sábado, 1 de janeiro de 2011

Ironías do destino!



Ironias do destino!
Antonio Nunes de Souza*
Sentado, as lágrimas desciam pelo rosto ao ouvir uma frase forte e comovente que, num passado distante, a ouvi com entonação de carinho e preocupação e encontrava-me alegre e feliz. Fiz uma retrospectiva, projetando em minha mente um filme que não gostaria de tê-lo assistido:
-Pâmella Mary, saia da lama menina! Falou a mãe enquanto enxaguava na bacia a roupa de lavagem de ganho.
Sorri, internamente, quando ouvi o nome da pequena criatura que, sentada numa poça d’água imunda, brincava tranqüilamente como se fosse uma piscina. Analisei como é interessante e peculiar entre as pessoas pobres, colocar nomes exóticos e estrangeiros em seus filhos, procurando enriquece-los de alguma forma, imitando os nomes comumente usados nos filmes e novelas da tv. Mais engraçados ainda são os acréscimos de letras para dar maiores ênfases, muitas vezes tornando ridículas as pronuncias e as combinações. Pâmella Mary era um exemplo típico desse fato!
-Bom dia dona Mariana!
-Bom dia, Dr. Márcio! Eu estava esperando o senhor na parte da tarde, por essa razão não preparei a menina.
-Infelizmente surgiu um compromisso inesperado para hoje à tarde, e resolvi vir logo pela manhã. Mas, como a senhora não tem telefone, não tive condições de avisar. Porém, pode ficar tranqüila que aguardarei de bom grado a preparação da criança.
Enquanto mandava que eu sentasse em um tamborete com as pernas meio bambas, Mariana desocupou a bacia estendendo as roupas no varal improvisado em plena ruela da favela, enchendo-a de água e, em seguida, pegou a menina pelo braço e a colocou dentro, antes porém, lavou os sujos pés que estavam enfiados na lama fétida do fundo da poça.
Conforme havíamos combinado, eu estava ali para levar a menina, adotando-a extra-oficialmente, pois estava casado há 10 anos e não consegui ter um filho em função de um problema genético da minha mulher. E fomos informados que dona Mariana não tinha condições de criar a menina e estaria disposta a dá-la para um casal que fosse respeitável e lhe desse uma boa educação. Ela foi a nossa casa, nos conheceu, viu que tínhamos boas intenções e concordou em nos dar a criança, mesmo sem as burocracias da justiça. Como a menina tinha dois anos e não era registrada, nós a registraríamos como se fosse nossa própria filha e tudo ficaria na mais completa tranqüilidade e segredo para ambos os lados. Pretendíamos dar algum dinheiro para Mariana como uma compensação por estar nos dando uma felicidade ímpar, mas ela recusou-se categoricamente, alegando que, somente em estarmos dando conforto e segurança para sua filha, representava a maior das fortunas que ela poderia ter na vida. Mas, mesmo assim, prometemos ajuda-la em alguma ocasião que fosse preciso.
Não ficamos temerosos com relação a alguma reclamação posterior do pai de Pâmella, pois se tratava de um individuo que apareceu na favela tempos atrás, sem documentos, eiras nem beiras, nenhum parente e fazia biscates diversos para sobreviver. Mariana o conheceu num pagode, ficou, e aconteceu. Uma semana depois desse fato, ele foi atropelado e morto numa rua da zona norte. Mariana só veio saber, através dos comentários habituais da favela. Entretanto, ninguém sabia desse rápido envolvimento e nem ela percebera que já estava grávida. Quando descobriu, deu prosseguimento a sua gravidez, guardando segredo de quem era o pai, pois, naquele ambiente, ninguém tinha preocupações ou causava estranheza alguém aparecer de barriga.
-Pronto Dr. Márcio. Aqui está sua bonequinha! Coloquei nesse saquinho de mercado algumas roupinhas, embora o senhor tenha dito que já tinha em casa um enxoval completo no quartinho dela, que tive a felicidade de ver. Ela disse isso escondendo com um sorriso os olhos lacrimejantes de uma mãe que está entregando um pedaço de si.
Dei-lhe um abraço, agradeci mais uma vez, e alegre e comovido carreguei a criança nos braços, partindo para o carro que estava um pouco distante, em função do caminho do seu barraco ser intransitável, onde Eunice, minha esposa, me aguardava, pois não queria ver a cena da despedida. Mas, nada aconteceu que fosse dramático.
Pâmella não esboçou nenhuma reação e nem estranhou as pessoas que a estavam levando-a O passeio de carro, as novas paisagens e a variação de novidades, eram suficientes para faze-la feliz e nem lembrar do seu barraco ou da própria mãe.
Tomamos todas as providencias combinadas e normais para perfilha-la e criar a menina dando-lhe educação, carinho e amor. Não mudamos o seu nome, como uma homenagem ao gosto(?) da sua mãe.
Os anos passaram, Pâmella terminou o curso secundário, fez vestibular e passou a cursar a faculdade de arquitetura. Quanto à dona Mariana, curiosamente, após dois meses que havíamos trazido a menina, voltamos ao seu barraco e não a encontramos. Seus vizinhos não souberam nos dar nenhuma notícia, como também, nesses 19 anos, jamais voltamos a nos falar ou ter alguma referencia do seu paradeiro. Em função disso, jamais contamos nosso segredo para a menina.
Mas, como muitas vezes o destino nos prega peças nem sempre agradáveis, Pâmella começou um namoro com um rapaz que era usuário de drogas e, infelizmente, levou-a para o vício. E, como comumente acontece, quando percebemos já era tarde. Ela começou a ser agressiva, passar dias fora de casa, deixou de freqüentar a faculdade, além de beber e fumar, iludida como muitos jovens, achando que isso é que era felicidade.
Tentamos de todas as maneiras contornar a situação, mas, somente pode-se ajudar, quem realmente deseja ser ajudado. E ela nada queria e não aceitava mais nossos carinhos e atenções, terminando por ir morar com o tal indivíduo em um quartinho de uma pensão de quinta categoria.
Depois de meses nessa vida, onde não tínhamos nenhuma notícia, hoje ela apareceu aqui em nossa casa, com uma aparência horrível, olheiras, mal vestida e, cinicamente, veio nos pedir, quase exigindo, dinheiro para comprar drogas, pois estava em tempo de enlouquecer e, caso não tomasse uma dose iria morrer de dores por todo corpo.
Foi nesse instante que ouvi a fatídica frase, desta feita repetida por minha mulher, com muita compaixão, lágrimas e amor, que me fez lembrar toda essa triste história:
-Pâmella Mary, saia da lama menina!
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

