Antonio Nunes de Souza*
No decorrer das nossas vidas,
todos nós somos passivos de fazer algumas loucuras, que depois de realizadas e
pensadas com calma, percebemos que nos comportamos totalmente fora dos
controles, atingindo o absurdo dos erros, conforme os ditames das ordens
sociais. E, felizmente ou infelizmente, eu não sou diferente de ninguém nessas
atitudes, que acredito não existir alguma exceção!
Dentre as muitas que ocorreram em
minha vida, a mais significativa e bastante marcante, aconteceu quando eu tinha
quinze anos de idade, naquela passagem de menina para mulher, onde estamos
cheias de dúvidas e curiosidades. Meu pai um grande comerciante, situação
financeira ultra privilegiada, morávamos numa mansão invejável num bairro
classe A, que posso dizer que eu era como chamavam na época, uma verdadeira “patricinha”.
Tínhamos jardineiro, copeira,
governanta e motorista particular para nos atender, além de uma cozinheira de
forno e fogão de ponta. Uma condição de vida, que poucos tem o privilégio de
desfrutar. Aí, aconteceu o seu Fernando, nosso velho motorista se aposentar,
meu pai contratou outro imediatamente, recomendado por uma empresa de Recursos
Humanos. Ele era um homem jovem de uns trinta anos, bonito, simpático, educado
e paralelamente ao seu trabalho de motorista, estudava Administração de
Empresas, mirando um futuro melhor!
Todos os dias Mendonça (esse era
o seu nome) levava-me para o colégio, indo buscar-me quando as aulas
terminavam, além de atender a mim e minha mãe, quando saíamos para lazer,
eventos, compras ou outras coisas que se faziam necessárias.
O fato é que, nessas nossas
andanças do dia a dia, conversávamos bastante, passamos a ser relativamente
amigos, ele bastante respeitoso, mas, mediante a minha puberdade e assanhamento
de jovem, terminei ficando apaixonada por ele que, infelizmente, ou não notava
ou fazia que não notava, sempre sorridente, porém, sério e correto nos
comportamentos, nada deixando transparecer. E como acontece com todas pessoas,
toda vez que não se interessam por nós, ficamos nos sentindo sem competência, e
a vontade de fazer as coisas acontecerem aumenta substancialmente. E como já
disse que não sou diferente de ninguém, continuei me insinuando mais, mas, por
incrível que pareça, Mendonça continuava impassível.
Existia um apartamento no fundo da mansão, que era para atender
ao motorista, para que ele ficasse a noite para alguma emergência ou
eventualidade. E numa noite que eu estava completamente sedenta e magoada por
estar sendo desprezada, sendo uma menina moça da alta sociedade, fiquei
completamente nua, veste um robe de seda e, corajosamente, saí as escondidas e
fui até o apartamento de Mendonça, vi que havia uma luz acesa, bate levemente
na porta, que em um minuto foi aberta, E sem dizer uma única palavra, abracei-o
e dei-lhe um beijo na boca, que ele, mesmo totalmente surpreso, correspondeu
maravilhosamente, deixando-me molhadíssima de desejo e a emoção de ter
conseguido quebrar o gelo das suas atitudes. E depois de algumas carícias
reciprocas, eu sem que ele pedisse, tirei o meu robe ficando completamente a
sua disposição para fazermos tudo que desejássemos. E aconteceu mesmo no chão
da sala, continuando no sofá, fomos para cama, ele experiente e com um tesão
maravilhoso, deixou-me totalmente deslumbrada, já que era a minha primeira
experiência sexual. Quanto as posições, foram todas que vocês possam imaginar,
sendo a que mais me enlouqueceu, foi quando ele com maestria, fez sexo oral em
mim, fazendo eu gozar várias vezes, imaginando que iria morrer de tanto prazer!
Infelizmente, no dia seguinte Mendonça silenciosamente, foi a
empresa e pediu demissão alegando problema de saúde, fato que vim a saber a noite
quando meu pai falou que viria um outro motorista, pois, Mendonça tinha se demitido.
Tomei um enorme susto e decepção, mas, imaginei que ele ficou com receio de um
problema sério, por eu ser menor de idade, e ele ter sérios problemas, não só
com meu pai como com a lei!
Tentei localiza-lo, mas, foi em vão, pois, até no endereço do
seu cadastro na empresa, ele havia se mudado.
Essa foi minha maior loucura, que guardei como segredo até
hoje, ocorrido vinte anos atrás. Não posso mentir que lembro-me com saudade,
aquela minha longa noite de loucura e prazer!
*Escritor, Historiador, Cronista, Poeta e um dos membros
fundadores da Academia Grapiúna de Letras!
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