terça-feira, 15 de março de 2011

Que mundo é esse!

                                                                                             Antonio Nunes de Souza*

Sempre achei que era um ser inteiramente normal, comparando-me certamente aos padrões existentes. Mas, com o passar do tempo, as convivências e experiências, passei a ter dúvida sobre esse conceito, criando em minha cabeça milhares de perguntas relativas ao comportamento dos outros com relação a mim, como também, meu comportamento com relação aos outros. Cheguei a conclusão tola que o adágio popular é corretíssimo:”De médico e louco todos nós temos um pouco!”
Passei a perceber como procedemos completamente diferentes em ocasiões semelhantes, terminando em desfechos inteiramente opostos, dificilmente havendo uma similaridade. Isso ratificou o velho provérbio que diz: “O que é bom para Chico, pode não ser bom para Francisco”. Pois, quando encaramos determinadas situações, na maioria das vezes agimos muito mais baseados nas emoções que nos tocam naquele momento, que as razões que deveriam ser aplicadas naquela circunstância.
Isso causa transtorno futuro? Normalmente sim! As emoções nos amolecem, nos deixam vulneráveis e fazem com que cedamos a certos impulsos de benevolências que, naquela hora nos parece o certo. Mas, passado o instante mágico da emoção e vem a ponderável reflexão da razão, chegamos ao veredicto que mais uma vez fomos tolos e nos deixamos levar pelo clima.
Aí eu pergunto: é ruim deixar-se levar pela emoção e pelo clima?
Lógico que não! Esses sentimentos (abstrato e o outro metafísico) foram criados pelo homem, logicamente para encantar seus parceiros com a finalidade de vencer suas resistências nas horas mais necessárias. E tem dado um resultado maravilhoso para quem aplica e, algumas vezes, para aqueles que foram as partes passivas da história, que não deixaram de ter seus momentos gloriosos na hora do fato e do ato e, somente depois que caem na real, percebem que um jeitinho e uma boa conversa podem quebrar todas as nossas barreiras. Porém, se não foi o resultado que pensávamos, com certeza serviu de experiência para reforçarmos nossas defesas nos românticos ou comerciais ataques futuros. 
Portanto, cuidado com as emboscadas e armadilhas desse mundo perigoso e belo.
Aliás, belo o mundo sempre será, perigosas são as pessoas que nele vivem!

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

domingo, 13 de março de 2011

Querido primo Zezinho!