Como encontrei a felicidade!

Como encontrei a felicidade!
Antonio Nunes de Souza*
Não posso deixar de confessar minha felicidade, depois que passei momentos de tristeza e depressão quando caiu minha ficha, vendo que tinha perdido meus antigos encantos e como realmente fiquei com a aparência que estavam me rotulando com naturalidade de coroa. Tenho certeza que, por mais que digam que não, essa denominação fode com a moral de qualquer pessoa que passa dos quarenta. E eu, sem que sentisse ou pressentisse, já estou nos quarenta e cinco e, como tive o privilégio de ter nascida linda, charmosa, corpo invejável daqueles que a gente ouve toda vez que passa, a expressão chula de: Gostooooosa! Eu fechava a cara, mas, por dentro o ego ia lá “pras cabeceiras” de alegria.
Por conta dessa aparência bonita e disputada por todos os rapazes, não me preocupava com academias, exercícios, alimentação ou nenhuma dessas coisas que a moda todos os dias impõe para nos escravizar e gastar dinheiro. Achava eu que minha beleza iria perdurar e, por essa razão idiota, fazia o maior cú doce com os caras, escolhendo demais e deixei de dar dezenas de transadas legais que hoje me arrependo, mas, fodeu-se que o tempo já passou.
Resultado: Com vinte e três anos, terminei casando com um cara babaca, vivemos uns dois anos, tivemos uma filha e depois nos separamos, pois vi que não era isso que eu queria, principalmente o idiota que escolhi como marido (me lembrei do que minha mãe dizia sempre: Quem muito escolhe, pega no pior). E eu, com meu cú doce, terminei na amargura. Porém, dei a volta por cima, tinha feito faculdade, fui trabalhar e cuidar da minha nova vida e da minha filhinha.
O tempo passou, minha filha formou-se, casou-se e foi cuidar da sua própria vida. Então, como me anulei completamente, preocupando-me em lhe dar uma boa educação, depois da sua saída de nossa casa que, um dia olhando-me no espelho, pude perceber, em vista do que eu era, o bagulho que me transformei.
Rapaz! Tomei um susto do caralho! (não sou de dizer nomes feios, mas, somente esse daria a dimensão para enfatizar como eu estava e como me senti naquele momento). Imediatamente tomei a decisão que, urgentemente, iria para uma academia que colocasse as coisas nos lugares. Porém, fazendo uma análise mais detalhada, vi meus peitos que no passado eu os levantava e colocava um cotonete embaixo e, quando eu os soltava, o cotonete caía. E, sem exagero, se eu os levantasse e colocasse uma latinha de coca-cola, poderia solta-los e sair correndo que a porra não iria cair. Fiquei de perfil e foi aí que a tristeza aumentou! Minha bunda estava mais caída que a moral de Zé Dirceu e ainda cheia de celulites. Meu Deus! Será que eu estava cega esse tempo todo? E estava mesmo, pois, ao olhar para as pernas, minhas coxas pareciam um mapa geográfico de tantos vasos e varizes que batiam dos calcanhares até o pé da boceta (se é que boceta tem pé). A essa altura qualquer nome feio que eu dissesse era pouco para o muito da desesperada situação. Meu rosto não tinha pés de galinha (você que está lendo diz: Ainda bem!). Mas, nada rapaz, tinha era pés de dinosauro de tão marcados que eram. Parecia a Avenida Nove de julho em Bueno Aires, que é a mais larga do mundo e tem várias vias em diversas direções. Minha barriga até que não estava grande demais, mas. em compensação, nas laterais eu tinha mais pneus que box de fórmula um. Passei as mãos e a porra parecia um tobogã de tantas ondulações.
