segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A mulher "Bi"!

Antonio Nunes de Souza*

Certamente, com esse título, você logo imaginou tratar-se de uma mulher bissexual mas, não é nada disso! Sou padre há 26 anos, me ordenei com 21 anos de idade e, juro por Deus (mesmo tendo que jurar seu nome em vão, que é pecado), que jamais conheci uma pessoa, ou melhor uma confissão tão estranha e pecaminosa, executada de uma maneira completamente inusitada, levando a personagem a um comportamento dúbio e, o que é mais aterrorizador, completamente de hábitos estranhos!
Cidade de porte pequeno para médio, onde quase todos se conhecem, porém, uma das minhas paroquianas das mais fervorosas, que não revelarei o nome, basta estar quebrando o meu juramento de jamais comentar as confissões ouvidas, sendo o correto determinar rezas e atos de contrições e, mais que depressa, esquecer o que ouviu, entregando para o perdão divino!

Mas, nesse caso, se eu também não fizer uma confissão, ficarei engasgado pelo resto da vida, somente por ter ouvido essa pessoa, beata das verdadeiras “baratas de sacristia”.  Mulher de seus quarenta e cinco anos, solteira, sem filhos e moradora sozinha, já que tinha vindo para a cidade há uns 20 anos em função do seu emprego federal que a transferiu para longe da família moradora em outro estado!

A primeira vez que ela me fez esse relato, achei que seria apenas um fato ocorrido, por razões de oportunidade, ou casualidade que, inesperadamente aconteceu. Disse-me ela que, desde de jovem sentia duas grandes necessidades em sua vida: uma de grande religiosidade e a outra de prazer sexual! De dia rezando e professando com fervor a eucaristia e a noite devotando gananciosamente a putaria! Essas foram, textualmente, as suas palavra! Eu quase caí duro no confessionário, levantei o rosto para olhar a sua cara e vi que era mulher nada mocinha, porém ainda bonita e viçosa!
Não me contive e, sem dar ideia de censura, lhe perguntei se isso era comum na vida dela, ou apenas aconteceu uma vez ou duas?
Ela, sem titubear ou tremer a voz, foi incisiva e repetiu: Padre meu dia todo eu ofereço a Deus, rezando ajoelhada e nunca falho. Mas, a noite só sinto-me bem sentada num caralho! O mais curioso é que ela usava de um linguajar perturbador de tão vulgar, sem, pelo menos, disfarçar seus posicionamentos noturnos!
Lógico que procurei dar uma serie de conselhos, mostrar que esse comportamento era inadequado, que ela deveria ser mais comedida, até que arranjasse um marido e oficializasse esse seu pecado mais que mortal! E ela, veementemente, respondeu: Gosto de rolas diferentes! Nada de repetições de cardápio, pois o que mais adora é a surpresa da variação. Grande, pequena, grossa ou fina, essas todas eu curto desde menina!

Meu Deus, fiquei chocado e horrorizado com essa confissão de uma mulher, realmente “Bi”, pois, de dia era uma santa e a noite uma puta! Imaginei logo que, por ser uma média comunidade, que todos os homens já tinhas comido sua xoxota pecadora e demoníaca, instalada num corpo santificado!

Mandei que ela rezasse uma tonelada de Ave Maria e Padre Nosso. Mas, quem disse que resolveu? Todos os sábado ela volta e repete os acontecidos, cumpre sua penitência e, mesmo dando uma na noite do sábado, no domingo pela manhã ajoelha-se em frente ao altar mor, com véu e terço na mão, pede perdão a Deus e faz a sua comunhão, depois vai cantar no coral da igreja!

Que Deus, na sua divina bondade, me perdoe por estar quebrando a jura do silencio. Mas, se eu não fizesse essa confissão, terminaria enlouquecendo!

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL – antoniodaagral26@hotmail.com

sábado, 17 de dezembro de 2016

Explosão de Papai Noel!