                                            Antonio Nunes de Souza*
Como tinha combinado, fui passar o carnaval em Salvador para conhecer a tão falada “maior festa da face da terra”.
E não é que é verdade?  Acabou de acabar e não me contive em pegar na caneta para escrever-lhe detalhadamente tudo que me aconteceu. Foi uma das coisas mais estranhas e encantadoras que já vi em toda minha vida de homem do interior.
Pra começar realmente do começo, tenho que lhe dizer que vendi duas cabeças de gado e apurei 630 contos para destinar à minha folia. Fui à loja de Osvaldinho de Judite, comprei duas bermudas daquelas de várias cores, bolsos e taxinhas (que aqui quem usa é chamado de viado), dizendo que era para dar de presente aos parentes da capital. Cortei as mangas de quatro camisas que já estavam meio enxovalhadas, peguei um par de congas azuis e disse pra mim mesmo: Estou pronto para enfrentar as gatas, os turistas e os soteropolitanos.
Peguei o ônibus que vem de Brumado e passa aqui pelo vilarejo, isso já com minha sacola da Company, que comprei na mão de Zé Camelô, cheia até o gogó pelos meus apetrechos carnavalescos.
A viagem parecia que não acabava mais. Foram cinco horas e meia de solavancos e asfalto, até que chegamos à rodoviária. Não nego não! Fiquei assombrado com o tamanho da cidade e o bolo de gente fazendo uma confusão dos pecados nos embarques e desembarques. Fiquei olhando pra todos os lados a procura de compadre Ziza, que ficou de esperar-me e nada de ver o cara. Encostei num canto bem exposto para que ele me visse, mas demorou mais de uma hora e nada de aparecer alguém. Comecei a ficar nervoso e sem saber o que fazer, pois ele não tem telefone e, na agonia, tinha me esquecido em casa o seu endereço. Só sabia que o bairro que ele morava chamava-se Cajazeiras.
Puta merda! O que é que vou fazer agora?
Bem, já que eu estava lá e não sou nenhum tabaréu, resolvi ir logo para a Barra, pois havia ouvido falar que lá é que era o circuito da folia (pra mim, circuito era coisa de energia elétrica. Mas... seja o que Deus quiser).
Rapaz, isso foi no sábado à noite. E, quando eu consegui chegar, depois de pegar quatro ônibus errados, já passava das vinte três horas. Fui logo me deparando com um trio elétrico, que vinha parecendo um furacão daqueles que a gente vê no cinema em filme de tempestade. O povo vai pulando como loucos e quem estiver na frente eles vão pisando e dando cotoveladas, até arrancar as tripas da gente. Tomei cada pisada nos pés que chegava ver estrelas de tanta dor. Com uma mão eu me defendia dos empurrões e com a outra segurava a sacola com toda força para não perde-la. Mas, foi em vão! Quando um desgraçado de lá de cima do trio gritou: Levanta o pé do chão, galera!  Deram-me um empurrão tão filho da puta, que minha sacola voou longe e eu fiquei apenas segurando a alça como lembrança. Aí eu enlouqueci, pois toda minha roupa e dinheiro estavam dentro dela. E o que eu ia fazer sem roupas, sem dinheiro e sem teto para me hospedar?  Quanto mais eu gritava: Minha sacola!  Minha Sacola!  O povo pulava e me pisava cada vez mais.
Uma mulher, com pena de mim abraçou-me e, beijando-me carinhosamente, afastou-me daquela confusão. Quando paramos em um canto, me refiz e olhei para a mulher para agradecer a filha de Deus, tomei um susto retado, pois a mulher era um travesti.
Empurrei o desviado para trás e disse:  Qualé seu cara! Ta pensando que eu gosto dessas coisas?
-Calma bofe. Estou aqui para ajuda-lo numa boa.
-Vá ajudar a puta que lhe pariu!  Eu vim para Salvador para brincar o carnaval e transar com as mulheres mais lindas do Brasil. Se eu gostasse de viado eu ia passa o carnaval na selva amazônica.
A bicha ficou parada me olhando e, naquele momento, lembrei-me que estava perdido, sem dinheiro, sem roupas e não conhecia ninguém na cidade. Achei que não podia tirar uma de valentão e nem de machão, senão estaria totalmente na merda. Então logo falei:
-Desculpe, cara. É que eu estou desesperado e aflito. E essa situação pra mim é muito estranha. Acabei de chegar do interior, ninguém estava me esperando e agora estou perdido na cidade e sem nem um puto pra poder me hospedar em uma pensão. E logo de cara me bato com você e eu não sou chegado a essas coisas.
-Se você quiser pode ficar em meu apartamento hospedado até acertarem as coisas. Creia que nada acontecerá entre nós dois. Eu prometo!