Não nego que comecei a chorar de desgosto, lembrando de quando eu fui miss em minha cidade. E, de repente, quando aproximei o meu rosto do espelho para enxugar as lágrimas, horrorizada, percebi que tinha duas enormes bolsas embaixo dos olhos, que pareciam aquelas conchas que servem siri catado nas praias. Embaixo do queixo havia um papo tão filho da puta, que dava a impressão que eu tinha acabado de engolir uma laranja e ela estava entalada em minha goela.
Caí na cama chorando torrencialmente, determinando-me que, antes de tudo, iria a um cirurgião plástico para fazer uma reforma geral, custe o que custasse, mesmo que tivesse de vender o carro ou fazer um empréstimo bancário.
Tinha uma amiga enfermeira chamada Naty que conhecia bem a área médica e ela me indicou um cirurgião bom e famoso, para eu não cair nas mãos de um desses filhos da puta, que deixam a gente parecendo a filha de Frankstem.
Acertei todos os detalhes, pedi uma licença no trabalho e, cinco dias depois de ter feito uma batelada de exames, já estava entrando na clínica para iniciar a fazer minha reforma geral, jurando que só sairia de lá depois de todos os procedimentos executados, pois, por morar sozinha, seria importante ficar sobre os cuidados da clínica durante as recuperações.
Cara! Fui mais fatiada do que pão de fôrma! Só não tomei talho na boceta porque já existia. Mas, no resto do corpo, o bisturi a laser chegou a ficar cego de tanto trabalho. Fiquei mais enfaixada que a múmia de Tutakamom. A única parte descoberta eram os olhos. Não posso deixar de dizer que estava com um medo filho da puta da porra não dar certo. Mas, minha amiga Roberta, para me acalentar, quando olhava para meus olhos esbugalhados, como se eu estivesse tomando no cú sem vaselina, sempre me dizia que ficasse calma que tudo ia dar certo.
Os dias foram passando, passando, os curativos minimizando, comecei a ver que estava mais inchada do que corpo de afogado. Mas, para me tranqüilizar, o médico disse que era normal até as completas cicatrizações.
Cada dia minha expectativa aumentava mais, até que um mês e meio depois, já sem nenhum curativo no corpo, mesmo tendo que depois continuar algum tempo usando umas faixas, pedi ao médico para eu olhar-me completamente nua. Depois da insistência, ele atendeu meu pedido e, quando juntamente com a enfermeira me olhei no grande espelho, dei um sorriso tão largo que quase desmanchava o bordado que foi feito no meu rosto. Mesmo com algumas inchações eu estava uma outra pessoa, bonita e com tudo nos devidos lugares.
Hoje, um ano depois, já completamente restabelecida das cirurgias, sem marcas ou cicatrizes, tenho que confessar para todos a minha plena felicidade de estar inteiríssima e, seguindo os conselhos sábios daquela minha amiga enfermeira, estou cuidando do meu corpo e minha alma através de aulas de bio-dança, com uma professora competentíssima na área, que nos deixa com o ego pra lá de Bagdá e uma leveza de espírito que nos enche de vontade de viver intensamente, colocando todas as nossas ansiedades e inseguranças pra fora e, consequentemente, todos os homens pra dentro.
Estou, seguramente, vivendo uma plenitude de vida que jamais imaginei voltar a ter, graças os conselhos sábios de minha amiga, direcionando-me para a magia da bio-dança, que eu, na minha ignorância, imaginei ser um desses modismos que a mídia nos impõe.
Pó! Distrai-me escrevendo e já está encima da hora de minha aula de bio-dança que não falto nunca, pois, além de divertida e salutar, minha professora Mara é maravilhosa.
*Escritor(VidaLouca-ansouza_ba@hotmail.com antoniomanteiga.blogspot.com)



O tempo é herói ou vilão?