Antonio Nunes de Souza*

Na cabeça de todo mundo, imagina-se que personagens de origens celestiais, status de santo, que vivem em patamares privilegiados, jamais perdem a paciência e, mesmo baixinho, xingam um nome feio! Mas, tenho que confessar agora que estou bastante revoltado me tranquei na minha casa/iglu e, sozinho, soltei cobras e lagartos, uma serie de nomes dos mais chulos e corriqueiros nas bocas humanas, desabafando minha revolta com relação a uns cretinos pedidos que recebi através de cartas! Lógico que antes de soltar meu praguejamento pecador, verifiquei se não haviam câmeras e microfones da PDS (Polícia Divina do Senhor) escondidas, por ordens do tal juiz Moro, considerado pelos políticos como o maior “alcaguete” vivo da história brasileira!

Agora, já mais calmo, resolvi confessar a causa dessa minha explosão, exatamente e, praticamente, as vésperas do Natal, ocasião que trabalho pra caralho, (oh! Me desculpem esse palavrão), depois de ler milhões de cartinhas das crianças pedindo seus preciosos brinquedos, me chega via Sedex milhares de cartas de políticos de todo Brasil, pedindo para que eu consiga uma liminar Sagrada do Espírito Santo, determinando perdão não só de todos os processos da operação “Lava Jato”, como também uma anulação geral para todos os desmandos, nada de devoluções de numerário e, por fim fazer o povo engolir aplaudindo aos grandes golpistas Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e os outros famigerados pecadores pertencentes a classe empresarial!
É ou não é terem caras de pau, em querer me envolver como colaborador de safadezas?

Na verdade as cartas, para ser mais claro, solicitam uma anistia geral, para todos os partidos, desse e do governo passado! É o não é uma grande ousadia e falta de respeito a minha pessoa?

Pois é meus amigos, logo na época que fico alegre e feliz, esses bandidos, me aparecem com essa ideia criminosas para me tirar do sério e fazer eu esbravejar!
O que vou levando e com prazer é uma grande carga de tornozeleiras eletrônicas pra colocar nas canelas dos bandidos mais sagazes que conseguem prisão domiciliar!

Tenho ou não tenho razão para explodir?

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras

Um vencedor!

Antonio Nunes de Souza*

Olhando-se de uma maneira simplista e sem nenhuma análise de detalhes, chega-se à conclusão que, se houve um vencedor, obviamente, existiu um vencido. Mas, essa conjectura somente é cabível quando se trata de uma contenda, ou disputa, que os opositores com armas e bagagens, enfrentam seus antagonistas profissionalmente ou esportivamente!

Porém, no caso que quero me referir, não trata-se, especificamente, de uma medição de forças entre oponentes, nem tão pouco adversários em qualquer vertente de medições de forças. O que me chamou a atenção é ver sempre, entre as pessoas das mais diversas classes sociais, que lutam, cotidianamente, vencer os obstáculos que são habituais para todos e, para alguns, são olhados como intransponíveis e impossíveis!

Aí é que temos a satisfação de ver que, quando alguém disse que “querer é poder”, sabia das coisas e, com certeza, era um vencedor. Digo isso porque nós vivemos num mundo altamente capitalista, por muitos denominado de selvagem e, uma minoria de guerreiros batalhadores conseguem suplantar suas necessidades, inclusive usando do tal “jeitinho brasileiro”, garra, esforços, dedicações e a verdadeira vontade de vencer, conseguem, em grande número, chegar ao topo de uma posição social e econômica. Esses são verdadeiramente os que podemos chamar de “vencedores”, descaracterizando o adágio popular, bastante repetido pelos frustrados: “Quem não rouba ou não herda, morre na merda!”

Conheço vencedores que nada herdaram, jamais roubaram, mesmo tendo oportunidades, e são verdadeiros vencedores pelos seus próprios esforços, tendo colocado em suas mentes que, somente quem acredita em seus sonhos, planos e projetos, pode ver e desfrutar de uma compensação invejável!

Essa crônica é exatamente para chamar a atenção dos jovens, para que lutem pelos seus ideais, se sacrifiquem em alguns momentos, estudem, trabalhem em qualquer que sejam as funções, pois, todos trabalhos são dignificantes, pois, é muito melhor “ralar” por alguns poucos anos, e desfrutar por várias dezenas de outros, tendo dentro de si o orgulho de ter sido ‘UM VENCEDOR”!

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL – antoniodaagral26@hotmail.com