-E nem pense nisso! Meu ramo é xoxota desde menino.
-Todos me chamam de Gisele, mas meu nome é Ari e moro na Rua do Sodré, 74, bem perto do Largo Dois de Julho. Vamos até lá para você tomar um banho, eu lhe empresto umas roupas limpas e vamos procurar os seus parentes. E, ao mesmo tempo em que estaremos procurando, vamos brincando nosso carnaval e vou mostrando-lhe as belezas de Salvador.
-Tá legal! Mas somente como amigos. Meu nome é Marcelo. Nada de falar ou fazer sacanagens. Quando eu voltar mando dinheiro para pagar tudo que você gastar comigo.
Fomos para o apartamento, tomei um puto banho e, quando saí do banheiro, já estava uma macarronada cheirosa e deliciosa esperando-me na mesa, acompanhada de uma cerveja toda anuviada de gelada que estava. Aí eu pensei: Foi Deus que botou esse viado em meu caminho. Está quebrando-me um galho da porra com essa acolhida.
Quando acabei de comer e beber, Gisele apareceu com um short cor de rosa e verde e uma camisa branca cheia de paetês e disse: Vista essa roupa e vamos para a folia. Quando olhei para a indumentária, imaginei logo se a turma da minha cidade visse eu vestido daquela maneira, todo de verde/rosa e paetês, me chamariam logo de bichona da mangueira. Mas, como aqui ninguém me conhece, vou tomar todas e curtir o reinado do Momo.
Acredito que vou me dar bem, pois, na minha cidade, todo viado anda arrodeado de mulheres e, com certeza, aqui na capital deve ser bem melhor e vão sobrar muitas pra mim. Isso eu ia pensando enquanto caminhávamos pela Avenida Sete em direção ao Campo Grande. A cidade parecia um formigueiro de tanta gente.E, quando nós íamos passando pela porta do Hotel da Bahia, um grupo de rapazes vestidos de índios, passaram as mãos em nossas bundas e gritaram: Venham cá meninas! Sentem aqui em nossos colos!  Gisele ficou elétrica de alegria, mas eu fiquei puto da vida e xinguei a mãe de todo mundo.
Eles caíram na risada e gritaram:  Meu Deus!  Essa bicha é valentona. Calma minha filha  que você vai arranjar um negão do Olodum, que vai deixar você bem calminha e sem poder sentar por uma semana. Há!  Há!!  Há!  Há!
A única coisa que pude fazer foi dar uma risada também, levando aquela merda na esportiva e curtir meu carnaval. Se a merda do programa tinha dado errado, o que eu tinha agora era aproveitar a situação para não perder a viagem tão programada com antecedência.
Ao chegar no Campo Grande foi uma loucura. Era um trio atrás do outro, gente pra caralho e uma esfregação da porra. Gisele segurou na minha mão para que eu não me perdesse de novo e eu a agarrei firme também, com medo de ser arrastado pela multidão. Ela colocou-se em minha frente, botou as minhas mãos em volta da sua cintura e ia pulando na frente para abrir caminho. Não nego não! Ela mexendo e se esfregando, não deu outra. Mesmo sem querer eu já estava excitado com aquela bunda grudada em minha virilha.
Eu só fiz baixar a cabeça pra não dar um azar de me deparar com alguém conhecido e me ver naquela situação nada abonadora para um homem sério do interior. Gisele quanto mais sentia o volume, mais requebrava e procurava os lugares mais cheios para a esfregação ser melhor. Tudo isso era novo para mim, mas, no fundo, no fundo, estava até gostoso.
Aquela altura eu já estava suado pra caralho e paramos para comprar umas latinhas de cerveja. Continuamos a caminhada e já estávamos na ladeira da Barra, quase chegando ao porto. Gisele sempre olhava para mim com uma cara safada e perguntava:  Está gostando, Celo?  E eu, para não desagrada-la, sempre dizia que sim. Mas, a verdade é que eu estava achando uma loucura total, porém bem divertida.
Ao chegarmos no porto encontramos turistas de todos os tipos (nacionais e internacionais). Uma loura que passava, pegou em meu queixo e disse: Raí du iu du, beibe?  Eu não entendi nada, mas Gisele gritou logo: Qual é a sua, Mona?  O bofe aqui tem dono! A loura seguiu em frente e eu fiquei sem saber qual era o caso.
Paramos em uma barraquinha e Gisele comprou duas bebidas duplas chamada Capeta, mandou que castigasse na vodka e guaraná em pó, dando-me uma para beber. Como a coisa estava interessante eu não estava ligando pra mais nada e só queria saber de me divertir e tomar tudo que tinha direito, mandei bala e bebi de uma só talagada. Parecia refresco, mas, quando começou a surtir efeito, minha cabeça ficou a mil. Aquela altura o meu lema era: O futuro a Deus pertence!