O tempo é herói ou vilão?
Antonio Nunes de Souza*

Finda o último mês de 2010, tão rápido quanto um raio, parecendo que o tempo quer pregar uma peça nos dizendo que, como as coisas estão, não se pode esperar a banda passar cantando coisas de amor, como disse o Chico Buarque de Holanda.
Certamente, zangado por lhe culparem de todas as coisas que acontecem, resolveu agir com rapidez aumentando a aceleração, esperando que os homens tenham uma noção mais inteligente, percebendo que ele é apenas uma medida de vida e não de destinos ou ocorrências. Essas são estritamente ditadas pelos próprios homens que, com o uso do discernimento e bom senso, podem qualificá-lo com adjetivos melhores.
Embora seja algo abstrato e, seguramente, passageiro, ele com toda razão, julga-se importante bastante para ser respeitado pela oportunidade que dá para todos que sabem usa-lo de uma maneira proveitosa e racional. Desses, com certeza você sempre ouve comentários mais plausíveis que o envaidece e o deixa lisonjeado: O tempo está ótimo! Tive tempo de fazer tudo! Felizmente tive tempo bastante para curtir e ainda sobrou tempo para eu fazer outras coisas!
Mas, a grande maioria dos homens já estabeleceu em suas condenáveis mentes, a idéia nada justa de rotular o tempo como o culpado de suas falhas sociais, comerciais e afetivas, usando expressões injustas e descabidas: Desculpe, mas não fui porque não tive tempo! O dia foi curto e não tive tempo de fazer nada e nem fui à reunião da diretoria! Oh! Meu bem, não tenho aparecido porque não tenho tido tempo pra nada! Quando menos espero o tempo já passou!
Para esses o tempo não passa de um vilão que atrapalha, significativamente, suas vidas e, conseqüentemente, as vidas de muitas outras pessoas que dependem e confiam neles.
Em nenhuma circunstância o tempo pode ser considerado um vilão ou agente negativo provocador de arbitrariedades. Ele é uma disponibilidade divina que nos dá a oportunidade de arquitetar, construir, colorir e embelezar nossas vidas, desde que saibamos utiliza-lo racionalmente, tendo a consciência de que ele jamais voltará atrás ou parará para esperá-lo se seus passos estiverem lentos demais e fora do compasso.
Por essas razões é que muitos chegam ao destino de suas caminhadas, traçadas racionalmente dentro do tempo certo, alcançando seus objetivos e ainda têm tempo de sobra para desfrutarem dos resultados obtidos. Enquanto outros, céticos e desajustados, ficam pelo caminho culpando que não tiveram tempo para realizar seus sonhos.
Para esses últimos, só posso dar um conselho sábio: Corram que ainda existe muito tempo para vocês mudarem os finais de suas histórias. Tempo não é dinheiro. Tempo é uma medida de realização pessoal.

*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

Meu revellion do ano passado!

