que ligamos o rádio, a tv ou lemos os jornais, ficamos estarrecidos com o comportamento nada digno dos nossos políticos. Logicamente estou referindo-me a grande maioria, independente de ligações partidárias. O vexame é praticamente global! Somente são inocentes aqueles que souberam melhor esconder seus pecados e, por enquanto, não vieram à tona.
Meu sentimento é ter hoje a confirmação que me enganaram por tanto tempo!

*Escritor (Blog VIDA LOUCA – antoniomanteiga.blogspot.com – antoniodaagral26@hotmail.com).