Para atravessar do porto até o farol, tivemos que passar por uns becos, que eu nunca vi tantas bichas reunidas em minha vida. Nem parecia que eu estava nesse mundo de meu Deus. Tantos homens se beijando e se agarrando que mais parecia uma suruba de Lúcifer nas profundezas do inferno. Logo que Gisele apontou, um grupo de desvairadas gritou:  Queriiiiiiiiiiiiiiiiiiidaaaaaa, quem é o bofe?  Eu larguei  a mão dela rapidamente e fiquei logo escabreado, procurando não querer dar na pinta que tinha algo com ela.
-É meu amigo Celo, que veio do interior passar o carnaval comigo.
Eu já ia abrindo a boca para dizer que não era nada disso. Mas preferi ficar calado, pois explicar alguma coisa aquela altura, era bem pior e não ia convencer ninguém. Dei um sorriso amarelo e todas começaram a beijar o meu rosto, dizendo: Muito prazer, meu lindo. (Puta merda, se alguém da minha cidade me visse agora, eu estaria fodidíssimo e teria que mudar até de país).
Eu jamais poderia imaginar que Salvador fosse essa putaria toda. Pensei que aqui a gente tomava era muita surra de xoxota em cada esquina, mas, as bichas estão tão loucas e numerosas, que avançam e não dão nem chance para as xerecas. Que concorrência filho da puta!  Só acredito porque estou vendo e sentindo na pele.
Finalmente chegamos no tal do Farol da Barra.  Uma concentração de gente que eu nunca tinha visto em minha vida. Parece que o povo do mundo todo tinha se reunido ali para brincar o carnaval.
-Ali é o Edifício Oceania e aquele  camarote no primeiro andar é de Gilberto Gil. Disse Gisele apontando com o dedo num gesto tremendamente aviadado. Olhei para cima e vi na sacada um cara parecido com Caetano Veloso e perguntei para ela: É ele?
-Claro que é. Caetano é aquele que está junto daquele cara de cabeça branca. Naquele camarote está reunida a fina flor do carnaval baiano e muitas estrelas globais. Mas, para entrar lá só com convite especial.
Nesse momento começou a passar o trio de Ivete Sangalo puxando um bloco e nós fomos acompanhando e pulando por fora da corda, não deixando de tomar uma porrada de empurrões e pisadas. Mas, estava gostoso demais! Eu já estava no maior fogo, pelos efeitos dos capetas e não soltava mais a cintura de Gisele por nada desse mundo, pois, se a soltasse, poderia me perder e ficar na rua na maior merda e, ao mesmo tempo, não sei se era pelo álcool, mas já estava acostumando-me com a idéia de terminar comendo Gisele.
Quando chegamos em Ondina, isso as quatro e trinta da manhã, eu estava fodido de cansado, os pés inchados, meu conga preto de lama e a roupa molhada de suor.  A danada da Gisele estava quase impecável. Não sei como ela conseguia se manter com a maquiagem perfeita, enganando a quase todos, na condição de não ser mulher(mas, como sempre soube que bicha tem arte...).
Eu até gostei disso, pois nem todo mundo percebia alguma estranheza no casal. E aí dava para eu encarar melhor a situação.
Como era o meu primeiro dia e já não agüentava mais, pedi a Gisele para irmos descansar no apartamento, pois precisava dormir um pouco para enfrentar o dia seguinte. Sinceramente, eu nem me lembrava mais de compadre Ziza.
Ela concordou e chamou um táxi pra nos levar. Eu perguntei baixinho em seu ouvido, se ela tinha grana para o táxi, e ela respondeu que sim, pois ela trabalhava com computação gráfica e ganhava bem.
Estava cochilando em seu ombro e acordei quando Gisele avisou que já tínhamos chegado. Ela pagou o táxi, subimos a escada, entramos no apartamento, tomamos um banho quente maravilhoso, comemos alguma coisa e não deu outra: Transamos até o sol raiar!  Digo com sinceridade, não senti falta de xoxota. Gisele é uma mestra em sacanagem e sabe fazer a gente gozar de todas as maneiras possíveis.
Caímos no sono e só acordei às três horas da tarde. Olhei para o lado e vi Gisele nua de barriga pra cima e tomei o maior susto quando vi o seu pau duro pelo tesão de mijo, apontando para mim. Logo pensei horrorizado: Putaria como essa, só se vê na Bahia!
Pois é, Zezinho. Os outros dias de carnaval eu não posso nem lhe contar, mas, quando você vier aqui em Salvador, pode ficar hospedado conosco, que eu e Gisele contaremos maiores detalhes. Não é amor?
–Claro Celo!  Diga ao nosso primo que estou mandando um beijo pra ele.
Tenha certeza, Zezinho, que esse foi o maior carnaval da minha vida.
Um abraço,
Marcelo