Meu revellion do ano passado!
Antonio Nunes de Souza*
Desse fim de ano não passa!
Fiquei feito uma tola escolhendo a vida toda um príncipe encantado, guardando minha castidade somente para ele e, resultado, todas as minhas amigas e colegas de colégios, casaram, tiveram filhos produções independentes, outras se separaram e recasaram, uma grande maioria faz biscates semanais, e eu, como uma idiota, nunca senti o prazer de uma boa transada, sendo inclusive ridicularizada pela minha imbecil atitude. Mas, nesse fim de ano, vou fazer tudo que tenho direito e descontar o castigo que dei a minha coitada e solitária “perseguida”.
Imagine vocês, estou com trinta e dois anos, já era para ter em meu currículo pelo menos uns vinte caras, centenas de orgasmos e, se não fosse minhas bolinações pessoais, meus eventuais sonhos eróticos, não teria nem a idéia do que seria essa sensação descrita por todos como o apogeu do prazer. E não é que essa merda até em sonho ou manipulado é gostoso?
Pelas confidências das minhas amigas o bom mesmo era com um cara nos beijando, agarrando, sugando, mordendo, por cima, por baixo, de lado, de costas, etc., que para mim, mais parecia uma luta de judô no tatame que uma relação sexual. Eu imaginava logo que, além de entrar com a xoxota, ainda teria que ter uma resistência física para enfrentar essa tal transa, que mais parecia uma briga de rua. Na minha idiota pureza, imaginava que a posição papai/mamãe era satisfatória para se chegar ao ápice.
-Que nada, Mirelle! Papai/mamãe hoje nem as meninas de quinze anos querem mais. A coisa vai de boquete a anal com abundantes variações que terminavam em 69, mas, agora com o funk e o arrocha vai até 100 fácil, fácil. O que precisa é ter ao seu lado a pessoa certa, pois tem essa meninada sarada que bebe, bebe e chega à cama se transforma em um DVD=Deita, Vira e Dorme. Ou então ficam exibindo os braços parecendo duas toras de jequitibá, o peitoral duro como se fosse esculpido em mármore e a rola mole como se fosse uma esponja de lavar prato.
-Pensei que fosse mais fácil e esses caras de academias eram os maiores rufiões do mundo.
-Nada minha filha! Homem fortão cheio de músculos é bom quando a gente vai fazer mudança. Carregam uma geladeira e um armário com uma facilidade danada. Na cama são uns babacas narcisistas.
-Pode ter certeza Lucienne, que eu vou escolher um cara legal e vou mandar ver seguindo suas instruções e todas aquelas loucuras que vejo nos filmes de sacanagens, que pensava tratar-se de loucas fantasias. Quando eu era menina li uma frase que marcou em minha vida: “Não há maior prazer do que dançar”. Por isso é que gosto tanto de dançar.
-Pois, quem essa asneira escreveu, vê-se logo que nunca fodeu!
-Há! Há! Há! Você é doida mesmo! Mas, amanhã no nosso revellion na praia, quando estiverem soltando os fogos eu estarei soltando a xoxota para iniciar o ano sendo uma mulher de verdade.
Noite do dia 31, todos se preparando para seguir para a praia onde seriam os festejos e as oferendas para Yemanjá, eu ainda pensei brincando e sorrindo: Não vou comprar nem perfumes, nem espelhos para ela. Vou dar de presente é o meu velho e enferrujado cabaço.
Entramos no carro de Mirelle, eu e mais duas amigas e seguimos para a Cabana Sonhos de Verão, local que seria a base de toda nossa festança.
Ainda eram 22 horas quando chegamos, pois preferimos ir mais cedo, uma vez que o trânsito sempre congestiona na avenida da praia, como também, estávamos sozinhas e seria importante chegarmos cedo para nos “arrumarmos” para uma noitada inesquecível. Sentamos em uma mesa bem localizada e começamos a beber alguma coisa ao som do DJ que mandava ver, por enquanto, músicas românticas e pop para ir dando clima ao ambiente.
Por incrível que pareça, com meia hora a cabana já estava lotada e, ao lado de nossa mesa, sentou-se um casal e mais dois caras com boas aparências, idade entre 30 a 40 anos e, melhor ainda, sem alianças nos dedos, sendo um bom sinal de que eram livres e desimpedidos. Eu, como não queria perder tempo, comecei a soltar sorrisinhos para o mais alto e mais bonito, demonstrando que estava interessada em alguma coisa. Meus sorrisos eram correspondidos e, minutos depois, ele virou-se para mim e chamou-me para dançar.
Nem titubeei. De um salto, o abracei e começamos a dançar “Emoções” de Roberto Carlos, canção digna para se iniciar uma esfregação no salão, dando a entender que no fim iria dar samba.
-Meu nome é Raul e o seu?
-Mirelle. Você é daqui de Ilhéus?
-Não sou de Porto Alegre e estou a negócios. Algumas coisas que deveria fazer atrasaram e tive que ficar aqui para passar as festas.
-E você é de onde?
-Sou de Itabuna e todos os anos venho curtir a “passagem” aqui na praia de Ilhéus que é uma maravilha.
Continuamos a conversar abobrinhas, rostinhos colados e, algumas músicas depois, voltamos a nos sentar. E ele, juntamente com os outros, fizeram a proposta para juntarmos nossas mesas. As meninas apoiaram e nem deram maior importância ao fato, pois, como eram cobras criadas, já estavam entrosadas com uns caras e dançavam numa esfregação tão grande que, comparada com o “arrocha”, esta pareceria Ciranda Cirandinha. O casal da mesa estava sempre dançando, o outro homem de nome André circulava direto pelo salão e em volta da cabana, enquanto eu e Raul bebíamos, dançávamos e conversávamos ininterruptamente, demonstrando uma intimidade de meses.
Quinze para meia noite, como eu queria cumprir minha promessa de começar o novo ano sem a rotulação de virgem, chamei Raul para darmos uma volta pela praia e fazer uma caminhada por lugares mais sossegados e desertos para admirarmos a lua e os fogos na hora da comemoração. Senti que ele achou estranha a minha proposta, pois todo mundo sempre comemora em conjunto, mas, mesmo assim, pegou uma garrafa de champanhe, dois copos e saímos caminhando para um lugar longe da barraca, escuro, deserto e a areia sequinha e limpa. Cenário ideal para desenrolar o que se passava em minha cabeça. Embora não sendo mais uma menina, minhas mãos estavam molhadas de suor pelo nervosismo daquela nova situação para mim.
Sentamos, ele colocou champanhe nos copos e deixamos do lado para brindarmos exatamente a meia noite. Aí, não me contendo mais, comecei a beijar Raul e fui empurrando-o lentamente para trás, já pensando em deitar-me sobre ele e começarmos o que planejei realizar. Disfarçadamente, olhei para o relógio e faltavam cinco minutos para meia noite. Nisso, ele calmamente se esquivou para o lado e disse:
-Eu tenho que lhe confessar uma coisa.
-Você quer me dizer que é casado? Para mim não tem problema, pois será apenas uma noite de festa, alegria e prazer e depois é provável que nunca mais nos encontremos.
-Infelizmente a história não é essa. A verdade é que sou homossexual e André, aquele rapaz que está na mesa é o meu caso há mais de 10 anos e eu não vou traí-lo, como também, embora você seja uma moça bonita, não é exatamente o que realmente gosto. Me desculpe, mas, não deveria ter alimentado o papo, porém, o casal que está conosco são os empresários que viemos tratar de negócios e não queríamos dar bandeira para eles.
Nesse instante, além da puta explosão que deu em minha cabeça, começaram a estourar os fogos, todos a gritarem Feliz Ano Novo, Boas Festas, etc, e Raul saiu em disparada dizendo que ia cumprimentar André.
Fiquei chorando sentada na areia, esperei por mais de meia hora para acalmar os ânimos e parar de ouvir os fogos e gritarias, e saí andando de volta para a barraca, imaginando com que cara iria encarar o povo da mesa e minhas amigas.
Felizmente, quando entrei no salão, olhei e vi que a mesa deles estava vazia, somente na nossa estava uma das meninas, a Lucienne, sentada no colo de um cara e dando o maior chupão do mundo na boca do rapaz.
Quando encostei, que ela me viu sozinha, com a cara bastante assustada me perguntou:
-Mirelle cadê o Raul?
-Deve estar por aí tomando no cu!
Foi a resposta que saiu automaticamente da minha boca, demonstrando como eu estava totalmente fora de mim. Depois dessa merda toda e uma decepção desgraçada, fui para o carro dormir e esperar até de manhã as meninas, como sempre, se darem bem.
Juro que passei o ano todo na fossa curando essa trágica desilusão, sem sair para lugar nenhum. Mas, desse fim de ano não passa!
Podem esperar que depois eu conto.
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