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

sábado, 12 de março de 2011

Pacote turístico no Brasil!

                                                                                                       *Antonio Nunes de Souza

Nosso país, com dimensões continentais oferece aos turistas as opções mais variadas e inusitadas de diversões, como também abomináveis ações de terror e insegurança. Embora em todas as capitais a história seja a mesma, nossas observações são mais direcionadas ao querido e maravilhoso Rio de Janeiro.
Para quem vem curtir nossas praias, já que temos milhares de quilômetros de costa atlântica, cheia de coqueiros, barracas, lindas mulheres, etc., podem deliciar-se com tudo isso, tendo também a certeza que será vitimada por um arrastão muito bem organizado por quadrilhas de meninos (?) de rua, bastantes qualificados para saquearem roupas, jóias, máquinas fotográficas, dinheiro e, em alguns casos, distribuírem tapas e bofetões como bonificação. Felizmente existem praias mais calmas que o turista pode ficar razoavelmente tranqüilo, pois está sujeito apenas a ser explorado pelos preços extorsivos dos barraqueiros, como também ter a modesta falta de sorte, quando for dar um mergulho nas cálidas e poluídas águas, voltar e não encontrar seus pertences, levados sorrateiramente pelos ratos de praia. Essa segunda opção pode ser considerada um grande privilégio, pois não existe violência física. São meros e inocentes furtos!
Entretanto, para os turistas mais cautelosos que não vão à praia, dedicam-se somente a passear nos calçadões, admirar as ondas, o azul do mar, lindas mulheres e tirar fotos para registrar sua viagem, esses inocentes estão longe de saber que essa cautela pode ser chamada de brincar de roleta russa. Pois, qualquer momento, pode surgir do nada, dois ou três marginais infanto-juvenis que, em disparada, arrancam máquinas fotográficas, correntes ou relógios dos seus braços, quase degolando os incautos ou lhes deixando manetas. E ai daquele que resistir ou correr atrás! Será agraciado com uma canivetada ou um tiro a queima roupa. Porém, às vezes não é tão trágico assim, pois tem os turistas que dão sorte, tomando apenas algumas bofetadas e tendo somente as caras quebradas.
Podemos, contudo ressaltar o grupo dos mais previdentes, que preferem deliciarem-se com a paisagem deslumbrante que descortina nas janelas dos hotéis, evitando a circulação nas praias e seus arredores, não dando oportunidade aos perigos eventuais já citados. Mas, não será nenhuma novidade e sempre está acontecendo, marginais das favelas circunvizinhas aparecerem de surpresa, renderem os porteiros e saquearem todos os apartamentos e cofres do hotel, inclusive levando os passaportes para serem falsificados e vendidos por preços exorbitantes.
Aí você pergunta: E o policiamento o que é faz?
Ah! Esse é o mais hilário! Quando não estão participando dos próprios assaltos, geralmente ficam de prontidão para dar guarida aos meliantes. E, quando acontece algum bandido ser preso por populares, ele é levado pelo policial para o posto mais próximo e solto logo em seguida, após tomar um grande carão por não ter sabido agir com a destreza necessária.
Você imediatamente pergunta estarrecido: Mais todos os policiais dão cobertura aos ladrões de rua?  Claro que não! A grande parte prefere dar cobertura aos traficantes de drogas dos morros, pois o rendimento é muito maior, proporcionando uma vida nababesca.
Não é possível! E os restantes?  Bem, os restantes estão divididos entre os que apreendem armas e vendem aos assaltantes de banco, como também vendem suas próprias armas que pertencem à corporação, e aqueles que são honestos e não tomam nenhuma atitude com receio de serem apagados como dedo-duro pelos seus colegas de farda. Felizmente ainda existe essa fatia, mas, tão mínima que não oferece nenhuma segurança à população.
Esse é o quadro fatídico da cidade maravilhosa, cheia de encantos mil! Pois, tudo isso acontece cotidianamente, sem contar a distribuição de balas perdidas (não é bombom, não. É chumbo mesmo!) enviadas pelas quadrilhas das favelas em seus entreveros entre eles, disputando os comandos das bases de distribuição.
Esse é um triste e lamentável retrato do nosso mundialmente conhecido Rio de Janeiro. Mas, felizmente, vamos patrocinar uma copa do mundo e, por exigências e fiscalizações internacionais, certamente muitas mudanças vão acontecer na cidade maravilhosa!
          *Escritor (VIDA LOUCA –ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de março de 2011

As mudanças do tempo!