Bahia de todos os Santos e todos os pecados!

Bahia de Todos os Santos e todos os pecados!
Antonio Nunes de Souza*

Conhecer Salvador é sem dúvida o desejo de todo brasileiro! Não só por ser o berço da civilização brasileira, como também pela sua beleza natural, músicas, ritmos, sensualidade das mulheres e homens, adquirida através da miscigenação (aqui temos espermatozóides e óvulos com mais cores que o arco íris), sem contar a comida, capitaneada pela moqueca e escudada pelo acarajé e abará. Logicamente, temos motivos demais para provocar esse desejo não só aos nossos irmãos brasileiros, como já se estendeu também pelo mundo a fora.
Entretanto, tem um alimento delicioso que se tornou uma praga mundial, principalmente no comércio de fest food, ocupando o pódio da preferência dos nativos e dos turistas de um modo geral. É a tal da Pizza!
E, como não fujo a regra, fomos nos encontrar exatamente em uma das centenas de casas franqueadas de fama internacional. Obviamente, verão, cidade cheia, alta estação, época de faturar, etc., supõe-se que encontrará um atendimento vip que, certamente, sairá elogiando e fazendo a maior propaganda do local.
Tudo isso um ledo engano! Chegamos as 22;00h., numa quinta-feira e ficamos sabendo que a casa fecharia as 23;00h., tivemos que implorar para um suposto gerente que nos atendesse, pois ele imaginou que iríamos demorar comendo e ultrapassaria seu horário. Depois de muito cochicho lá pelos fundos, veio nos dizer que iria abrir um precedente especial de nos servir. Imaginem vocês, éramos três casais, certamente uma conta substancial, mas, estupidamente, tivemos que ajoelharmos nos pés de um pseudo comerciante para ter direito a um prato de comida, e pagando! Imagine o que ele não faz com quem pede um prato por caridade? Deve dar muita porrada e expulsar do seu estabelecimento.
Depois da benevolência de nos aceitar como clientes, passamos a sofrer para que nos atendessem dignamente. Pensei logo: Será que temos também de implorar! Essa merda aqui é restaurante ou repartição pública e banco comercial, que temos de nos humilhar para falar com o gerente e depois ajoelhar para ele dar um empréstimo que teremos, obrigatoriamente, de pagar dobrado?
Aí começou a nossa picula: Garçom nosso vinho! Cadê a salada que pedimos? Não vai servir a ele não? Psiu, psiu, cadê o chope? Isso sem falar na horrorosa equipe de garçons que parecia ter saído de um filme de Zé do Caixão. Todos, literalmente, magérrimos e com cara de moradores de Biafra. Que justificava, pois o desgraçado do dono não deve deixar ninguém comer nada e escolheu entre os mais miseráveis para poder pagar menos.
Comemos as pressas, os funcionários toda hora passavam por nossa mesa olhando seus relógios, nos dando um toque nada sutil que deveríamos nos picar dali o mais breve possível.
Será que essa é a maneira de se atender ao cliente? Principalmente o turista que vem trazer divisas e deve retornar divulgando bem o nosso Estado?
Esse dissabor foi na “Past Fest ou Fest Past” ali na Pituba em pleno verão.
Infelizmente, somos a Bahia de todos os Santos e de todos os pecados!
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com- antoniomanteiga.blogspot.com)

Aniversário fatídico!

Aniversário fatídico!
Antonio Nunes de Souza*
Ontem foi o dia do meu aniversário, tanto de idade como de casamento. Passei um dia alegre e feliz, mesmo estando com minha mulher e meu filho mais velho em Nova York, somente contando com a presença do meu caçulinha que já tem a bagatela de trinta e quatro anos. Mas, para nós pais, esse povo sempre serão meninos em nossos olhares.
E, para matar a saudade, coisa que faço diariamente através da Net (câmeras, fones e todas as parafernálias para um diálogo quase ao vivo), fiquei mais de uma hora conversando com meu povo “americano”, relembrando como o tempo passa rápido quando somos felizes, mesmo estando distante.
Hoje, ao acordar, lembrei-me do aniversário fatídico do atentado terrorista contra os Estados Unidos, mais precisamente Nova York, onde o Pentágono e as torres do Wold Trade Center foram atingidos por aviões comerciais cheios de passageiros, numa atitude infame e desumana de uma facção árabe, dirigida por um fanático que faz as maiores diabruras, paradoxalmente, em nome de Deus.
Em uma das minhas idas a NY, procurei visitar o local das torres que foram atingidas (vide foto anexa), ficando estarrecido com o tamanho da área sinistrada e pasmo por não ter tido uma tragédia de maiores proporções, em função da série de enormes edifícios que circundam o local.
Devemos atribuir à bondade divina, não só ter minimizado nossos sofrimentos com desfechos menos acentuados, como também por não ter desencadeado uma imediata terceira guerra mundial, fazendo com que os americanos feridos em seus brios por verem desmoralizados seus esquemas de segurança, que é propalado como o melhor do mundo, sofrer um vexame como se tratasse de uma republiqueta, saíssem soltando bombas atômicas pelo mundo a fora para mostrar sua suprema superioridade mundial.
Inegavelmente, hoje é um dia inesquecível para o mundo pelos dissabores, mortes e desgostos, causados mais uma vez pelos homens em busca de mais poderes, aliada a uma mentalidade tacanha e atrasada, cultuada através de uma estúpida religiosidade fanática e grosseira. Aliás, infelizmente, em todas as guerras do mundo, mesmo ou principalmente nos períodos mais medievais, a religião esteve sempre presente, procurando maiores poderes e paz, através do sangue e regras ditatoriais.
Vamos fazer sérias reflexões, para ver se vale a pena essas lutas sórdidas que somente alimentam a desigualdade dos povos. Enquanto se reúnem os oito mais ricos com propósitos de ficarem mais ricos, espalhados pelo mundo estão centenas de países pobres vendo seus povos morrerem de fome. Será que Deus criou os homens, dando-lhes o livre arbítrio para que seja usado dessa torpe maneira? Jamais acreditarei nisso!
Vamos procurar explorar mais nossa solidariedade e sempre dar exemplos de carinho, amor e dedicação ao próximo, para que não tenhamos de comemorar datas de aniversários como a de 11 de setembro.
*Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com – antoniomanteiga.blogspot.com)

A surpresa paterna!

A surpresa paterna!
Antonio Nunes de Souza*
-Meu Deus! Essa notícia me pegou de surpresa!
-Pois é meu amor, você vai ser pai, exclamou Sheila, olhando toda orgulhosa para a barriga que em nada se pronunciava, a não ser os pneuzinhos normais de sempre.
Com lágrimas nos olhos de tanta emoção, pensei como aquilo estava acontecendo, pois, segundo os médicos, por uma questão genética, eu jamais poderia ser pai a não ser se fosse por adoção. Agora, com essa notícia de supetão, para mim que nunca tinha confessado esse problema congênito para minha mulher, não pude deixar de imaginar duas coisas: Ou aconteceu um milagre divino ou eu sou um grande corno!
Não pude esconder no rosto minha reação, em razão do estranho pensamento que me veio à mente. Uma vez que, como não sou muito religioso e minhas crenças são limitadas, a segunda hipótese poderia ser a mais provável.
-Que foi Mário? Que cara esquisita é essa?
-Nada amor! É pura felicidade. Respondi, mas, dentro de mim existia um grande conflito com relação à dura verdade sobre minha improvável paternidade. Enquanto ela sorria com o resultado do exame nas mãos e telefonava para as amigas, eu não sabia se contava meu drama e complicaria tudo com minhas dúvidas e ainda tomava uma bronca por ter guardado esse segredo, ou ficava calado e iria dia seguinte fazer sorrateiramente um espermograma, tirando assim todos os grilos da minha cabeça, correndo o perigo de substituir estes pequenos insetos por um lindo e grande par de chifres.
Dei uma desculpa que precisava sair a negócios, mas Sheila nem prestou muito atenção a minha desculpa, pois estava transmitindo a notícia para sua amiga Jamille, noiva do meu primo Raffael.
Peguei o carro e fui direto para casa do meu amigo Luiz Antonio, médico ginecologista, para dividir o meu segredo e pedir uma opinião de como proceder. Chegando lá fui logo abrindo o jogo e contando detalhadamente minha odisséia!
-Calma, Luiz! Às vezes acontece esses problemas se corrigirem inesperadamente e sem explicações científicas. Vá batendo uma enquanto eu preparo o microscópio para fazer uma rápida pesquisa e verificar se seus espermatozóides saem vivos e sadios na ejaculação.
-Você acha que vou ter tesão pra isso do jeito que estou?
-Pô, cara! “Se você quer que o pinto endureça, pegue no meio e sacuda a cabeça”. Essa teoria popular nunca falha.
Peguei o bruto todo encolhido e cabisbaixo, talvez por estar entendendo a situação e comecei a sacudir, até que ficou meio pururuca, e, com a mão esquerda para parecer que era outra pessoa que estava batendo (poucas pessoas conseguem dar o ritmo certo), e depois de algum sacrifício, algumas gotinhas espirraram no recipiente.
Corri para a outra sala onde Luiz estava e entreguei aquele material, não tirando os olhos de cima, para ver se, mesmo a olho nu, via algum sacana se mexendo na lamina. Não detectei porra nenhuma. Aliás, só a própria porra!
Depois de um rápido e cuidadoso exame, ele olhou pra mim com um olhar incógnito, balançou a cabeça e disse: Estão vivos, cacete! Você não tem mais nada e pode ter um batalhão de crianças!
Não pude me conter e dei o maior beijo no rosto de Luiz e saí picado voltando pra casa, pois meu desejo era encher Sheila de beijos e curtir o nosso futuro baby.
-Alô! É Sheila? Consegui contornar a sua situação como você me pediu. Fiz o exame, dei um veredicto falso e ele saiu daqui feliz da vida. Agora é com você e o pai do menino. Nunca mais me peça um favor desses! Para que você tenha uma posição correta do estado genético dele, digo-lhe que seus espermatozóides são todos tetraplégicos e não conseguiriam atingir um ovário, nem tomando uma carona com o Schumacker. Agora reze para que ele queira apenas esse filho único, porque se aparecer um irmãozinho eu estou fora.
*Escritor (Vida Louca - ansouza_ba@hotmail.com) antoniomanteiga.blogspot.com