                 Antonio Nunes de Souza*                                                                                                                                                                                                   
As gírias e expressões idiomáticas dentro da nossa língua, talvez imitando em vários aspectos os americanos do norte, cada dia que passa nos deixam (nós que somos da velha guarda) totalmente voando e por fora, sem entender os neologismos ou as aplicações de palavras que exprimem uma ação completamente estranha para nós mortais do século passado e, teimosamente, ainda estamos sobrevivendo.
Antigamente quando se dizia que o jovem ou a jovem estava se soltando, significava que ele estava dando “pum”. Hoje essa expressão significa nada mais nada menos que ele está mais liberado, menos tímido, etc.
Outra expressão que tenho até vergonha de dizer ou escrever era a que se usava para descaracterizar uma virgindade: Fulana saiu de casa! Ou também: Beltrana não é mais moça! Juro por Deus que estou morto de vergonha, mesmo estando aqui escrevendo na minha solidão, imaginando que alguém vai ler e rir do meu dicionário de Antanho. No meu tempo isso era considerado um ato de depravação jamais perdoado pelos pais e pela sociedade. A pobre coitada era execrada e banida logo de início de todos os meios, pois seu fim já era traçado como uma futura prostituta, ou melhor, utilizando o termo dos mais radicais da época: Rapariga ou puta!
Em nossos dias, o velho e quase inexistente hímem (o popular cabaço), é perdido (ou quem sabe, achado) com a maior naturalidade. Pois, as meninas de 12 anos em diante, não ousam mais conserva-los para não serem taxadas de doentes ou otárias. Os pais, estes que eram os torturadores e carrascos do passado, apenas se preocupam alertando para usarem camisinhas, simplesmente com medo de doenças e netos indesejáveis. Mas, transar pode a vontade até dentro da própria casa, enquanto eles estão vendo televisão na sala.
Quando se falava: Vou ficar! Interpretava-se como que a jovem não iria, ficaria em casa com seus pais estudando. Hoje, paradoxalmente, que dizer que ela vai ficar com um cara e se gostar repete, senão, nunca mais o verá. Simplesmente, um teste drive sexual da moda.
Com essa terminologia, enriquecido de novas palavras para as velhas ações, ficamos nós, obsoletos seres humanos, tendo que procurar nos atualizar diariamente para que não sejamos taxados de caretas ou retardados.
Fui cair na asneira de mostrar essa crônica ao meu filho e ele, as gargalhadas, falou: Velho você vai pagar o maior mico!
E eu, na minha mais pura ignorância, pensei: Pô! Será que vou ter que comprar um macaquinho?
*Escritor e poeta (Vida Louca) ansouza_ba@hotmail.com




O que é a felicidade?

                                                                                                                                                       *Antonio Nunes de Souza
É tão simples essa pergunta, mas, poucas vezes paramos para fazer a nós mesmos, porque na verdade nunca sabemos exatamente o que realmente ela é.
Nas complexidades de desejos e circunstâncias diversas de nossas vidas, ela é representada de formas diferentes e, muitas vezes, basta tão pouco para alcançá-la, que parecemos estar sonhando com algo do outro mundo quando a alcançamos por alguns momentos ou por momentos duradouros.
Quantas oportunidades já tivemos de acharmos que estamos felizes por estarmos com saúde, acreditando ser esse nosso maior desejo e ideal?
Quantas vezes encontramos a felicidade quando nos deparamos com uma pessoa bonita, sensível, agradável, carinhosa e é receptiva ao nosso amor?
Como também, quantas vezes ela é alcançada quando nos livramos de um amor não correspondido, que estava nos atormentando pela lembrança de um passado feliz?
O que poderíamos dizer da felicidade de tê-la alcançado através do dinheiro, realizando os nossos desejos materiais?
Tudo isso sem contar com a felicidade encontrada através da felicidade de pessoas que amamos e desejamos tudo de melhor.
Esses exemplos citados são provas reais de que a felicidade é camaleônica e não nos dá uma oportunidade de descrevê-la com a segurança e precisão de que ela seja uma única coisa. Ela surge dependendo exclusivamente da nossa necessidade de momento. Não adianta ela aparecer em forma de dinheiro, se você deseja amor. Não adianta ser em forma de saúde, quando naquele momento você deseja morrer.
Portanto, esse sentimento que é à base da vida de todas as pessoas, jamais terá uma definição perfeita e correta, a não ser a mais simplista de todas: Felicidade é ter paz de espírito!
É uma pena que nós ainda não aprendemos o que seja esse assombroso detalhe psíquico que nos domina pela carência e, por mais complicado que seja encontrá-la, todos lutam a vida inteira para conquistá-la.
Um dia ainda atingirei a plenitude da felicidade e procurarei domina-la para que ela viva sempre dentro de mim.
Claro que passarei a fórmula para todos!
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vale fazer reflexões!

                                          Antonio Nunes de Souza*

Fixei os meus olhos na vidraça da janela procurando encontrar nas gotas que batiam fortemente, alguns desenhos formados pelos respingos que espalhavam e escorriam devido a forte chuva que caia naquele momento. As imagens formadas eram disformes, mas refletiam exatamente as coisas confusas que estavam estampadas em minha mente.
Ao mesmo tempo em que via a silhueta de uma mulher, imediatamente outro pingo escorria e formava uma paisagem esquisita e disforme sem que desse tempo para que eu imaginasse o que seria. O fato é que tudo tinha algum sentido nos meus pensamentos, pois, às vezes, eu vislumbrava a figura que gostaria que ali estivesse. Lógico que se tratava do desejo do meu corpo e da minha imaginação!  Ver ou estar com alguém que, naquele momento, faria minha felicidade com seus carinhos e o calor do seu desejo recíproco.
Fechei os olhos deixando de lado o traçado da embaçada janela, para refletir com mais precisão o que na verdade seria bom para mim ou se o meu desejo era algo simplesmente momentâneo e sem a importância real que estava dando a tal fato. Senti que não era momentâneo e que realmente tinha uma importância muito grande para minha satisfação afetiva, física e pessoal. Descobri que certas coisas acontecem inesperadamente sem que tenhamos tempo de analisar ou separar o certo do errado.
Aliás, o que é o certo ou errado?  Ambos têm finalidades específicas para que possamos fazê-los, sentindo os prazeres que eles possam oferecer, sempre com a convicção de que poderá ser até errado, mas, fizemos porque achamos que seria certo fazer naquele momento de desejo mútuo, deixando para analisar posteriormente. A conceituação do certo ou errado é de uma banalidade tão grande que, muitas vezes, optamos pelo errado com a convicção de que estamos agindo certo. Desta forma, jamais devemos prejulgar nossas atitudes, somente para refrear nossos instintos, baseando-se nos preconceitos de uma sociedade hipócrita e cheia de falsos pudores, que vem proclamando-se ao longo dos tempos, como a dona da verdade absoluta. Graças a Deus, vejo diariamente a quebra de centenas de tabus, que são desmistificados pela coragem daqueles que descobrem a tempo que nós é que sabemos o que é melhor para nossas vidas. As únicas coisas que realmente nos pertencem são nossos corpos, nossas almas, nossas vontades, em fim, a nossa própria vida. E esta, devemos usá-la da forma que mais nos dê prazeres, alegrias, felicidade e a convicção de ter vivido intensamente cada oportunidade que nos aparece.
Eu reputo a dúvida como uma coisa diabólica, pois ela, estupidamente, só nos faz perder tempo, oportunidades e nos trazer arrependimentos futuros, rindo da nossa infantilidade por ter dado mais valor as opiniões alheias do que aos nossos desejos e instintos.
Adormeci com esses pensamentos regando a mente, fazendo com que minha coragem fique cada vez mais impetuosa, para que meus desejos sejam triplicados, tornando-me como sempre, um batalhador e guerreiro para continuar lutando pelos meus intentos. Ao mesmo tempo, senti pena das pessoas que se deixam travar-se com seus pensamentos preconceituosos, reprimindo seus desejos visivelmente aflorados, baseando-se num manual ultrapassado e tolo, esquecendo-se que, infelizmente, o tempo jamais volta atrás.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

Era uma vez...

Antonio Nunes de Souza*
Era uma vez...
Que se transformou em duas e três,
Quatro, cinco e seis.
Foram às vezes que me apaixonei,
Como foram boas todas elas,
Com situações gostosas e belas,
Porque em todas eu muito amei.

Se fui amado?
Não importa. Fui descuidado!
Só sei que tudo foi maravilhoso.
Durante todas as vezes que vivi,
Amei muito mais do que sofri,
E, enquanto durou, foi delicioso.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)